Regina me encarou animada como uma criança que acaba de ganhar um doce. Seu sorriso cresceu tanto e seus olhos ganharam um brilho diferente. Imaginei que o problema era realmente preocupante só pelo tom de alívio com que ela me respondeu:
- Isso é sério, Emma? Que maravilha! – ela quase pulou de um jeito fofo – Eu sei que a cidade não é muito grande, então você deve conhecer os Guimarães Azevedo. Você conhece? Eu sei da existência deles por comentários do meu pai, mas não tinha pensado em como me aproximar ainda. Talvez você possa me ajudar... – Completou com a voz lotada de esperança
Ajudar Regina Mills é algo que eu nunca pensei que fosse possível, apesar de estar sempre pensando no seu estado. Porém agora com ela diante dos meus olhos tão exposta, tão intensa... Só pode ser loucura. Devo estar ficando louca com a pressão das provas se aproximando. Onde já se viu? Alguém deve ter batizado meu café. Que tipo de pensamentos são esses? Hello, Emma! Menos, bem menos, quase nada.
- Emma? – ela chamou me tirando do transe, mais uma vez.
- Opa, desculpa, estava tentando me lembrar. Eu conheço eles sim. Todo mundo em Embu conhece... É a família mais rica que se tem conhecimento por lá – respondi.
- Isso é incrível! – ela suspirou – Será que você tem alguma forma de aproximar deles sem tantas formalidades? Eu acho que ajudaria no meu assunto. Sei que deve estar pensando que é só senhor Gold fazer uma ligação e fica tudo bem, mas não quero envolve-lo nisso. – se explicou e completou meio travessa – A menos que seja necessário ter seu nome citado para, você sabe, dar alguma credibilidade.
Eu ri do seu jeito de falar. Regina parecia uma adolescente que ia sair de casa pela primeira vez e não uma mulher adulta, formada... e casada, me atrevi a lembrar. Tratei de responder logo desta vez.
- Ué, tem sim. Eu costumo ir pra casa em todos os finais de semana, porque minha mãe ainda não se acostumou com a minha falta – ela sorriu e eu me condenei por parecer uma criancinha falando da mãe – você deve imaginar. Podemos nos encontrar lá e eu te levo até os Guimarães Azevedo. Eu acho que eles não vão se incomodar.
Por um momento pensei que ela fosse me abraçar. Todas as minhas vísceras se misturaram em uma dança agitada com as borboletas que se instalaram no meu interior desde que ela chamou meu nome pela primeira vez. Meu corpo estremeceu e pensei em fechar os olhos para não ter que pensar para que lado olhar quando o abraço terminasse. Porém, antes que ela pudesse desfazer seu sorriso e fazer qualquer coisa, dois sinais tocaram do lado de fora do prédio significando o término da aula noturna. Foi a partir daí que nos demos conta de que havia passado mais tempo do que pudéssemos contar.
Tirei meu celular do meu bolso e olhei pro relógio com o rosto chocado. Ir embora àquela hora de ônibus não seria uma ideia genial. – aaai, droga! – gemi com insatisfação. Acho que a Regina entendeu meu problema porque logo soltou:
- Acabei de chamar o uber para você. Em 5 minutos o motorista estará na porta. Acho melhor a gente se apressar. Muito obrigada, de verdade.
Pensei em negar o favor, mas estava realmente tarde para me dar ao luxo.
- Eu é que te agradeço, Regina. Por tudo. Pela aula sobre as flores, pelo papo e claro, pelo uber – falei sincera, apesar de estar tímida.
- Então até sábado, Emma.
- Até sábado.
Desci as escadas correndo e me apressei na minha função de pegar minhas coisas e alcançar a saída deixando Regina pra trás. Meus dias em São Paulo eram sempre muito corridos e roubavam todo meu espaço para sentir qualquer coisa, mas as noites costumavam ser pesadas e longas, cheias de saudade, ansiedade e pensamentos desconexos. Porém, como mágica, aquela noite eu dormi bem. Deitei-me com um sorriso nos lábios e sonhei a noite toda com flores. Sábado deveria logo chegar.
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- BOM DIA CRIANÇAS! Estamos todos vivos? – Ruby entrou na sala com uma animação suspeita para o horário. Foi aí que lembrei que meus amigos tinham ido em uma festa na noite anterior.
- Graças a Deus, Ruby!! Nem acredito que você tá aqui. Garota do céu, só Deus sabe o quanto fiquei preocupada ontem depois que você foi embora sem mim. – Elsa abraçava a morena com tanta força que pensei que fosse quebrar algumas costelas.
- Coitado de Deus, loirinha. Só agora você já O chamou umas três vezes só por causa dessa maluca. O anjo da guarda dela deve estar no ponto de ser demitido, ou promovido, pela quantidade de trabalho que ela dá. – Jefferson cutucou com bom humor.
- Há há há, seus engraçadinhos. Estou viva e bem. Com Deus e meu anjo, provavelmente promovido, também. – rimos – O que parece é que o Killian que não teve a mesma sorte.
- Vira essa boca pra lá, lobinha! Cheguei! – Killian chegou para o alívio de Elsa que já estava com os olhos pulando pra fora de preocupação, coitada.
- Lobinha? Que apelido é esse? O que foi que eu perdi? – Interrompi as felicitações pela vida do Killian depois de ouvir aquele apelido engraçado.
- Ah garota, eu nem te conto! – Elsa soltou – Depois de umas doses de tequila, o Imagem e Ação deixou de ser um jogo de mímica para se tornar um criador de fetiches. Você acredita que a Ruby imitou um lobo só para irritar o Killian? – ergui uma sobrancelha tentando entender a relação e Jefferson entrou na conversa para tentar explicar.
- É o seguinte, Emma. Se a pessoa não acerta o que você tá imitando, ela tira uma peça de roupa. Já ouviu falar nesse jogo? – assenti – Então... a Ruby acertava todas e o Killian também. No fim, só sobraram os dois se desafiando e a maluca inventou de apostar seu posto de campeã com o bonitão aí. Quem fosse mais sexy e convincente sem tirar a roupa, levava o prêmio.
- E qual era o prêmio? – perguntei
- Tequila, é claro! – Ruby e Elsa responderam juntas
- Então vocês entram num jogo bêbados para saírem mais bêbados ainda? – perguntei com bom humor, mas realmente na dúvida.
- Óbvio, Emma! – Dessa vez falaram todos juntos rindo
- Tá, e aí? Quem ganhou? – Perguntei
- O que você acha? A autoestima do Killian é realmente alta, porque se ele achou que só esses olhos verdes pudessem ganhar do pacote completo que é Ruby imitando movimentos de lobo e uivando, essa é a única explicação. – Jefferson constatou o óbvio, rindo.
- Ah, fala sério, cara. Claro que eu poderia ganhar da lobinha. Sou um espetáculo! – Killian lançou o comentário e ficou confuso quando notou que ninguém riu. Olhou para os meus olhos como se procurasse respostas até que...
"Cof cof"
Ingrid já tinha entrado na sala e estava prestando atenção na nossa conversa. Ver o Killian com vergonha me fez ganhar a semana – ou pelo menos até a sexta, já que o sábado já seria um presente -.
- Podemos começar ou você ainda tem que se exibir mais um pouquinho? – Ingrid questionou olhando dentro dos olhos do Killian.
- Não, me desculpe. Podemos começar. – Ele respondeu.
- Oh, que bom. Fico mais aliviada agora que tenho a sua permissão. – Ela retrucou e virou para o quadro de giz, que ainda era seu preferido.
- Um dia essa mulher me mata, Emma. – Ela me disse num suspiro
- Calma Killian. Espero que ela tenha todos os pedaços pra isso, porque você não para de secá-la sempre. – Brinquei para aliviar a tensão.
Depois de um intervalo repleto de risadas escandalosas de nossa parte por causa dos acontecimentos da festinha que meus amigos me contavam em detalhes, a próxima aula seguiu bem também, apesar da minha insistência de olhar pro relógio (ação que Elsa reparou).
- Tá tudo bem, amiga? Você tá passando mal? Não para de olhar pra esse celular... Quer ir pra casa?
- Tá tudo bem sim, Elsa. Fica tranquila, obrigada.
Ela deu de ombros, porque já sabia que era desnecessário insistir para que falasse e me deixou no meu canto da sala fazendo o que eu fazia de melhor aquele dia: contando os minutos que faltavam até que sábado chegasse. Pelas minhas contas (não muito boas, por acaso), não faltava muito tempo para que Regina Mills saísse de São Paulo, o seu lugar, para ir até o meu. Regina iria conhecer o meu mundo sem nem saber que eu contava os segundos para isso (e talvez nem eu soubesse).
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SoulMate #FINALIZADA
RomantiekEmma Swan vai para a capital em busca de um sonho: se formar. Sempre focada em seu caminho já praticamente traçado pelos pais, passa por uma reviravolta em seu interior quando seus olhos capturam a imagem da nova professora em sua frente. Cabelos p...
