Há muito tempo atrás, em uma vila da Inglaterra que não tinha nome ainda, havia um senhor altruísta chamado Zachary. Ninguém conhecia sua idade direito, nem seus filhos, sempre que perguntavam à ele, respondia que tinha 109 anos, todas as vezes.
Morava em uma pequena casinha no meio da vila, adorava o movimento dela, vivia brincando com as crianças, ia a igreja sempre, ajudava os idosos com seus afazeres, cantava canções com sua harpa na estalagem próxima, todos gostavam dele.
Um certo dia, Zachary começou a espalhar para a vila toda de que tinha apenas mais três dias de vida, mas contava a triste notícia com tanta alegria que ninguém acreditava, pensavam que era mais uma de suas peças, afinal, o velho era brincalhão.
Zachary começou a espalhar a noticia fúnebre de seu triste fim desde o cantar do galo (onde acordava todos para dar a noticia bizarra, o que gerava alguns comentários nada espirituosos.), até certa hora perto do horário do almoço, que foi quando desapareceu em sua pequena casinha e não voltou até ser antes de todos irem almoçarem.
Um sininho irritante tocou fortemente no centro da pequena vila, forte o suficiente para despertar a curiosidade de todos. Havia uma enorme fileira de mesas arrumadas cuidadosamente, com banco para todos os habitantes, em cima da mesa, todas as guloseimas possíveis para aqueles pobres plebeus, desde peru assado à torta de abóbora, desde bolo de limão até salmão defumado, de pato assado à javali assado, e em cima de um dos bancos havia o velho Zachary tocando seu sininho para chamar a atenção de todos.
- Venham, venham! Vamos todos participar do banquete que eu preparei, temos de tudo aqui, para agradar a todos os paladares, desde o glutão até o mais frescurento. - Gritou esta ultima parte olhando para o jovem e magro Tobias, que tinha fama de não gostar de nada e ao ouvir estas palavras colocou as mãos na cintura e gritou "Ei!". - Venham todos, não sintam vergonha, vamos todos comemorar meus últimos dias! - E ao terminar de gritar, ouviu-se um tumulto de preocupação com a sanidade do velho Zachary e as crianças gritando "Eba!" e correndo em direção à mesa.
Aos poucos, o povo foi perdendo a timidez e foi se juntando à mesa para comer a refeição que parecia deliciosa, se bem que no começo foram as mães para mandarem as crianças pararem de comer a sobremesa antes dos pratos principais.
A comida estava deliciosa! Ah, e como estava! Os padeiros perguntavam como Zachary conseguia deixar o pão tão crocante e o bolo tão fofo, o dono da pousada perguntava qual o tempero que usava nas carnes para ficar tão bom assim. É para todas as perguntas o velho Zachary respondia.
- Tudo segredo de família.
Todos da vila estavam comendo, rindo, conversando e cantando, ficaram ali mesmo quando terminaram de comer, estava muito divertido para ir embora, e não demorou para que Ballory, o açougueiro da região, começasse a fazer sua famosa imitação de galinha, famoso na região. Logo, Vladslav, um velho russo, começou a contar suas historias de guerra para os interessados, que ouviam com atenção, o grupo de músicos locais (um fazendeiro, uma florista, um padeiro, um sapateiro e um serralheiro) pegaram seus instrumentos, amontoaram algumas caixas e começaram a tocar.
Sem perceberem, virou uma festa e todos se divertiam, foi a maior festa que a vila já teve, todos estavam presentes, até os cães e gatos, viam se também alguns cavalos, o que era estranho.
O povo se divertia como nunca se tinha divertido antes, o vinho parecia não acabar nunca, a comida não tinha acabado ainda, a Senhora Fosley, a costureira da vila ficou tão bêbada que apostou com Zachary que conseguia fazer malabarismos com frangos assados, Zachary perdeu, ela utilizou três frangos, um peru e um pato. (O frango estava quase acabando.)
Quando a lua estava bem alta no céu, Zachary apareceu com um instrumento estranho em mãos, parecia uma caixa grande com um formato estranho e um buraco, em sua ponta tinha algo que parecia uma tábua de madeira, havia pequenas cordas que ligavam da caixa até a tábua.
- O que é isso Velho Zachary? - Perguntou uma das crianças, todos queriam saber o que era aquele curioso objeto.
- Ora, isto é um... err... - Zachary coçou a cabeça.- Não dei um nome para ele ainda. - Zachary era conhecido por inventar muitas brincadeiras, e vivia concertando brinquedos quebrados.
Zachary levantou uma das mãos bem ao alto, chamando a atenção de todos, depois desceu com tudo nas cordas que fizeram um som melodioso que impressionou a todos, que gritaram em uníssono um grande "Oooooh!".
- Acho que vou chamar isso de... violão. - Falou Zachary, satisfeito com o nome que deu ao seu novo instrumento musical.
Zachary ficou dedilhando as cordas do violão, e saiu uma música melodiosa que agradou o ouvido de todos.
- Como você ser bom com este instrumento? - Perguntou o velho russo Vladslav, com seu sotaque forte.
Zachary riu.
- Não sei, criei hoje de manhã!
E todos riram, incluindo o próprio Zachary.
Ao ver que estava amanhecendo, Zachary começou a se despedir de todos, apertando a mão de um por um, até mesmo das crianças, alguns começaram a chorar, outros desejaram boa sorte, a maioria se despediu por educação, não acreditava que Zachary estava morrendo.
A festa continuou e aos poucos alguns ficaram cansados e foram repousar em suas casas, outros continuaram a festa, há quem diga que a festa continuou por mais dois dias mesmo Zachary não estando mais nela.
Zachary entrou em casa, e saiu carregando um enorme saco, deu uma ultima olhadela para o povo da vila que ainda festejava e se perguntou se depois de morto ainda poderia sentir saudades deles. Provavelmente poderia.
Zachary olhou para o horizonte, onde deveria seguir seu caminho, respirou fundo.
- Agora preciso ver meus queridos.
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Os últimos dias de Zachary
Kısa HikayeO que você faria nos seus três últimos dias? Zachary faria coisas fora do real.