X - C h o c o l a t e w i t h v o d k a

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Estavam todos naquela pequena cozinha com detalhes em inox, Pierre tentava amenizar a situação com um olhar, Cheslav olhava para seu pai e o mesmo poderia jurar que estava furioso. 

Independentemente do olhar de seu filho Pierre não faria o que ele quisesse, não dessa vez. Já Cheslav estava crente que seu pai tinha uma relação com a loira ao seu lado. E isso era um absurdo.

—Desde quando você começou a trazer garotinhas para sua casa? As mulheres não estão te querendo mais? — Perguntou Cheslav ofendendo seu pai. E essa foi a intenção do mais novo.

—Como é que é? Quem você acha que é para falar assim comigo? Não é só porquê você ficou distante esse tempo todo que eu vou aceitar você falando assim comigo rapaz. Eu ainda sou seu pai! — Estava evidente a fúria de Pierre e Lua estava começando a ficar amedrontada com tudo aquilo que presenciava.

—Eu vou em bora. — O tom de voz baixo foi ouvido por Cheslav e Pierre.

Imediatamente Pierre olhou para a menina com seus olhos quase sarados para fora, seus belos olhos. E Cheslav lembrou-se da presença da pequena na cozinha e quase se esqueceu de quem era o motivo da briga.

—Não, não vai. — Disse Pierre referindo-se à Lua. — E quanto a você — olhou para Cheslav —, eu sei que eu nunca fui um pai presente, mas não por opção. Se você não aceita as minhas decisões é bom que nem venha mais para cá. — A esse ponto Pierre estava gritando, ele que sempre odiou gritaria. Mas não estava mais nem ligando para o que as pessoas pensariam dele. Se ele era estranho, agora a vizinhança o acharia louco. — Vamos sentar nessa mesa e vamos conversar calmamente.

Depois de um tempo Cheslav já estava ciente de tudo o que acontecera naqueles últimos dias. Já sabia donde a menina viera e como a mesma foi parar ali e até o porquê. Pierre e Lua resolveram ocultar a parte de como era o organismo da loira. E ambos também sabiam que seria complicado esconder isso do russo.

Cheslav preferiu ficar quieto e respeitar pela primeira vez a vontade do pai. Mas ainda sim não engolira toda aquela história sem pé nem cabeça.

—Quem é seu pai? — Perguntou Cheslav, se ao menos soubesse o nome e sobrenome do progenitor da menina ele poderia ir atrás do mesmo.

—Eduardo. — Respondeu Lua.

A pequena estava envergonhada com a presença de Cheslav e não queria que ele pensasse mais mal do que já estava pensando da loira. A menina manteve-se quieta a discussão inteira com medo de que algo acontecesse com ela.

—Eduardo do quê? — Perguntou novamente.

—Eu não sei, eu apenas o chamava de pai. Sei do seu nome porque meu tio Daniel chava-o dessa forma.

—Então qual é o seu sobrenome?

—Cheslav para de insistir nessa questão. Ela não sabe! — Seu pai disse tentando manter a calma.

—Não tudo bem Pi. Eu não sei, só sei onde ele mora.

—Onde? — Dessa vez Cheslav estava com as mãos nos longos fios prendendo-os em um coque.

—Bom, quando meu pai me encontrou, ele mudou o nome do morro para Sol. Porque ele quis me chamar de Lua. Então chama-se Morro do Sol.

—Tudo bem.

Já estava de noite e todos estavam sentados e calados na mesa, Lua comia um pedaço de carne mal passada com purê de aspargos, Pierre também e Cheslav comia nhoque que Pierre fez no dia anterior com massa de tomate.

—O que é aquela caixa que você trouxe mais cedo filho? — Perguntou Pierre tentando uebrar o clima constrangedor que se instalou na cozinha.

—Eu trouxe um pouco de vodka. Gosto de vodka como chocolate que você produz. — Disse, Cheslav estava se levantando e abrindo acaixa, nela havia uma garrafa transparente com duas faixas douradas e entre asmesmas estava escrito "prints", uma palavra desconhecida mas que talvez fosse onome da bebida. — Quer? — O filho ofereceu a bebida ao pai que aceitou.

Era uma vez...Onde histórias criam vida. Descubra agora