O fundo dos oceanos.

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Depois de tantos anos e desenganos, eis que resurges do fundo do meu oceano. Senti sua falta, repito. Fico feliz em vê-la na superfície novamente. Por que tantos mergulhos profundos? Passei meses sem lhe ver, cheguei a pensar no pior. Você veio para ficar? A maré está tão calma. Sei que temes as tempestades. Prometo protegê-la. Você confia em mim?

Estive andando pelas ruas onde as árvores me saudavam nas calçadas, proporcionando-me uma boa sombra. Andei por alguns quilômetros sem você, e a saudade batia forte no peito, mas eu suportei. Conheci alguém: um aviador. Ele resolveu morar em minha casa. Adoro olhar seus voos. Ele voa alto, chega posso sentir o sabor das nuvens que ele ultrapassa.

As coisas mudaram bastante enquanto você esteve ausente. Novas pessoas apareceram para fazer-me companhia. Uma delas fora má, só me proporcionou dores, mas me fez aprender. Ela era malvada, brigara comigo e levou-me para o sótão e ordenou que eu ficasse lá sozinho no escuro e naquela bagunça. Prometeu abrir a porta somente após ver arrumada toda aquela confusão. Era assim que ela se referia à aquilo tudo: uma "confusão". Ela fora boa para mim, pois arrumei tudo por lá. Mas como és malvada, não pretendo vê-la outra vez. Ela se foi, e tem uma cama sobrando na casa, você e o aviador podem ser amigos. Ele ensinará você a voar alto, quem sabe assim você esquece dessa mania de mergulhar no profundo dos oceanos. Quero vê-la ao lado dele, no alto dos céus.

Então, você aceita morar eternamente em meu lar? Seremos por enquanto um quarteto. Eu, você, meu amor e o aviador. Eu pintei as paredes, hoje há cor, está tão bonito. Então, Felicidade, fico feliz pois você aceitou. Seja bem vinda ao lar, mais conhecido como o meu coração.

Christian Souza.

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