foi num bar no centro da cidade que eu a vi chegar de longe. lábios carnudos. cabelos castanhos. um tom de pele branco. moça boa de se olhar. ofereci a ela meu papo. ela queria apenas um chá. lhe recitei Drummond. seus olhos brilharam. - ah, moça, perdoe esta minha forma de xavecar - quis ser Airton Senna naquele momento. nas suas curvas era fixo o olhar. perguntou se eu era poeta. falei-lhe lhe em tom suave: sou poesia, queres me declamar? um sorriso de canto dos lábios surgiu. ela se pôs a me olhar, e num tom de desafio me disse: sou leitora assídua, leio o que há de me encantar. dei-lhe então seu chá. eu era o garçom. e junto com a conta um bilhete para não perder o tom. se eres leitora, permita-me nos seus lábios passear. sou poesia viva e hei de te encantar.
Christian Souza.
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Datilografado
PoesiaAos 18 anos, Christian Souza descobriu que o papel era o único lugar capaz de suportar o peso de uma alma que insistia em ter 80. DATILOGRAFADO não é apenas uma coleção de versos; é o registro em tinta preta de um coração que se recusa a calar diant...
