DAY.
As ruas de São Paulo sempre tão movimentadas, com tanto barulho de carros pessoas conversando, turistas empolgados, crianças chorando.
As vezes eu fico meio perdida no meio de tanta gente, mesmo tendo crescido na famosa cidade que nunca para.
Faço o mesmo caminho para o estúdio todos os dias tem uns três anos, encontrando como pessoas do mesmo gênero, passando em frente aos mesmos prédios, vendo como vitrinas das mesmas lojas.Eu nunca enjoei de nada disto.
Olhei no relógio e já passava da manhã da manhã, e significa o quê? Isso mesmo, que eu estou atrasada. A Carol provavelmente está querendo me torturar usando algum método da média média, porque temos uma música pra gravar hoje e postar essa semana ainda. Acelerei o passo na tentativa de mais rápido, mas era impossível passar no meio de pessoas que estão no estado de agitação que eu nesse exato momento.
Atravessei a rua em passos largos e, chegando do outro lado da calçada, senti meu ombro trombando com o de alguém e algo quente caindo sobre minha pele.
Complemento. Colisão. Equilíbrio. Sinergia. Fusão.
Alguém havia derrubado café em mim. Só podia ser brincadeira. Justamente no dia em que eu estou atrasada?
Olhei pra minha roupa molhada e com uma mancha enorme e uma mulher levantou analisando o celular que provavelmente tinha caído quando colidimos. Ela carregava um copo grande do Starbucks sem tampa até a metade. Maldito atendente que não tinha fechado isso direito!
-Me desculpa, sério, meu deus, me desculpa, moça! - Ela falou quando olhou pra minha roupa e minha cara nada amigável. Mas, parando pra pensar, ela não teve culpa. Quem estava andando quase correndo era eu.
-Não tem problema, a culpa foi minha que estava andando que nem uma louca. - Tentei acalma-lá e finalmente olhei pro seu rosto. Roupa toda preta, cabelo liso com o minimo de ondulação e bochechas rosadas. Ela definitivamente era linda!
-Olha, agora sua roupa... - A interrompi.
-Isso vai secar. Seu celular quebrou? - Perguntei pra pra sua mão que segurava o aparelho.
-Eu espero que não. - Ela sorriu forçado. - Eu moro naquele prédio ali. - Ela apontou pra um prédio no meio do quarteirão. - Se você quiser, posso emprestar uma blusa pra ir pro lugar que estava indo, seja lá onde for. -O desespero dela era notável.
Eu só to indo pro meu trabalho, não tem problema algum. Na verdade o único problema é que atrasada. Me desculpa, posso te pagar outro café, se quiser. - Sorri olhando pro seu copo.
Não se preocupa não, isso é o de menos. - Ela sorriu de forma doce.
Preciso ir, mais uma vez, me desculpa! - Falei, já saindo em direção ao meu estúdio.
A mancha na minha blusa acabou secando rápido, mas ela ainda estava aqui. Passeio dia todo gravando com a Carol e mudando algumas coisas na música, mas meu pensamento estava em quem esbarrei hoje. Se fosse qualquer outra pessoa teria me xingado e ainda me feito pagar outro café e quem sabe até outro celular. Eu possivelmente teria tirado a blusa e feito a pessoa lavar. Mas ela foi tao simpática que eu realmente pagaria outro café. Outro celular, já é outra conversa. E fui mal educada um ponto de não ter perguntado nem o seu nome.
Desliguei os microfones, o computador, a câmera e tudo mais, juntei minhas coisas em cima da minha mesa, chamei a Carol para ir embora e tranquei o estúdio. Entrei no elevador, me olhei no espelho e acabei rindo sozinha da minha blusa totalmente coberta por café. Engraçado que, em vários anos fazendo o mesmo caminho, nunca tenha havido acontecido de esbarrar em alguém tão forte um ponto de derrubar algo. Pelo menos dei sorte de ter sido com alguém que não quis cortar meu pescoço.
Sai do prédio e parei na esquina onde ocorreu nosso pequeno incidente e olhei pro prédio onde ela tinha dito que mora. Fiquei imaginando se ela mora sozinha ou com o namorado, talvez marido e quem sabe, até um filho. Atravessei a rua e parei na outra esquina quando a vi descendo uma pequena escada que saia da porta e levava até uma calçada e ela não estava sozinha, tinha uma criança com ela. Uma menina, pra ser mais exata, do tamanho de alguém de uns cinco anos ... As duas caminhavam pela calçada de mãos dadas na direção oposta à minha.
Ela parece ter vinte e poucos anos, até que nova pra ter uma filha daquele tamanho. Se é que realmente era filha dela.
Andei até minha casa decidida a não querer saber mais da vida das pessoas com quem eu esbarro pelas ruas dessa cidade cinza.
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Hey you!
Como essa fic é adaptada, tem algumas coisas que eu tentei deixar o mais real possível.
Se tiver algum erro me avisem, posso ter adaptado errado. :)
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1000 Hands.
FanfictionDay, cantora, faz o mesmo caminho todos os dias pro trabalho, encontrando sempre as mesmas pessoas e alguns turistas admirados com São Paulo, sem mudanças tão notórias. O que ela não esperava era que um pequeno atraso a apresentaria à Dani, a pessoa...
