— WHAT? — Donna piscou algumas vezes enquanto absorvia o que escutou. — Isso não... Só pode ser um engano. — Ela sacudia a cabeça em negação, sentindo algumas lágrimas começando a aparecer em seus olhos.
— Imagino que seja difícil ouvir isso, mas você precisa se acalmar... — A enfermeira, Annie, disse com gentileza, mas notou que Donna estava ficando cada vez mais inquieta. — Vou pegar um copo de água para você, só um instante.
— Chama a Rachel. — Donna disse assim que Annie levantou. A enfermeira olhou para ela com empatia e assentiu, saindo do consultório.
Donna tentava pensar com clareza, mas não conseguia.
Estudar do outro lado do país... Not anymore.
Seus pais provavelmente a matariam.
E ela teria um bebê... de Harvey.
De seu melhor amigo, Harvey.
— Aqui. — Annie entrou na sala com Rachel logo atrás dela e entregou o copo de água para Donna.
— O que aconteceu? — Rachel sentou ao lado da amiga e a envolveu pelos ombros com um dos braços quando percebeu que ela chorava.
— Aparentemente eu... — Donna travou. Olhou para Annie e depois para o copo em suas mãos, engolindo em seco. — Eu estou... Grávida?
— Oh, my God. — Rachel disse devagar, sem conseguir conter o choque. — What are you? The next Virgin Mary?
— Rachel! — Donna repreendeu. — Não é hora pra isso!
— Me desculpa, Donna, é que... Você nunca... — Rachel parou e analisou o rosto assustado da amiga. — Com quem? Mark?
— It doesn't matter. — Donna sacudiu a cabeça, limpando algumas lágrimas inutilmente e se virou para Annie. — It must be a mistake.
— Infelizmente não, querida. O exame de sangue é muito preciso. — Annie franziu a testa. — Não quero me intrometer, mas não pude deixar de ouvir. Foi a primeira de vocês?
— A minha sim. — Donna assentiu e Rachel limpou uma lágrima que escorreu do rosto da amiga. — Mas não foi a dele, ele sabia o que estávamos fazendo e nós nos protegemos.
— Nenhum método contraceptivo é totalmente eficaz e isso acontece com mais frequência do que você pode imaginar. Look, Donna... — A enfermeira abaixou para olhar para a jovem à sua frente e segurou sua mão. — Eu passei por isso também, tive meu filho com apenas 17 anos e sei o quanto é difícil ser tão nova e estar nessa situação, ainda mais se você não tiver apoio. Então quero que saiba que você não está sozinha.
— Não mesmo. — Rachel deu um pequeno sorriso para ela e Donna assentiu.
Annie deu seu cartão para que Donna a ligasse caso precisasse de alguma coisa. Assim que saíram da enfermaria, Donna notou que Mark não estava lá. Rachel disse que depois de muita insistência finalmente conseguiu convencê-lo a ir para casa, em troca da promessa de que ela faria a ruiva ligar para ele com notícias o mais rápido possível.
•••
Mike, sem fazer uma pergunta, foi com Rachel deixar Donna em casa. Como eram vizinhas, Rachel resolveu passar a noite com a amiga e disse que iria pegar algumas coisas no seu quarto e que voltaria logo.
Donna se deparou com o envelope da Boston University em cima de uma mesinha na sala assim que abriu a porta. Na mesma hora pegou o papel e foi correndo para seu quarto. O colocou em cima da cama de frente para si, sem coragem de abrir e começou a refletir sobre tudo o que aquela gravidez lhe traria enquanto encarava o envelope. A única certeza que tinha é que estava completamente perdida e despreparada para ser mãe.
