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Me levanto com dificuldade e caminho em direção a ele. O mesmo sorri e não tenho certeza se ele é um psicopata ou apenas uma pessoa que adora agir ironicamente.
Juan caminha na frente passando por um corredor estreito, olho para trás, David nos seguia.
Havia varias portas de ferro, parecem ser "quartos'' igual o que eu estava. Seria aqui um local em que ele mantem pessoas reféns?

Subimos uma escada e então sinto o ar fresco, estamos em uma casa comum, aquele devia ser o porão.

-Você estava acordada a muito tempo?

Juan abre uma porta e vejo um grande escritório chic, iluminado pela luz natural do sol que brilhava alegremente lá fora enquanto eu me sentia em uma prisão aqui dentro.

-Não a muito tempo.-Respondo.

Sento-me em uma cadeira muito confortável. Juan senta em minha frente em uma poltrona que parecia ser melhor ainda.

-Fico feliz pela sua visita, Abby.

Ele diz e eu penso seriamente em mandar ele a merda, mas vamos entrar no jogo dele. Quero entender sua cabeça, assim será mais fácil de planejar uma fuga.

-Imagina, sr. Juan. É sempre uma honra.

Ele me olha como se tivesse gostado de minha atitude, aliás, a primeira impressão é a que fica.

-Sempre tão educada e belíssima, se me permite dizer.
-Oh, não. Não estou vestida a caráter de uma reunião tão importante quanto essa, peço desculpas por isso.
-Que isso, senhorita Abby.

Ele retira seu terno e afrouxa sua gravata.

-Pronto, espero que se sinta melhor agora.
-Com certeza. Muito obrigada.

Ele olha para todas as pessoas no local, tinham dois guardas na porta (que mais pareciam guarda roupa de tão grande), o David, e uma moça que parece ser sua empregada.

-Querida.-Ele chama a atenção da moça- Nos traga um pouco de café, sim?!
-Claro.

Ela se curva como um pedido de licença e sai do local com pressa.

-David, você não é de nenhuma utilidade aqui. Retire-se!
-Eu posso te ajudar nisso, pai.
-SAIA.- Ele grita e me olha sem graça.- Desculpe-me por favor.
-Sem problema algum. Sabemos que filhos podem ser impertinente, principalmente o seu.

Olho Para David de cima a baixo fazendo Juan rir.

-Estou gostando cada vez mais de você, minha querida.

Ele diz e eu apenas o respondo com um sorriso. David se retira da sala e a aquela moça volta com o café, logo nos serve com delicadeza.

-Bom, vamos direto aos negócios, Abby.
-Sobre o que se trata o assunto?

Pego a xícara de café e penso em tomar um gole, mas isso seria muita burrice de minha parte, então decido fingir que tomei apenas para não fazer "desfeita da sua gentileza".

-Antes de começarmos, queria dizer que sinto muito pela morte da sua mãe. Na verdade não gostava muito dela, mas enfim.-Ele da uma boa golada no café- Estamos aqui hoje para debater sobre a herança que a falecida te deixou.
-Entendo. -Presto atenção no que ele diz e nas coisas em sua mesa, algo pode ser muito útil.
-Você sabe o que quer dizer A429, Abby?
-Me parece um código, mas nunca ouvi falar.
-Entendo. Sim é um código deixado por sua mãe, talvez isso nos leve para o pote de ouro, se é que me entende.
-Hm-Digo pensativa.- Você tem alguma pista além disso?
-Tenho. -Ele me olha sorrindo.- Você!

Um tempo depois.

Estou novamente em minha sela, a conversa com Juan foi longa e cansativa. Ele pensa que eu sei algo sobre esse tal código A429, mas não faço ideia do que seja. Deito no chão gelado e ali acabo dormindo.

[...]

Acordo com o barulho da porta sendo aberta e uma pessoa entra colocando uma bandeja a minha frente. Quando consigo abrir os olhos, vejo David.
Me sento e observo o que tem na bandeja: Pão, bolacha de água e sal e um copo de suco de laranja.
David vira as costas e estava prestes a fechar a porta.

-Como vou comer no escuro?-Pergunto
-Se vira.

Ele bate a porta me deixando naquela escuridão total. Começo a tatear com cuidado a bandeja para que eu possa comer. Tento ser forte, mas meus olhos enchem de lagrima que logo escorrem pelo meu rosto umedecendo aquele pão seco que comia.

[...]

Não tenho ideia de horário ou data aqui em baixo, mas estou tão exausta que parece que estou aqui por anos.

[...]

Já faz um tempo que eu não como e bebo nada. Minha barriga gritava por comida enquanto eu apenas grito por liberdade.

[...]

David me trouxe um pouco de comida, e pelo seu olhar pude perceber meu estado físico, eu estou acabada.

[...]

Não acho que Tyler venha me salvar, ou ele realmente esta morto ou apenas desistiu de mim. Não sei quanto tempo mais posso aguentar aqui.
Não tenho mais nada a perder, vou fugir agora ou morrerei tentando. Como eu perdi muito peso todo esse tempo, a corrente que prendia minha perna esta mais frouxa. Começo a forçar mas mesmo assim não é o suficiente. Respiro fundo e junto toda raiva que tenho dentro de mim nesse momento e a sede de liberdade e puxo a minha perna o mais forte que consigo.
Finalmente, primeiro passo para a liberdade eu consegui, mas para tudo na vida tem um preço, sinto arder muito meu tornozelo e quando passo a mão esta molhado... Sangue, devo ter me machucado.
Tiro a blusa que Tyler me deu e arranco a manga amarrando aonde esta machucado.
Agora só esperar David entrar de novo e ir para o segundo passo para a liberdade.

A429 [Concluído]Onde histórias criam vida. Descubra agora