Os meus olhos, ainda a beliscar vezes múltiplas, não queriam acreditar que James Parker estava, de facto, perante mim. O seu sorriso expandiu-se assim que os nossos olhos se encontraram. As íris dele estavam dilatadas na sua totalidade. Não pude ver nelas qualquer tipo de remorso pelos acontecimentos de alguns meses atrás. Isso deixava-me furiosa. Após James me ter abandonado da forma como ele me abandonou, a minha recuperação foi lenta e dolorosa. Apesar de sempre negar os sinais de depressão que o meu corpo mostrava, eu sabia no fundo que estava prestes a cair num buraco negro. Mas o que mais me incomodava não era o facto de ele ter-me usado e descartado. Era o facto de que eu deixei isso acontecer. Por muito que eu quisesse culpar James, eu não conseguia. A culpa era minha. Inteiramente minha. O que me fazia frustrada comigo mesma. E essa frustração rapidamente se transformou em lágrimas. Lágrimas estas que se deixaram cair sobre o meu rosto. A minha compostura estava agora descuidada e o meu profissionalismo desvanecera. Por momentos esqueci-me que a sala estava lotada de raparigas com as hormonas no seu nível máximo. Esqueci-me da sessão fotográfica. Esqueci-me de Ryan, Charlotte, Clara... deixei o meu coração tomar posse do meu corpo. Este transferiu todos os sentimentos que batalhavam na minha mente para a palma da minha mão. E esta fez questão de demonstrar toda a dor que eu senti a James, assim que a embati no seu rosto. A sala ficou silenciosa repentinamente. Os olhares estavam sobre mim. Todos eles se demonstravam chocados com a minha ação. Todos menos os olhos azuis, agora escuros, de James. Estes transmitiam outra sensação, diferente à que manifestavam anteriormente. Talvez culpa? Talvez ele precisava de sentir no seu próprio físico o que ele me fez passar no meu psicológico. Os murmúrios já se intensificavam, o que me trouxe de volta à realidade. A voz de Alissa soa com alguma intensidade. Contudo, não consigo decifrar o que ela me proferia. Os olhos de James continuavam estáticos na minha direção. As minhas pernas tomam o rumo em direção à saída do espaço onde nos localizávamos enquanto as minhas lágrimas continuam derramando pelo meu rosto. Eu sabia que James me seguia, eu conseguia ouvir os seus passos e chamamentos. Essas foram duas das razões pelas quais eu apressei o meu passo. Eu queria estar sozinha, colocar os meus pensamentos no devido lugar. O telhado do hotel parecia-me o melhor local para tal tarefa. E foi para aí que as minhas pernas me levaram. Mal coloquei os meus pés no telhado, pude contemplar os meus olhos com a maravilhosa paisagem da cidade de Londres. Todas as casas e edifícios ao redor do hotel, todos os campos verdes e terreno, o Big Ben, a Roda Gigante, o rio... A altura do hotel permitia que toda essa gloriosa paisagem da cidade de Londres fosse apreciada pelo meu campo de visão. E por momentos esqueci-me dos conflitos previamente vividos. Apenas eu e aquela vista interessava. E apesar de pensar que teria tempo de lidar com as consequências dos meus atos mais tarde, a clarificação de garganta que ressoou por trás das minhas costas não me permitiu. Eu não me dei ao trabalho de virar para encarar a pessoa. Eu sabia exatamente quem era. James, James Parker. O seu cheiro era evidente. As minhas narinas não conseguiam esquecer o perfume 212 de Carolina Herrera que ele usava. Elas inalavam cada partícula de ar que delas se aproximava com aquele odor. A respiração de James cobria o silêncio entre nós. Ela encontrava-se inconstante e intensa. Os passos dele deram sinal de vida. Ele aproximava-se de mim, eu conseguia sentir. E sem pensar duas vezes, distanciei-me. Eu não conseguia estar perto dele, os meus joelhos ainda tremiam com a sua presença tão próxima. Cruzei os braços, sem nunca retirar os olhos da paisagem.
- Eu vou pedir à minha melhor fotógrafa para me substituir nesta sessão fotográfica. Não se preocupe, estará em boas mãos assim que ela assumir o cargo. - a minha fraqueza era evidente na minha voz. - peço desculpa pelo inconveniente, Mr. Parker.
E com a minha última intervenção, tento alcançar a saída do telhado, não dando a satisfação a James de o olhar. Mas a minha tentativa de escapar é sabotara por James. Ele, agarrando o meu braço direito, obriga-me a olhar para ele. É assim que admiro os seus olhos, pude ver o quão avermelhados estes se encontravam.
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Suites&Ties[EM PAUSA]
RomansaMary Anna é uma rapariga de 19 anos que perdeu o seu pai recentemente e foi abandonada pela mãe alguns anos atrás. Ficou completamente sozinha a sustentar a casa e a irmã. O que Mary não sabe, é que a sua vida irá mudar drasticamente apenas conhece...
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