-Minha cabeça está doendo muito, e eu não sei como voltar pro meu castelo! -Resmungou Piligrim passando a mão na testa. -Preciso de uma ajuda.
-Estamos todos perdidos aqui... Aquele coelho me jogou dentro de um buraco e queria me forçar a matar um tal de Príncipe Vermelho... Não sei como chegar na minha casa... Meus pais devem estar preocupados! -Alício caminhava de um lado para o outro com a mão no queixo.
-Eu moro aqui perto! Podemos ir para a minha casa! Só... Bom, só não sei como chegar até ela! Nunca entrei neste lugar antes! A propósito... Por que é que vocês saíram de suas casas? -Perguntou Robert olhando em volta e aguçando os ouvidos para poder ouvir melhor.
-Minha mãe mandou o caçador do nosso castelo me trazer até essa floresta enorme e me matar! Eu não sei o motivo... Enfim, só sei que ele teve piedade... Me deixando jogado... Sem contar que fui sequestrado por uns sete anões e... Estou aqui agora, falando da minha vida para dois estranhos malucos... O que foi? Não me olhem assim... Vocês sabem que eu não estou acreditando nesse lance de Fera e de coelho falante!
-Ok! Acredite se quiser! -Disse Robert sério.
-É verdade! Eu vi aquela coisa sobre ele! Parecia que queria matá-lo... Bom... Meu Pai queria me obrigar a me casar com a filha do coronel! Eles dois estão armando casamentos... Isso não se faz! Eu sai de casa furioso e então, encontrei aquele coelho dos infernos! -Alício estava calmo.
-Não temos pra onde ir! Nem mesmo se tentássemos encontraríamos a minha casa! É bem capaz de nos perdermos ainda mais.
Os rapazes estavam ainda parados. Naquele meio tempo a luz da rosa já havia partido e os rugidos da Fera também. O silêncio tomava conta da mata densa e escura.
-Aquele buraco que você saiu... Leva para algum lugar? -Perguntou Robert para Alício.
-Ah... Se pegarmos o caminho certo... E se o coelho nos ajudar... Acho que na minha casa! -Respondeu.
-Hã? Que você está querendo dizer com isso? Olha... Eu não vou entrar em buraco nenhum! Vocês dois são loucos. Coelho que fala... Fera que quer matar por uma rosa? Só por Deus! -Resmungou Piligrim cruzando os braços e se encostando numa árvore.
O silêncio voltou a falar naquele lugar sombrio entre os garotos. Lentamente e calado, Robert começou a andar em direção às rosas. Ele iria refazer o caminho por onde viera e acharia a estrada que levaria a sua pequena casa.
Piligrim apressou os passos e passou por ele como uma bala. Seu rosto continha uma expressão de medo e raiva.
Alício ficou parado onde estava. Não iria seguir nenhum dos dois. Encarou o arbusto a seu lado e o viu se mexer. Havia alguma coisa ali, respirando e cochichando algo.
Ele deu dois pulinhos para trás e observou rapidamente Robert ao longe, e Piligrim mais distante ainda. Por um momento, aquilo pareceu ser coisa de sua cabeça, mas de repente.
-ATCHIN! -Espirrou o anão saindo de trás do arbusto.
-Tinha que ser você pra estragar tudo! -Berrou Zangado também aparecendo.
-AAAAAAAAAAAH
Alício saíra correndo em direção à Robert gritando. Quando chegou perto, jogou-se em suas costas e começou falar desesperadamente. Aquela era a primeira vez que ele vira pessoas com aquele tamanho. Era novidade, mas ao mesmo tempo, bizarro.
-Eu vi... Ai meu Deus... Homens... Pequenos... Super pequenos!! -Disse tentando pegar fôlego se encostando na árvore.
-Homens pequenos? -Perguntou Robert franzindo as sobrancelhas. -EI VOCÊ!! -Gritou para Piligrim -Não são os seus Anões?
Piligrim mirou-o bruscamente e começou a correr. Os anões se aproximavam com uma rapidez extraordinária. Tinham em mãos facas e machados minúsculos. Robert e Alício também começaram a correr para poder alcançar o mais tolo dos três, que estava a uns cinco metros de distância.
De sete, os anões pareceram se multiplicar. Haviam aquelas minuaturas por toda parte. Eles Gritavam e pareciam querer que os rapazes saíssem dali.
Uma vez que estavam juntos, Robert avistou aquelas belíssimas rosas no chão, elas brilhavam, e ao lado delas, o pequeno coelho de terno sentado se lamentando. Sua testa tornou a se franzir e do nada se lembrou.
-PAREM! O BURACO! -Gritou.
Mas era tarde de mais. Os três se encontravam caindo num lugar sem fim, e muito menos maravilhoso, como se diz na verdadeira história.
Assim que tocaram o solo, Robert sentiu a perna formigar. Aquela sensação sempre vinha quando algo de ruim tivesse pra acontecer, e então, ao abrir os olhos, se deparou com um jovem alto, vestido por um terno vermelho sentado em um trono. E um grito foi o suficiente para explicar o motivo da formigação.
-CORTEM AS CABEÇAS!
~°~
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CONTO, A HISTÓRIA JAMAIS CONTADA ~ROMANCE GAY~
Kort verhaal"Conto, a história jamais contada" nada mais que algo mágico, totalmente inesperado e viciante. As entrelinhas excedem expectativas, e a cada capítulo, algo novo é descoberto e revelado. Não julgue um livro pela capa... O conteúdo, muitas vezes, p...