Depois de um tempo e vendo que não adiantava pressa o grupo finalmente relaxou e passou a aproveitar o banquete que as fadas lhe ofereciam.
Ádino comentava cada doce feito de sementes e experimentava como um perito, elogiando e perguntando como eram feitos os quitutes feitos de raízes doces.
Respostas vinham de todos os lados. Fadas solícitas tentavam explicar falando nomes de plantas que Lúcia tinha certeza que nenhum deles jamais tinha ouvido. Ádino, apesar de mostrar sua confusão com os nomes, não se desencorajava a mostrar o quanto estava apreciando cada sabor e o quanto reconhecia os esforços do povo de Venília.
Jahil por outro lado comia sem dar tempo de sentir qualquer sabor. Mastigava olhando distraído para as asas que batiam rapidamente em volta do grande Ogro.
Os outros comiam em silêncio, sorrindo e agradecendo quando uma fada lhes trazia algo, porém não conseguiam se enturmar como Ádino ou abstrair das preocupações usando a comida igual Jahil.
Quando novamente a imperatriz das fadas apareceu a ansiedade voltou e todos aguardaram expectantes o que ela ia dizer, mas quando ao invés de palavras ela beijou a testa de cada um a reação deles a esse gesto foi variada.
Ádino ganhou um tom rosado, Jahil ficou vermelho feito um tomate. Linade fechou os olhos respeitosamente quando a imperatriz das fadas lhe beijou a testa. Balmac piscou várias vezes em verdadeira confusão. Luthiron e Jiron fizeram uma vênia como se fossem os únicos que soubessem como se portar diante da pequena imperatriz e Lúcia tentou imitar o gesto deles assentindo de maneira respeitosa, recebendo o beijo como se fosse uma benção.
Dessa vez quando a imperatriz falou, seu tom era de despedida.
— Um dia, quando tudo voltar como era antes e a paz em Heleno for restaurada, nós, as fadas guardiãs gostaríamos imensamente de recebê-los com todas as honrarias que merecem.
O murmúrio desconfortável que se seguiu de todos fez a pequena imperatriz sorrir. Jahil que era um dos mais inflamados quando estavam caverna agora falava com doçura e parecia envergonhado.
— Não estamos atrás de honrarias minha linda senhorinha, estamos atrás de liberdade para nossos amigos.
Lúcia sorriu com a maneira simples e verdadeira dele, Jahil era rabugento e não perdia uma oportunidade de se juntar a Balmac para reclamar de qualquer coisa, mas ela sabia que ele estava ali por seus amigos, o povo dele tinha sido o primeiro a ser liberto e mesmo assim quando chegou a hora de partir ele não abandonou o grupo, e agora Lúcia estava feliz por que Caluto ia fazer o mesmo, ela era petulante, mas era importante para eles.
Piscou um pouco confusa ao se dar conta de que agora que Caluto estava liberta ela não sabia nada sobre os poderes daquela fada, e pelo porte delicado talvez não fosse como antes.
Luthiron analisava as feições de Lúcia que mudavam constantemente e riu, ela era tão transparente que mesmo sem dizer nada deixava claro o que pensava, tanto que Caluto a olhou de canto e empinou o nariz, porém a discussão não começaria já que a imperatriz estava ali e todos deviam respeito a ela.
A imperatriz fez um gesto e as fadas entregaram a eles vários sacos.
— Não é carne. Porém é alimento das fadas que ajudará a repor suas energias até uma parte do caminho. Espero que lhes seja útil. Os Zargons que estão aguardando vocês já que não quiseram se juntar a festa, estavam sendo alimentados com isso, mas acredito que já enjoaram do gosto, notamos que eles estão um tanto raivosos. — A fadinha riu. — Mas a líder foi compreensiva e está acalmando os ânimos.
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Crônicas Helenísticas. Alvarin
FantasiDesde que partiu da cabana Lúcia sofreu todo tipo de provação, dor e angústia. Mas libertar Luthiron não será como imaginou, aliás ela não imaginava que quando fez aquela promessa de que não importa o que acontecesse, daria tudo de si para libertar...