Capítulo 14 - Coincidência do destino

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Entretanto, com Matilde:

Matilde: Como me vou esquecer dele se nem consigo servir uma refeição sem acabar tão perto dele?

Maria: Pensei que já te tinha dito que não quero saber.

Depois de dizer isto, Maria vai-se embora.

Daniela: Ela nunca muda, eu já desisti de tentar.

Matilde: Ela foi sempre assim?

Daniela: Só cheguei cá à um mês, mas sim, acho que sempre foi assim.

Matilde: Mas não sabes o porquê?

Daniela: Não, mas já me contaram uma história, não sei se é verdade, mas se é, explicaria tudo.

Matilde: Conta.

Daniela: Contaram-me que ela só gostava de uma pessoa, o seu irmão mais velho António. Quando ela tinha 5 anos, estava a passear com ele, quando um carro veio, e tu sabes... a partir daí ela jurou nunca mais gostar de ninguém, pois havia perdido a única pessoa de quem gostara e de alguma maneira sentia-se culpada.

Matilde: Uaau, não consigo imaginar o que ela terá sentido.

Aparece Maria.

Maria: Então nem tentes imaginar. Contaram-te mal a história, ele não era o mais velho, era eu. Eu perdi-o porque não soube cuidar dele, não sei cuidar ninguém de quem gosto.

Matilde: Como podes ter a certeza disso? Não te deste com mais ninguém.

Maria: Aí é que tu te enganas. Dois anos depois, nasceu o Gabriel e aconteceu exatamente o mesmo, eu não sirvo para gostar de ninguém. Agora que já sabem tudo, podem deixar-me em paz, prefiro que fales do teu namorado do que de mim.

Maria vai-se embora outra vez.

Matilde: Nunca imaginei, mas ela tem de perceber que não pode viver no passado, aquilo foi só uma coincidência do destino.

Daniela: Tu gostas muito do destino, não gostas?

Matilde: Sim, gosto. Sempre achei que estamos cá por algum motivo e que todos estamos destinados a alguém e a alguma coisa.

Daniela: Tipo tu e o Christopher?

Matilde: Ou tu e o Erick.

Ambas riem.

Os opostos atraem-se? (Christopher Vélez)Histórias para pegar e não largar. Descubra agora