Amantes

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O próximo capítulo contém cena inapropriada para menores de dezoito anos.

— Me vê uma dose, fazendo favor! — pedi para o bartender que estava no balcão.

Eu não bebia, ou pelo menos, não bebia mais. A última vez que eu bebi foi desastrosa, eu estava me sentindo péssima porque havia flagrado meu pai chorando e tinha certeza de que a culpa era minha, então fui para uma festa e enchi a cara. Decidi que aquele dia seria o último e acabei no hospital por intoxicação e quando meu pai chegou eu menti que achei que os remédios eram Mentos, não sei como, mas ele acreditou.

Na minha cabeça ainda martelava o que James tinha me falado. Então resolvi ligar para alguém e ver se encontrava companhia.

Acontece que eu me exaltei e acabei ligando pra Agnes e pro Christian. Agnes já estava aqui, mas estava com a namorada dela, Mirabella. Eu gostava dela, era uma pessoa sincera e carinhosa e parecia que emanava coisa boa. Eu e Mirabela éramos muito amigas no primário. Alessa também estava aqui, era totalmente o oposto da irmã, ela nunca gostou muito de mim. Não era daquelas garotas que chegava gritando e apontando o dedo na cara, mas ela me olhava de uma forma que fazia com que eu sentisse que havia tirado a liberdade dela. Devo confessar que senti um pouco de inveja da aparência dela, não que eu não fosse bonita, todos falavam que eu era... mas minha autoestima era mais baixa que um anão. Não conseguia me acha bonita ou atraente, só me via como alguém inútil.

Olhei ao redor, as pessoas a minha volta pareciam tão felizes. Em uma pequena mesa vermelha mais afastada estavam dois garotos, o jeito que o garoto loiro olhava para o outro... dava para ver como se amavam, o jeito que sorriam um para o outro, era algo encantador.

Na pista, as pessoas dançando também transmitiam uma energia boa e animada, as luzes coloridas refletiam em todos deixando o ambiente muito bonito e animado.

E em um sofá do outro lado da boate, Mirabela estava gargalhando tanto que Agnes teve que beija-lá para que parasse de rir. Fiquei feliz pelas pessoas que estavam felizes, mas por que eu não conseguia ficar feliz por mim mesma?

Fui tirada dos meus devaneios quando escutei a porta abrir, não demorou muito para que eu sentisse um braço envolver minha cintura. Christian depositou um beijo no topo da minha cabeça e sentou-se na banqueta ao meu lado.

— Oi, vem sempre aqui? — me perguntou com um sorrisão no rosto. Esse sorriso só deixou ele mais lindo ainda. Nós éramos um casal que chamava atenção, na verdade, ele chamava atenção. De modo que quando saíamos na rua era difícil alguém não olhar, tanto mulheres como homens.

— Só quando tem shot — foi o suficiente pra desmanchar o sorriso dele, eu ri. — Tô brincando, vem cá.

Puxei ele pelo colarinho e dei um abraço apertado nele.

— Tá tudo bem? Você nunca me chama para sair...— ele arqueou as sobrancelhas e me olhou de maneira investigativa.

— É proibido sentir saudade agora? — levei a dose que havia chegado à minha boca.

Eu não havia contado o que tinha acontecido para ele ou até mesmo Agnes, não era algo que eu queria compartilhar porque não queria que se preocupassem.

— Claro que não, vem cá — ele me puxou para seu colo e começou a  fazer cafuné em meu pescoço. — Amber?

Me virei de modo que conseguisse olhar para o seu rosto. Coloquei uma das mãos em sua bochecha e fiquei acariciando.

— Sim? — parei de acariciar a bochecha dele, e olhei bem fundo em seus olhos, aqueles azuis me prenderam. Não tinha comparação alguma, não era como o azul do céu e nem como o azul dos mares. Aquele azul era único, era dele.

Ponto de EquilíbrioHistórias para pegar e não largar. Descubra agora