Assim que adentrei em meu quarto, me direcionei para a penteadeira.
Eu estava totalmente descabelada, suor escorria pelas minhas têmporas e eu não estava com um cheiro que me agradasse, mas nunca havia me sentido tão bem, tão completa, uma pena que esse sentimento provavelmente não duraria muito.
Joguei meus cabelos para a frente afim de analisar-os. Ele estava levemente ondulado e me lembrava as várias noites em que fiz pipoca com caramelo e passei horas e horas conversando e rindo com meu pai.
Sacudi a cabeça me lembrando de que tinha coisas à fazer.
Entrei no banheiro já quase totalmente despida, liguei o chuveiro e tirei o restantes das roupas que estavam coladas em meu corpo.
Com a ponta do pé, senti a água e permiti deliciar-me com a sensação. Entrei debaixo do chuveiro aos poucos, sentindo a refrescância de cada gota descendo pelo meu corpo.
Com um pouco de sabonete, esfreguei os inúmeros cortes que percorriam meus braços, fazendo a maioria deles sangrar novamente.
Fechei os olhos e posicionei a cabeça embaixo da água que caía rapidamente, sentindo como se estivesse me esvaindo.
I want to break free.
A água escorria em um tom escarlate agora.
I want to break free.
Esfreguei meus cabelos até encher ambas as mãos com espuma.
You're so self satisfied I don't need you.
Eu precisava resolver as coisas, tudo estava uma tremenda bagunça. Precisava me resolver com meu pai, conversar com ele como sempre fizemos.
I've got to break free.
Minhas lágrimas escorriam junto com a água escarlate, eu estava cansada, tão cansada.
God knows, God knows I want to break free.
Estava cansada de chorar, cansada de me sentir bagunçada. Cansada de não saber o meu lugar.
Não havia parado para analisar o que tinha acontecido até então, estava com medo. Estava adiando uma crise.
— I don't want to live alone — acompanhei a melodia que estava em minha cabeça, desligando o chuveiro.
Manchei a toalha branca e macia de vermelho e me veio à mente de que alguém estava recolhendo as roupas sujas que eu deixava pelos cantos, fiz uma anotação mental de conversar com Agnes depois e perguntar o que eles faziam com as roupas sujas.
Escovei meu cabelo e agradeci por não ter vestígios em meu rosto de que eu havia chorado, meu nariz e meus olhos geralmente ficavam inchados e eu não parava de soluçar quando chorava, mesmo depois de já ter esgotado toda a represa dentro de mim, mas dessa vez eu estava normal, sem vestígio algum.
Coloquei uma camisola de seda que havia sido deixada para mim na noite passada e me apressei na procura por Will, não só para dar um jeito nos meus machucados externos, mas para ver se alguns dos internos cicatrizariam.
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Ponto de Equilíbrio
FantasyAmber não sabe que rumo tomar em sua vida... não que isso fosse novidade, ela já havia perdido seu rumo há muito tempo. Ela achava que seus maiores problemas eram um pai triste por falta de amor, uma amiga superprotetora, um namorado o qual ela não...
