Não confie

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Cheguei na frente do condomínio e o procurei com os olhos, não o encontrei. Eu sabia que ele não viria, ele não sabe onde moro.

- Psiu. - Fez-me olhar na direção de um carro, que estava estacionado na outra calçada. - Achou que eu não viria, né? - Saiu de trás do carro rindo.

- Achei que você não iria descobrir onde moro. - Falei sem sair do lugar, ainda desacreditada.

- Não foi difícil. - Sorriu aproximando-se de mim.

Confesso que senti um pouco de medo, quis voltar para casa. Mas quando ele pegou a minha mão e beijou meus dedos, me senti encorajada a curtir o momento.

- Onde vamos? - Perguntei curiosa.

- Surpresa. - Abriu a porta do carro para mim.

Entrei no carro, ele fechou a porta e entrou em seguida. Ao dar partida no veículo, ele ligou o rádio, tocava Spice Girls.

- If you want my future forget my past. - Cantei baixo, quase sussurrando, já que amo Wannabe.

- Você gosta dessa música ? - Perguntou me fazendo morrer de vergonha.

Eu podia jurar que cantei baixinho, não dava pra ele escutar. Ou dava?

- Gosto. - Sorri envergonhada.

- Essa parte é a melhor. - Aumentou o volume do rádio. - If you wanna be my lover, you gotta get with my friends.

Eu mal acreditei quando vi aquele brutamontes cantando minha música preferida. Não deu outra, cantamos a música inteira juntos.

Chegamos em um ponto da cidade que eu não conhecia. Ele estacionou o carro, foi até uma pizzaria e pegou uma pizza e um litro de refrigerante. Ao voltar, me levou até um prédio, deu o nome na portaria, pegou uma chave e seguimos para o elevador.

- Preparada? - Perguntou após sairmos do elevador e pararmos diante de uma porta de aço.

- Sim! - Respondi curiosa.

Ele destrancou a porta e revelou uma vista de tirar o fôlego. Estávamos no terraço do prédio. Eu caminhei por todo espaço disponível, dando um giro de 360° apreciando aquele lugar incrível.

- Incrível, né? - Parou ao meu lado.

- Isso é demais. - Falei sem tirar os olhos das várias casas iluminadas por postes que emitiam luz alaranjada.

- Eu nasci aqui. - Direcionou-se à uma mesa e pôs a pizza e o refrigerante.

Sentei-me à sua frente. Ele começou a me servir.

- Só refrigerante, por favor. - Avisei-o antes dele pôr a pizza no meu prato.

- Não gosta de pizza de calabresa? - Serviu-se.

- Eu sou vegana. - Respondi dando um gole no meu refrigerante.

- Tá me xingando? - Fez cara de confuso e riu em seguida.

- Não. - Ri. - Eu não como alimentos de origem animal.

- Que vida triste. - Colocou a mão no peito e fez cara de dor.

Glock: Perigo A VistaHistórias para pegar e não largar. Descubra agora