四十一

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   — Acho que eu estou apaixonado — Changbin fala, boquiaberto enquanto observa os corredores do galpão aonde a exposição de arte acontecia. — Como você achou esse lugar?

    Estavam nos subúrbios de Seul, um local não muito conhecido com música ao vivo, comida barata e o galpão enorme todo pichado pelo lado de fora, mas organizado e cheio de estandes do lado de dentro. Cada um desses estandes era guardado por um pintor diferente, que distribuíam cartões com seus contatos e redes sociais.

   — BangChan tem um amigo que está com um estande aqui — disse, dando de ombros. — Eles vêm bastante n'O Galpão, meio que pra ter paz diante das outras pessoas.

   — BangChan e seus contatinhos — disse, negando com a cabeça e sorrindo. — Quem é o artista?

   — Park MoonBin. Ele têm sido cada vez mais reconhecido nos últimos anos principalmente por causa da sua esquizofrenia.

   — MoonBin...? — declara, coçando a cabeça. — Eu acho que eu já ouvi falar dele.

   — Bem, ouvindo ou não, ele está logo ali.

   A cabeça de Yongbok apontou para um garoto de cabelos platinados, regata e calças jeans pretas rasgadas. Ele também usava all stars verdes rabiscados e tinha os braços cheios de cicatrizes de cortes, mas não parecia se abalar. Changbin quase ficara boquiaberto, se arrepiou apenas de sentir a aura de positividade que vinha do mais velho.

   — Felix, quanto tempo! — exclamou, sorridente, puxando o australiano e o abraçando pelo ombro. — Já estava com saudades do irmãozinho mais novo do Jinwoo.

   — Também senti saudades, hyung — declara, se afastando para olhá-lo melhor. — Aonde está o Dongmin hyung?

   — Saiu pra comprar algo pra comer.

   — Sozinho?!? — pergunta com os olhos arregalados. O platinado ri e nega com a cabeça.

   — Não, Minhyuk foi com ele.

   O estudante de artes estava perdido naquela conversa. Felix tinha um irmão mais velho? Como ele conhecia Moonbin? Por que conversavam como se houvesse eras desde seu último encontro? Por que os inúmeros cortes nos pulsos do mais alto ali pareciam quase passar despercebidos?

   — Binnie, tudo bem? — o mais novo perguntou, entrando no campo de visão do baixinho.

   Binnie, ah, desse jeito o mataria de amor.

   — Tudo sim, Lix. Eu só estava pensando.

   — Oh, esse é seu namoradinho? — Moon perguntou, recebendo dois pares de bochechas coradas como resposta.

   Nenhum deles sabia como responder à pergunta. Felix sabia que tinha que negar, mas também não queria parecer grosso. Queria mostrar que sabia sim que Changbin era seu namorado virtual, mas não podia explicitar totalmente. Já o mais velho, por Deus, estava super afim de enlaçar seus dedos nos do maior e dizer que sim, mas não queria ser óbvio.

   — Hum, estão enrolados? Entendi — disse brincando.

   Felix percebeu então que talvez tivesse sido um erro trazer Changbin ali, porque Moonbin não tinha um Q.I. altíssimo à custo de nada, sem dizer que seguia ambos os garotos em suas contas do Instagram. Era questão de segundos até perceber.

   — Não, mas eles formam um casal fofo — diz, olhando para outro lado. — Agr cala a boca.

   — O que tá acontecendo? — Changbin pergunta baixinho, um pouco assustado pela mudança de personalidade do maior.

   — É a esquizofrenia — Lix da de ombros, como se ja estivesse acostumado. — Mas o Dongminsshi já já aparece pra socorrê-lo.

O garoto continuou conversando um pouco com si mesmo, mas logo voltou a olhar os próprios quadros, quase que como se esquecesse da presença dos mais novos. Felix continuou olhando as telas de acrílica e aquarela como se fosse tudo extremamente normal, e de fato era normal para si, mas não para o hyung curioso ao seu lado.

— Então... eu não sabia que você tinha um irmão mais velho — puxou o assunto, também observando as telas.

Elas eram todas um pouco psicodélicas, com muito movimento e alguns contrastes de traços, como se realmente mais de uma pessoa tivesse pintado-as. Quase se arrepiava com cada respingo de tinta ali.

— Eu não tenho, só duas irmãs — respondeu, fazendo o baixinho encarar com confusão. — Bem, quando eu tinha 16 anos, eu decidi fazer um intercâmbio pelo sistema rotário, já que meus pais são rotarianos e tudo o mais.

— Calma, vai devagar que eu não sei o que é isso — riu, com um olhar um pouco desesperado.

— Bem, Rotary é uma instituição sem fins lucrativos que tem como principal "meta" atingir a paz mundial. Eu acho os projetos deles muito nobres, então sempre pesquisei bastante, mas eu não faço parte da instituição. De qualquer jeito, quando você faz um programa desses, você tem torno de tres família diferentes na sua estadia. No meu caso, a família com a qual eu mais me engajei foi a do Seungmin – o Woojin estava em intercâmbio na época. Depois deles, eu tive mais duas famílias, a do Jinwoo, que também é amigo do BangChan e do Moonbin, e uma terceira que você não conhece. Eu ainda mantenho contato com todos eles, por isso conheço um monte de coisa e um monte de gente aqui.

— Ooh, que complexo...

— Pois é — ele riu, dando de ombros. — Mas então, o que achou dos quadros?

— Lindos — nem pensa para responder. — Bem que eu imaginava que já o conhecia, tem um quadro dele no escritório do meu antigo psiquiatra.

— Sério? Que mundo pequeno! — ri, mas depois se toca do que estavam falando. — Como assim psiquiatra?

O mais velho deu de ombros.

— Sabe como é, ansiedade, insegurança, depressão...

— Eu não sabia que você já tinha tido tudo isso — mentiu, mas não totalmente.

Sabia sim que o mais velho tinha ansiedade e que já teve insegurança, mas não achava que a depressão também atacaria, e que fosse tudo tão grave ao ponto de precisar de um psiquiatra.

— Bem, eu ainda tenho, mas bem menos — conclui, desviando o olhar dos desenhos para observar as sardas fofas do mais novo. — Eu aprendi a me controlar com o tempo, e a controlar minhas feições perto dos outros, por isso mesmo que eu esteja devastado, ninguém vai saber.

— Ya! — o mais novo se irritou, segurando no pulso do coreano. — Você não pode fazer isso! — brigou, segurando o rosto pequenino entre suas mãos. — Se você ficar guardando tudo o tempo todo, você vai acabar explodindo!

O menor riu novamente, segurando nas mãos do australiano e entrelaçando seus dedos. — Calma, Lix — declara, passando a mão nos cabelos de pontas avermelhadas. — Eu estou bem, lido com isso há muito tempo.

— Não quero que você lide com isso sozinho...

   Changbin olhou nos olhos de Felix, eram ônix observando hazel e um universo de sardas. Céus, queria tanto lhe beijar agora, mas sabia que deixaria o mais alto numa situação complicada.

   — Eu juro que se algo acontecer, eu vou te contar, okay?

   Felix também queria beija-lo. Mas também tinha certeza que se o fizesse não teria como se explicar depois. Merda, por que essa coisa tão simples tinha que ser tão complicada?

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Oi gentem
Queria só avisar vocês que esses personagens (Moonbin, Dongmin, etc), pra quem não sabem, é o boygroup Astro.
Eles também são um dos meus grupos favoritos e eu tenho uma fanfic deles no spirit que eu já não atualizo há mais de um ano kjj
Ainda assim sou apaixonada por esse universo e não pude deixar de colocar algumas referências aq <3

Se quiserem ler a fanfic, ela se chama The Little Prince e está disponível somente no spirit :/
Beijos, amo vcssss <3

@darkkingOnde histórias criam vida. Descubra agora