— Changbin, por que está tão longe? — Hyunki perguntou. Ambos estavam na sala há quase quinze minutos, cada um parecendo uma eternidade na cabeça do menor. O mais velho ali mexia no celular, às vezes subindo o olhar para o mais novo, como fazia agora. — Eu só vou te machucar se você merecer, vem aqui.
O de cabelos pretos se arrepiou por inteiro, se levantou do lugar que estava e pensou em uma desculpa pra dar, algo para falar...
— Eu apenas estava pensando que... você deve estar com fome! Nossa, sim, já viu a hora? Já passaram das cinco e meia, olha só, olha só... o que quer comer? Uma pipoquinha? Sanduíche?
O mais velho olhou. — Qualquer coisa está bom, só volta logo, okay? — pediu, com seu olhar fofo que fez Changbin se arrepiar. Como o dono de olhos tão brilhantes conseguia ter-lhe feito tanto mal uns anos atrás? Perguntava-se o porquê de ele estar em sua casa, sob seu teto, o que planejava fazer consigo?
Queria ser mais forte.
Forte o suficiente para negar o que queria negar; para mandá-lo para fora de sua casa e viver sua vida feliz ao lado de Felix que era quem realmente amava.
Foi para a cozinha e já pensou no que faria.
Pensou se deveria fazer algo com leite para que ele passasse mal – já que tinha intolerância à lactose – e não conseguisse fazer nada por estar preso no banheiro. Pensou em colocar óleo de ostra no que quer que cozinhasse para que o maior tivesse uma reação alérgica fortíssima e fosse para o hospital. Pensou até mesmo em levar uma faquinha consigo quando voltasse para a sala, apenas para caso ele tentasse algo, Changbin pudesse meter a faca em sua perna e ganhar tempo.
Mas quem ele queria enganar? Nunca poderia machucar outro ser humano dessa forma – muito menos tendo uma consciência tão ampla de seus atos. Não tinha coragem para matar nem uma aranha, o que dirá esfaquear uma outra pessoa.
Apenas fez um sanduíche para o maior, coou um pouco de café e tentou ganhar um pouco de tempo, mas logo sentiu-se ser abraçado por trás pela cintura e o queixo de seu ex-namorado em sua cabeça. Estava paralisado, não sabia o que fazer ou como agir, o medo tomava conta de cada célula.
— Você pode, por favor, se afastar? — pediu, com a mão meio trêmula enquanto tentava não derrubar a água quente do café para fora da garrafa térmica.
— Changbin, você não olhou na minha cara desde que eu cheguei, e nem sequer me cumprimentou do nosso modo especial. Vamos, vamos, faça aquilo.
— Eu não posso agora — tentou dar a primeira desculpa esfarrapada que veio em sua cabeça. — Me deixe coar o café, quando voltarmos para a sala eu o faço, okay?
— Tá bom — ele murmurou, mordendo forte o pescoço do mais novo que deixou um gemido agoniado sair de sua garganta. — Vou estar esperando.
Mesmo insinuando que esperaria, não saiu dali. Continuou observando os atos do menor, que arregala os olhos a cada beijo que era disferindo em seu pescoço. Se sentia desconfortável, como se estivessem invadindo sua privacidade.
Quando acabou de fazer tudo o que deveria, deixou a comida em cima da bancada e se virou para o ex, que o olhava em expectativa.
Respirou fundo e se ajoelhou no chão da cozinha, próximo aos pés do maior, que se aproximou para segura-lo pelos cabelos da nuca. Um bolo de choro e palavras se juntava na garganta do mais baixo, que simplesmente não se sentia confortável estando aonde estava – na altura do quadril do maior, mordendo o lábio inferior com medo do que ele pudesse fazer.
— Você sentiu minha falta, Changgie? — perguntou, com os olhos quase brilhando de excitação. Changbin queria gritar que não, se afastar e sair correndo, estava quase chorando. — Sentiu ou não?
Não conseguia responder, nada saía de sua garganta. Estava ficando sem ar, se engasgando com seu próprio pavor, agoniado dentro de sua própria mente.
Hyunki o puxou para cima pelos cabelos sem uma resposta decente e o encarou nos olhos. Changbin não queria ver os olhos escuros do mais velho, sentia falta do universo em hazel que habitava as orbes de seu australiano.
— Você está pensando nele, não está? — disse firme, irritado, com as sobrancelhas franzidas e o nariz arrebitado para o lado. O Seo tremeu de medo em sua base, negando com a cabeça varias vezes e desviando o olhar para o chão.
O garoto mais velho soltou os cabelos para poder agarra-lo pelas bochechas, levantando o olhar dele para si e entrando em seu campo de visão.
— Eu não estava, eu juro, eu não fiz nada — murmurou baixinho, em um fio de voz, com os olhos marejados em lágrimas. Hyunki revirou os olhos e o jogou no chão, aonde Chang caiu sentado e batendo as costas nos armários da cozinha. O mais velho chegou perto de si e pisou na mão direita do mais novo.
O medo tomou conta do seu ser. Precisava daquela mão para pintar, para a exposição de artes, para sua escapatória da realidade, para sua terapia.
Começou a chorar com desespero, tentando tirar a mão dali.
— Por favor Hyunki, eu faço o que você quiser mas não quebra minha mão — murmurou, negando com a cabeça.
Isso foi o suficiente para que um sorriso malicioso aparecesse nos lábios do mais velho, que saiu de cima da mão do menor e o pegou pelos cabelos de novo, o puxando até a sala.
O jogou no sofá sem muito pestanejo e se colocou em cima do mesmo, sentando sobre suas pernas para que não conseguisse fugir. Arrancou sua camiseta contra a vontade do menor e usou-a para amarrar seus pulsos e prendê-los atrás de sua cabeça.
O pavor estava ali, presente, palpável. Não queria ser estuprado de novo, dessa vez com consciência, mas realmente não via outro destino para si.
Ao menos não até escutar a campainha tocar.
Hyunki ignorou o som e, como percebeu que Changbin estava prestes a gritar por ajuda, calou-o com um beijo forçado contra o menor. Era agressivo e tenebroso, forçou a língua na garganta do menor para que não conseguisse falar e, quando o baixinho estava quase asfixiado, soltou o beijo, mordendo o lábio inferior do outro para machucá-lo.
A campainha continuava freneticamente e o mais velho se levantou, revirando os olhos novamente e olhando fixamente para o mais novo que recuperava o fôlego com os olhos cheios de lágrimas.
— Se você der um pio enquanto eu atendo aquela porta, eu vou meter tão forte na sua boca que você nunca mais vai conseguir falar, okay?
O menor apenas concordou freneticamente e respirou fundo, soltando o ar com alguns soluços bem baixinhos e fechou os olhos, torcendo que fosse seu australiano do outro lado daquela porta.
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@darkking
Fanfiction@darkking é uma conta extremamente famosa no Instagram: conta com milhares de seguidores, sendo que seu administrador nunca mostrou a cara. Felix Lee é só mais uma pessoa normal que recebeu @darkking em seu feed como "talvez você conheça", e acabou...
