"CASA DE FREDERICO LORENZONI"
— Meu nome é Frederico Lorenzoni, trabalho em um escritório e levo uma vida mansa de solteiro. Todos os dias, eu acordo cedinho e trabalharei. No entanto, minha rotina não é das melhores e mesmo eu, já estou muito mais do que ciente de tamanha realidade. Diz Frederico, em tom de tristeza e melancolia.
Frederico termina o café da manhã, entra no carro, chega ao escritório e entra para trabalhar como sempre.
"ESCRITÓRIO DE CONTABILIDADE VALORES EM ALTA"
— E aí, Frederico? Cadê a gatinha? Pergunta o funcionário (1), sorrindo igual a um imbecil.
— E desde quando minha vida pessoal lhe agrada e
lhe interessa?
— Ora, rapaz! Todos sabemos que você é o maior louco, psicopata e retardado mental! Não namora ninguém, e ainda se acha o maioral por estar solteiro, se acha o magnânimo, isso além de jogar o tempo todo na nossa cara que está melhor assim! Diz o funcionário (2).
Frederico faz uma cara bem mais fechada e não reage a princípio.
"Pessoal doido, maníaco e problemático é outra coisa! Desde quando eles têm algo a ver com o que faço e deixo de fazer?" Pensa Frederico, chateado e irritado.
"CASA DE MARIHÁ BORGES E CARVALHO E DE ANNE BORGES E CARVALHO"
— Sinto muita pena do Frederico... por que os colegas do escritório não o reconhecem?! Não o respeitam e não o valorizam pelo que ele é, realiza e tem?! Comenta Marihá.
— Pois é, amiga! Nós damos a maior força ao cara, e ele, ainda assim, continua se sentindo tão para baixo! Concorda Hairan.
— Mas, enfim, fazer o que, não é mesmo? Diz Anne.
— "ESCRITÓRIO"
"Muitas vezes, penso e sinto que a Marihá, a Hairan e a Anne são as únicas pessoas no mundo inteiro que se importam, se interessam e se preocupam muito e mesmo comigo... depois de meus pais, é claro! Assim é a vida, ontem, hoje e amanhã!" Pensa Frederico, desanimado e frustrado enquanto examina alguns papéis.
"CASA DO CASAL LORENZONI"
— E a fotógrafa Juliana Medeiros acaba de apresentar ao público sua mais nova coleção de fotografias personalizadas: Fenômenos da Natureza! Nessa obra, a autora retrata diversos cenários naturais e os elementos que os compõem, vindos de várias partes do Brasil! Nas próximas edições, ela estará passando pelos Estados Unidos e Argentina! Diz o repórter de TV, sorrindo.
"CLIC!"
— Francamente, já vi fotos bem melhores! Essa aí é, tão somente, mais uma amadora do ramo, isso, sim! Diz o Senhor Lorenzoni.
— Só que você precisa reconhecer que ela vem se esforçando! Responde a Senhora Lorenzoni.
— Tirar fotos meia boca, até eu tiro! E, aliás, você também!
— Não sei por que você tem tanto preconceito contra essas pessoas, mas deixemos isso para lá agora!
— Rapaz, por que você não procura um bom tratamento? Acho que você ainda não sabe, só que loucura, psicopatia e retardo mental são problemas bem graves, é sério! Diz o funcionário (3), decepcionado e desapontado.
— Não perguntei nada a você, nem a quem quer que seja, está sabendo? Responde Frederico, em tom explosivo.
— Cara, seu caso é bem pior do que o resto do pessoal e eu imaginamos! Responde o funcionário (3), como quem está extremamente
impressionado.
"CASA DO CASAL LORENZONI"
— Querido, você já reparou como nosso filho anda tão agitado, ansioso, irrequieto e nervoso?
— Ah, mas ele é assim mesmo! Ele também não nos conta nada sobre sua rotina no trabalho!
"ESCRITÓRIO"
"Meus pais nem imaginam o que passo por aqui a cada novo dia! Também, não sei se devo dizer a eles que estou sendo vítima de bullying! E, aliás, por que ninguém aqui no Brasil utiliza uma das duas traduções da palavra; sendo intimidação e valentia? Brasileiro acha que tudo o que vem do idioma dos colegas do Norte, é bom demais da conta... isso é, a grande maioria, eu mesmo sou uma exceção!" — pensa Frederico, sentindo dor, sofrimento e tristeza.
"BAR PINGA NI MIM"
— Por onde anda aquela figura, o Frederico? — pergunta o amigo (1).
— Não sei, ele praticamente não sai de casa, senão para ir ao escritório, banco ou supermercado! — responde o amigo (2).
— Acho que ele tem vergonha de ser o único em todo o escritório que não possui uma esposa. — comenta o amigo (3), que acaba de chegar. "ESCRITÓRIO"
"E se a galera estiver certa? Será que sou, realmente, mais um louco, psicopata e retardado mental? O pior é que não quero ter que ir a nenhum profissional da área de saúde, não gosto de compartilhar minhas coisas com pessoas!" — pensa Frederico, inquieto.
"BAR"
— Considero e estimo isso como sendo uma baita de uma sacanagem com o camarada! Comenta o amigo (1).
Eu também, afinal de contas, ele não tem culpa de estar solteiro. Ou isso, ou, se tem, é algo que não diz respeito a nada, nem a ninguém da sociedade! Concorda o amigo (2).
— Sua conta, cavalheiros! Diz o dono do bar.
— Pois não, aqui está o cartão de crédito! Responde o amigo (1).
— Escute só chefia, por acaso você conhece o Frederico Lorenzoni? Pergunta o amigo (2).
— É um cara todo amargurado, carente, desiludido, isolado e solitário, ele é sempre humilhado e ofendido pelos colegas do escritório por continuar como solteiro. Continua o amigo (3).
— Sim, sei quem é. Ele costumava vir aqui, só que sumiu de vez já faz seis meses. Responde o dono do bar.
"ESCRITÓRIO, FIM DE EXPEDIENTE"
— Tchau e até amanhã, amigo! Veja se deixa de ser louco, psicopata e retardado mental! Despede- se o funcionário (4), acenando com a mão direita.
Frederico não reage à provocação.
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O Desespero de um Solteiro
HumorNo primeiro livro da Trilogia O Desespero de um Solteiro, o escriturário desesperado Frederico Lorenzoni precisa conquistar a fotógrafa sonhadora Juliana Medeiros para provar aos colegas de trabalho e a si mesmo que não é um triplo doente mental. Co...
