— Sim, eu mesmo, a sua disposição, pode falar!
— responde Doidivanas, disfarçando a voz com um prendedor de roupas no nariz.
— Venha até aqui, agora mesmo! Já conversei com meu advogado por telefone e ele está disposto a assumir sua causa contra o Doutor Maxpir Ado!
— Pode deixar, já estou indo! Responde Doidivanas, sorrindo.
Juliana sorri. "CONSULTÓRIO"
— Doutor, você é nossa única salvação! Minha esposa leu seu mais recente livro e, agora, ela já acredita estar com a tal triplicidade das doenças mentais que mencionou! Diz um homem bem vestido ao lado da esposa.
— Que maravilha! Responde o Doutor sorrindo.
— Chama esse problema de maravilha? Irrita-se o
homem bem vestido.
A esposa se irrita também.
— Não! Que maravilha que vieram ao local certo! Responde o Doutor gesticulando com as mãos. "CASA DE MARIHÁ E DE ANNE"
— Temos que colocar esse tal de Doutor Maxpir Ado na justiça! Afirma Marihá.
— Pois é, mas isso não será algo fácil e rápido! Comenta Hairan.
— De qualquer forma, nós temos que ser cautelosas e prudentes! Diz Anne. "ESCONDERIJO"
— Então, Juliana, iremos nos encontrar no Beco da Rua dos Palmares! Combina Doidivanas, ainda ao telefone.
— Nossa, para que um lugar tão afastado como esse, Frederico? Pergunta Juliana, bastante surpresa.
— É para não chamar a atenção, sabe?
— Entendo... está bem, será por lá mesmo! Doidivanas faz um sorrisinho amarelo.
"ESCRITÓRIO"
— Frederico, rapaz, soubemos que você deixou de se consultar com o Doutor Maxpir Ado... não acha que ser um doente mental limitará bastante sua vida? Precisa de tratamento! Provoca o funcionário (13) com a maior cara de paspalho.
— Não me importa, não me interessa e não preocupa mais o que vocês acham: já estou apaixonado por alguém! Responde Frederico, já bastante chateado e irritado.
— Já sabemos, é uma fotógrafa com o corpo todo esbelto, não é mesmo? Confirma o funcionário (13), encostando o braço direito no braço esquerdo de Frederico e piscando o olho direito.
— Ela agora me ajudará contra o Doutor, será minha testemunha legal!
— Só que você não pode impedir um cidadão tão correto e decente de exercer sua profissão!
— Você está me tirando, é? Esse cara usou meu nome e minha imagem sem autorização!
Meia hora mais tarde...
"BECO DA RUA DOS PALMARES"
— Alô? Quero falar com o Doutor Maxpir Ado! Como assim, ele está com um paciente e não pode atender neste momento? Saiba você que possuo informações que poderão ajudá-lo a conquistar mais clientes! Que bom que entendeu a influência e a relevância da coisa toda, chame-o agora mesmo então! Diz Doidivanas ao celular.
Doidivanas faz outro sorrisinho amarelo. "CASA DO CASAL LORENZONI"
— Que sujeito mais besta! Imagine só: como é que alguém poderia sofrer de loucura, psicopatia e retardo mental subitamente? Questiona o Senhor Lorenzoni.
— Os tempos agora são outros e, por isso mesmo, as nomenclaturas vigentes são outras também: insanidade, transtorno de personalidade social e deficiência intelectual, não se esqueça! Responde a Senhora Lorenzoni.
— O Frederico já conversou com a Juliana, ela o ajudará naquilo que for preciso! Comenta o primo.
"BECO"
— Pois é, Doutor! Tenho comigo informações essenciais, fundamentais e vitais para ajudá-lo a curar as pessoas com a triplicidade das doenças mentais, está entendendo? Irei ao seu consultório amanhã cedo para podermos tratar disso!
Juliana desce do carro sem ver Doidivanas e este, ao vê-la, sorri.
— E a família do escriturário Frederico Lorenzoni, do Escritório de Contabilidade Valores em Alta já anunciou que colocará o pós-doutor em Psicanálise Maxpir Ado na justiça por injúria, calúnia e difamação! Agora, ele terá a ajuda da fotógrafa Juliana Medeiros, da Agência Fotográfica Tiro e Queda contra o sujeito! No que será que isso dará, minha gente? Informa o repórter de TV.
"CLIC!"
"Até que enfim! Às vezes, a justiça tarda, mas não falha!' Pensa a esposa do patrão sorrindo.
"BECO"
— Frederico, cadê você?
— Estou aqui, Juliana, à esquerda do muro à sua frente! Responde Doidivanas, escondido atrás de uma lata de lixo.
— Excelente, já estou indo aí! Doidivanas sorri.
"APARTAMENTO DO CASAL MEDEIROS"
— Parece-me que as coisas já estão devidamente esclarecidas entre aquele homem e a Juliana! Qual é o nome dele mesmo? Pergunta o Senhor Medeiros.
— Frederico Lorenzoni, ele trabalha como escriturário. Responde a Senhora Medeiros. "BECO"
— Ué, você não tem cara de ser o Frederico! E olhe que eu, no começo, olhava para ele e jurava jamais tê-lo visto antes! Comenta Juliana, impressionada.
— Você ainda não me reconheceu, sua baranga tão fútil, imbecil e inútil?
— Veja se me respeita: sou uma renomada fotógrafa e poderei jogá-lo na justiça se for o caso!
— É AGORA, GALERA! CERQUEM, AMARREM E
TRANQUEM ESSA ANOMALIA AMBULANTE TÃO PARVA E TOSCA!
Os colegas se reúnem em torno de Juliana.
— SOCORRO! TEM UNS CARAS IRRESPONSÁVEIS, MALICIOSOS E MEGALOMANÍACOS ME PEGANDO! Grita Juliana, apavorada.
— UARRARRARRARRÁ! Riem Doidivanas e os colegas, encostando as mãos nas barrigas e inclinando os corpos.
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O Desespero de um Solteiro
HumorNo primeiro livro da Trilogia O Desespero de um Solteiro, o escriturário desesperado Frederico Lorenzoni precisa conquistar a fotógrafa sonhadora Juliana Medeiros para provar aos colegas de trabalho e a si mesmo que não é um triplo doente mental. Co...
