Finalmente, sexta. Passei a quarta e a quinta tentando evitar o Josh. Minha sorte e que meu pai nao ta saindo muito, porque eu tenho certeza que se estivesse, convidaria Josh para ca. Eu decorei os horarios que ele chegava em casa e passei a chegar mais cedo. Decorei os horarios que ele vai para biblioteca, mesmo ele nao sendo do meu colegio. Apenas nao queria encontrar com ele na ida nem na volta.
Depois do quase beijo de quarta, eu nao tenho coragem nem para olhar na cara dele. Estaria mentindo se dissesse que me arrependi. Boa parte de mim sabe que isso e errado, e ja a outra, a outra queria aquilo, nao adianta eu mentir para mim mesma. Desliguei o alarme que tanto tirava minha paciencia e finalmente sai da cama.
Fui no banheiro e vi o que eu menos queria ver. Estava menstruada. Eu odeio isso, mas pelo menos eu não estou gravida. Procurei por todos os cantos meu absorvente, e não achei. Me desenrolei com papel higiênico.
Me arrumei de qualquer jeito, eu não ligo. Estou com dor de cabeça e cólica o que e uma opinião alheia sobre mim?
Desci rápido e novamente não vi meu pai. Isso me preocupava e me tranquilizava ao mesmo tempo. Ele não está bem, mas pelo menos está trabalhando e não enchendo a cara. Esse pensamento é horrível , mas é o melhor. Abri a geledeira e peguei um leite junto com um cereal. Eu sinto tanto a falta da minha mãe Sinto falta dos abraços quentinhos, quando ela se partia em pedaços, apenas porque eu queria mais dela. Eu era feliz com o tanto que tinha, e nem sabia, isso é típico. Sempre eram reclamações sobre roupas novas, sobre festas, tudo voltado para manter meu rótulo e nunca era sobre ela. Uma sensação de culpa invade no meu peito , mas lembro que não vale a pena. Ela já se foi, mas isso ainda dói como a primeira vez que disse em voz alta. Ela se foi, e eu fiquei com os seus pedaços . Sozinha com os seus pedaços.
E ótimo, o leite estava azedo. Enquanto jogava o leite no lixo , lembrei do enterro da minha mãe. Era esse sábado, no mesmo dia que eu ia sair com o Lucca. Ouvi as buzinas do ônibus e descartei a ideia de comer. Fui correndo para o ônibus mesmo, enquanto bolava um jeito de dar um pé na bunda sem que ele não parasse de falar comigo.
Fui direto para a classe, pois já estava atrasada, como de costume. A primeira aula era de química, dei sorte. Esperei o professor se sentar para bater na porta:
- Posso entrar?
- Não deveria. Ja disse que não tolero atrasos. Dessa vez passa.
claro. Falou a mesma coisa para mim no ano passado.
- Como eu estava dizendo... - ele me olhou arqueando as sobrancelhas - a dupla de vocês serão as mesmas da última aula.
Droga, vou ficar com o Yan. Fui me sentando na cadeira ao seu lado.
- Você está bem? - Ele disse enquanto o professor escrevia no quadro algumas formulas.
- Como se você se importasse...
- Ma...
O professor interrompe:
- Fora da sala, cansei dos dois. Vão discutir seu lance de casal na coordenação
- Nao somos um casal. - Eu disse.
- Meros detalhes. Coordenação.
Ótimo, tudo que eu queria. Sai da sala o mais rápido possível e fui para a coordenação . Sentei na cadeira que ficava perto da coordenação, tinha que esperar ela me chamar ainda. Yan estava do meu lado. Eu não conseguia me segurar:
- Como se não bastasse tudo que você fez comigo...
- Já pedi desculpa. - Disse ele mexendo no seu cabelo.
VOCÊ ESTÁ LENDO
A cada veia
Ficção AdolescenteRebeka Lynt, uma garota de classe alta com pais perfeitos . Era o quê os outros diziam ao seu respeito . Não como "Rebeka Lynt, uma garota inteligente" , ou até mesmo " Rebeka Lynt, uma garota forte". Conhecida pelo seu dinheiro e pelo seus pais...
