Feels so good

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Era novembro de 2000.

O primeiro ano da virada do século era algo que eu não esqueceria tão facilmente, seja pois foi com uma noite e tanto em Berna na Suíça – adeus 1999 – , ou mesmo por aquela noite em particular.

Normalmente minhas visitas a universidades como palestrante iam para a MIT devido ser um ex-aluno, mas eu abrira uma exceção para a NYU após o reitor me enviar alguns projetos de seus alunos, eram tão promissores que eu não podia deixar de ir até ali.

E foi quando o conheci.

Ao final da palestra ele estava conversando com o reitor da universidade, poucos centímetros mais alto que eu, com cabelos negros e olhos azuis-acizentados. Seu cheiro me atingiu conforme eu me aproximava, os tons cítricos de limão contrastando com noz moscada, cedro e patchuli. Era forte, intenso, e eu achava extremamente agradável, como se estivesse em mais uma de minhas viagens para Nova Delhi.

Eu me vi sendo atraído para aquele jovem alfa.

— Obrigado por ter aceitado o convite e por sua exibição, Sr. Stark. – aceitei a mão que o reitor me oferecia, um cumprimento rápido, visto que eu jamais gostara de pessoas – especialmente estranhos – me entregando coisas ou prolongando contato físico.

— O senhor chamou minha atenção com os projetos que enviou, estou até pensando em pegar alguns jovens para um estágio nas Indústrias Stark. – meus olhos recaíram sobre o meu novo interesse, que me encarava discretamente em silêncio.

— Ah! Esse é o Sr. Strange, um dos nossos melhores alunos. – o reitor tocou o ombro do jovem. — Bastante ousado também, está fazendo o bacharelado e o doutorado ao mesmo tempo, precisamos abrir uma exceção para ele.

Mal o homem nos apresentara e sua assistente pessoal, secretária ou seja lá o que for se aproximou de nós, entregando o celular para o reitor e murmurando algo que o fez se despedir de nós e se afastar. Seja lá qual entidade cósmica nos concedeu essa relativa privacidade, eu agradeceria por ela agora.

— Sr. Stark. – no momento em que sua mão tocou a minha eu pude sentir um arrepio subir por minha espinha, e considerando seu olhar, podia imaginar que ele também sentira algo. — Não esperava o ver aqui.

— Me sinto ofendido, Sr. Strange, afinal você está no auditório no dia em que tive uma palestra marcada. – eu tentei ignorar o fato dele ainda segurar minha mão, assim como o fato de seu polegar massagear a parte interna do meu pulso.

Esperto, muito esperto. Ele não faria uma cena para sentir meu cheiro, mas estava curioso para saber.

— O reitor é alguém difícil de achar, mas disseram que ele estaria aqui. - ele soltou minha mão, antes de ajeitar a gola de sua blusa, aproximando discretamente a mão de seu rosto. — Especialmente, como aluno de medicina, não vejo motivos para ver o trabalho de alguém que tira vidas.

— Eu não tiro vidas, querido, eu simplesmente produzo armas que são utilizadas pelo governo, simples assim, quando o mundo não precisar de armas farei tijolos para maternidades. – não era como se eu não ouvisse essa ladainha com frequência. — E poupe seus esforços, não vai conseguiram me farejar.

Afinal eu usava frequentemente os supressores de cheiro, o fiz por quase toda minha vida e não pretendia parar em nenhum momento próximo.

— Uau, você fica ensaiando isso na frente do espelho? – sua sobrancelha estava arqueada

— Claro, quer ver pessoalmente? – ele certamente não esperava o flerte, e eu quase ri de sua expressão.

Talvez eu devesse ter parado ali, mas enquanto ele estivesse disposto a brincar comigo, por qual motivo eu deveria parar?

Akai itoOnde histórias criam vida. Descubra agora