11- A profecia de Cersei

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"Rainha será... até chegar outra, mais jovem e mais bela, para derrubar você e roubar tudo aquilo que lhe for querido."

Maggy, A Rã

***

Cersei ergueu a taça de vinho e o cheiro suave a levou para longe daquele lugar. Não nutria nenhum motivo para viver e muito menos para morrer. Ou sim?

— Jaime... — Suspirou longamente — Do ventre e por toda a vida.

Talvez fosse a única coisa pela qual valesse a pena tentar viver, mas havia algo que a deixaria mais feliz... Morrer ao lado dele, talvez, sempre com ele, mas deixando uma legião de corpos carbonizados de presente para a menina Targaryen.

Cersei sabia que ela viria, tinha plena noção de que esse momento chegaria. A profecia de Maggy, a bruxa que revelou seu destino, martelava cada vez mais forte em suas lembranças. Tudo logo aconteceria, ela estava certa disso, mas faria com que fosse coberto de sangue.

Sabia que estava em seu destino perder seus filhos, mas imaginava que tudo poderia ser evitado se fosse forte e violenta o suficiente. Pensava que poderia fugir, mas os deuses a amaldiçoaram e eles eram fortes demais.

Não havia mais crianças em sua casa. Sua doce Myrcella, sua menina tão bela e gentil, jazia sob a terra fria, assim como Tommen, seu garoto inocente e bondoso. Quando pensava em Joffrey, o único a herdar o fel amargo dela, seu ódio por Tyrion crescia. Ainda que nunca pudesse provar seu envolvimento com a morte de seu primogênito, ninguém a convenceria de que não fora ele.

Depois da morte de seus três filhos, Cersei esperava apenas a vinda da Rainha mais jovem que tiraria tudo dela. No passado havia pensado que seria Sansa Stark, depois Margaery Tyrell... Mas havia destruído ambas e ainda tinha esperanças de que Daenerys também não fosse essa Rainha da profecia. Talvez ainda pudesse vencer por um tempo... Talvez.

— Euron deseja vê-la, majestade. — Qyburn sussurrou, sem querer perturbar a paz em que a rainha parecia pairar — Diz que tem solução para os dragões.

O sorriso de Cersei, por trás do cálice, não era visto, mas poderia refletir como raios de sol, poderosos e intensos. Ela deixou o quarto com a sombra da leve alegria no rosto até que esta sumiu imediatamente ao por os olhos em Euron Greyjoy. Ele era terrível e sujo, algo que ela procurava em um aliado, mas não em alguém para ter por perto.

— Criaram um escorpião? — Repetiu ela ao ouvir as palavras dele — E poderia detê-los? Tem certeza? Teremos soldados o suficiente para essa guerra?

— Acalme-se. — Euron segurou o queixo dela com os dedos, fazendo o estômago de Cersei se contrair em repulsa — Não importa quantos temos, mas o que temos.

— Me garanta que haverá mortes de dragões com essas coisas.

Euron sorriu ao ver a sede de sangue nos olhos dela. Amava a ideia de uma mulher tão sanguinária quanto ele.

— Haverá morte de dragões. — Prometeu — Ou talvez tenhamos os dragões para nós. Ainda tenho uma antiga arma valiriana.

Cersei não sabia do que ele falava, mas Euron parecia muito seguro sobre essa "arma" que não revelava a ninguém.

— Tem que destruir a garota, quero o sangue dela colorindo as ruas da capital.

— Não se engane. Eu logo eu estarei cavalgando a Rainha Dragão em cima dos restos de seus soldados. A arrebentarei e depois a darei para os meus homens fazerem o mesmo. Então ela será sua para fazer o que quiser.

Cersei sorriu de volta. Não conhecia Daenerys, mas adoraria ver a garota ser uma puta ordinária nas mãos daquela centena de homens. Desejava vê-la ser estuprada até que ficasse em carne viva entre as penas, depois sangrando até a morte entre hematomas e esperma.

— São coisas que eu espero de alguém como você. — Respondeu Cersei, com o rosto satisfeito.

— Tem mais coisas que eu gostaria que esperasse de mim. — Ele a puxou pela cintura, mostrando um sorriso medonho e cheio de luxúria, então escorreu a mão entre suas pernas e Cersei ficou tensa e rígida como uma rocha.

O olhar dele a corroía por dentro. Era como se a visse nua ali mesmo, pensando nas grosserias que faria com a garota Targaryen e também com ela. Quando o beijou, Cersei sentiu que ele a queria, pois estava firme sob as vestes e beliscava o calor entre suas coxas com intensidade. 

— Não... — Ela o afastou, tentando disfarçar o mal estar — Depois que vencermos.

— Tudo bem. Mas não vou esperar depois disso. — Ele sempre a avisava com um sussurro venenoso — Trate de me servir bem depois que eu a tiver servido.

Cersei sentiu o asco dominar seu estômago, mas se houvesse de chegar a isso para ter o apoio incondicional de Euron, acreditava que não seria mais difícil do que os momentos em que precisou se deitar com Robert. Ele sim a enojava com seu hálito de bêbado, sua grande barriga sufocando-a na cama, seus pelos grossos entre as pernas e seu membro grosso e sujo. Sempre a feria, a humilhava e a fazia se sentir uma égua servindo a um cavalo.

Contudo, se se seu corpo poderia ser uma arma, ela sempre o usaria. Seu plano, contudo, era castrar Euron logo em seguida, deixando-o vivo apenas enquanto pudesse agonizar olhando para o próprio pau apodrecendo à sua frente. Não suportaria a vida que teve com Robert outra vez.

— Seja forte, Cersei. — Repetia ela todas as noites — Minutos de terror para uma mulher podem representar a eternidade de escravidão para um homem.

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Nota: Se alguém não se lembra, Cersei foi até uma bruxa quando era criança e ela fez algumas profecias para a vida dela. Disse que ela se casaria com um rei, que teria três filhos e que essas crianças morreriam. Depois também disse que ela seria rainha até que viria outra tomar o lugar dela. Esse capítulo dela mostra um pouco de sua humanidade, ainda que cruel.

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