33 - Lascívia

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"Um homem saberá ter encontrado a mulher ideal quando olhar no seu rosto e ver um anjo e, tendo-a nos braços, ter as tentações que só os demônios provocam."

Picasso

***

Quando finalmente Dany parou o beijo, após longos instantes sentindo o ar faltar dentro dos braços de Jon, seu coração batia forte. Recolheu sua língua libidinosa e retirou seus lábios dos dele devagar. Estava impregnada do gosto daquele homem e havia um leve comichão em seu queixo pelo contato da barba negra em sua pele.

Jon, por sua vez, quis puxá-la de volta, mas percebeu-se ficando duro como as pedras que formavam aquelas paredes ao seu redor. Não deveria tê-la provado, pois sentia que ela era veneno, que era vício e que agora não tinha mais volta.

Dany percebia o quão excitado ele estava, e se surpreendeu por Jon sequer tentar subir com ela. Não era o tipo de homem que avançava sem o consentimento da mulher e isso era algo novo para Dany. Nas primeiras noites com Khal Drogo, o marido arrancava-lhe a roupa mesmo quando estava dormindo e entrava nela com violência, sem se importar com seus gritos de dor. Sor Jorah já a havia beijado à força, Daario tinha invadido seus aposentos na calada da noite e até seu irmão Viserys, a única família que tinha, havia tentado estuprá-la quando ainda era uma menina, sendo impedido pela ideia de que a virgindade dela era valiosa. De todas as formas, os homens sempre lhe pareceram com os dragões, temíveis feras a serem domadas.

- Eu tenho que ir, Jon. - Ela segurou o rosto dele, quente como brasa, sentindo-o ainda preso à sua cintura, pressionando os quadris nos dela, deixando muito evidente seu desejo - Missandei está me esperando há algum tempo. Conversamos amanhã?

Jon fez um sinal positivo de cabeça, soltando-a finalmente e fechando as mãos com força para conter seus impulsos. Ela o ouviu suspirar enquanto subia as escadas, mas seu próprio rosto queimava ao lembrar da rigidez dele. Dany pensou que teria gostado de tê-lo dentro de si naquela noite. Teria gostado muito...

- Mas se o que quero é o amor dele, - pensava ela - não devo agir precipitadamente.

Ao se deitar, no entanto, ficou tão atormentada com o beijo que não conseguiu dormir. Pensava nos dedos dele, firmes em sua cintura, escorrendo pela curva de seus quadris e se detendo com timidez. Pensava na intensidade com que a língua de Jon a buscava e como isso havia disparado seu coração.

Quando enfiou uma mão entre as pernas, ficou sobressaltada ao ver quão molhada estava e se pôs a buscar alívio. Lembrou-se de quando sua antiga aia, Irri, que dormia ao seu lado, acordou e a viu assim. Na penumbra, a aia havia colocado uma mão num seio dela e depois se debruçado para tomar um mamilo na boca. A outra mão deslocara-se entre as coxas de Dany, trabalhando naquele local até que as suas pernas se contorcessem, seus seios se elevassem e todo o seu corpo estremecesse. Então gritou. Ou talvez tivesse sido Drogon, que dormia junto delas. Dany não se lembrava mais.

Na noite seguinte, quando Irri tentou repetir aquilo, Dany a proibiu. Se sentia muito culpada, dizendo à Irri que ela não era mais uma escrava, que não tinha de fazer aquilo.

- Sou aia da Mãe de Dragões. - Repetia a moça, com voz encantada - É uma grande honra dar prazer à minha khaleesi.

Desde a morte de seu Sol-e-Estrelas, Dany sentia-se vazia, como se os desejos tivessem morrido com ele. Depois de um tempo, no entanto, percebeu esses desejos retornando nas noites solitárias. Então começou a dormir e sonhar com um homem desconhecido, um amante jovem e belo, mas sempre envolto em sombras. Estranhamente não havia sonhado mais com ele desde que veio para Westeros, desde que conhecera Jon.

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