"A pedra é forte, as raízes das árvores são profundas, e debaixo do solo os Reis do Inverno ocupam seus tronos. Como eu. Também não estou morto."
Bran Stark
***
Depois de alguns dias de viagem, Jon e os demais chegaram à inóspita e colossal muralha de gelo. Ao longe, aqueles mais de duzentos metros de altura causavam as mais agourentas sensações em quem olhava. Não apenas aquele monumento, mas o silencio daquele lugar, a sensação de que não havia vida em nenhuma parte e que ainda assim havia sempre alguém à espreita causavam um tremendo medo nos homens.
Jon foi recebido por Tormund com um abraço de esmagar os ossos. Os olhos do selvagem pareciam mais azuis e o vermelho dos cabelos e da barba ainda mais vermelhos naquele amanhecer tão branco.
— Ouvi dizer que agora é o Rei! — Ele bateu nos ombros de Jon com tanta força que quase o jogou no chão — Como estão as coisas, rapaz? Aposto que suas noites estão bem mais divertidas que as minhas agora que tem sua parceira de cama, hein?
Jon ria enquanto o acompanhava. Não havia povo mais honesto e livre do que os selvagens, no completo sentido dessas palavras. As obscenidades nas falas de Tormund, enquanto caminhavam para o Castelo Negro, soavam tão inocentes que nem o incomodavam.
— Não existe nada tão bom quanto dormir com o pau numa mulher. — Sonhava Tormund — Deitar a cabeça no meio das tetas dela e roncar até o dia amanhecer... Ah, isso é um veneno, rapaz! A gente desaprende a dormir sozinho!! E, por falar nisso, a mulher grande ainda está por lá?
— Está. — Respondeu Jon, ainda rindo.
— Eu preciso voltar pra lá, então.
Jon encarou a muralha e todo o ânimo da conversa se dissipou.
— É, eu também. Mas primeiro preciso achar Bran.
— Vamos achá-lo! — Garantiu Tormund — Se ele sobreviveu por lá até agora, significa que tem que viver."
Mais tarde, organizados em fila atrás dos portões da Muralha, os cavalos batiam os cascos como se pressentissem o perigo. Quando o portão subiu e o grupo teve a vista assombrosa de gelo e montanhas, o vento logo pareceu outro. Todos o sentiram como um sopro dolorido e pesado, como se alguém apertasse suas costas e seu peito, pressionando o coração entre as costelas.
— Como você viveu aqui todos esses anos, Jon?— Perguntou Arya, ao lado de Jon, segurando as rédeas do cavalo negro com força. Estava desacostumada com o frio depois de passar tantos anos vagando pelo sul.
— Dá pra encontrar coisas piores que o frio depois que se atravessa a muralha. — Respondeu ele, apertando as coxas ao redor da sela — Não baixe a guarda.
Eles avançaram cautelosos. Os cavalos não queriam ir, estavam relutantes como nunca estiveram, mas seus cavaleiros os fizeram obedecer. Conforme adentravam mais e mais, os cavalos começavam a afundar na neve e tentavam voltar para trás, mas os cavaleiros seguiam insistentes. As horas se passavam e não encontravam nada naquele deserto branco. Tudo era mais difícil por sequer poderem gritar por Bran, pois havia o perigo do barulho atrair algo indesejado.
Arya olhou para os homens ao seu redor, ergueu o queixo e prosseguiu em silêncio, sempre buscando ficar mais perto de Jon. Gendry foi todo o caminho ao seu lado, mesmo ela tentando galopar à frente dele. O garoto não a incomodava desse jeito antes, não quando ele ainda acreditava que ela era um menino chamado Arry. No entanto, a forma como a olhava agora e como falava com ela, tudo incomodava.
— Precisamos ser mais rápidos. — Disse Jon ao ver a tarde cair e o céu se tornar azul marinho — Meera disse que os Outros estavam muito perto. Provavelmente agora estão muito mais.
— Já estamos andando há horas. — Disse Gendry, sentindo o frio aumentar conforme o céu escurecia — Parece que não vamos chegar a lugar nenhum.
— Você não era tão chorão. — Zombou Arya — Deveria voltar.
— Você que deveria.
— Eu não estou reclamando.
— Mas é uma lady.
— Uma lady que arrancaria sua língua.
— Ainda assim seria uma garotinha mimada.
Os homens resmungavam, entediados com as brigas dos dois. Odiavam o fato de dois pirralhos terem vindo com eles, mas como Jon era o líder e respeitavam sua vontade, ficavam quietos.
Em determinado momento, todos desceram dos cavalos e foram a pé para aquecer os músculos. Jon estava congelando até a alma, com a neve se acumulando em seu cabelo e barba. Seus olhos cinzentos eram iguais à neve suja e sua pele estava ficando tão áspera quanto a madeira das árvores que sobreviviam naquele lugar.
Jon apertou as mãos, tentando fazer os dedos reagiram, pois estavam adormecendo. Nunca havia odiado o frio, mas estranhamente estava sentindo saudade dos dias em que passou no sul. Mal podia esperar para estar de novo na cama, debaixo dos cobertores com o calor de sua mulher a aquecê-lo até o amanhecer.
Enquanto ele sonhava, Fantasma ia ao seu lado, quase invisível na neve, imenso e assustador como um verdadeiro espírito. Em um momento, o lobo parou e ficou olhando para o lado. Todos avançaram e ele continuou parado.
— O que ele tem? — Perguntou Arya.
— Acho que sabe para onde ir. — Jon lembrou das descrições de Meera e sentiu que já havia passado por aquele lugar. Fantasma, por sua vez, tinha certeza e correu para lá.
Todos se direcionaram para o lado direito, seguindo Jon e o lobo gigante. Depois do que pareceu uma hora de viagem, visualizaram uma sombra escura sobre a neve, ao lado de uma enorme árvore de tronco largo e apodrecido.
— É ele. — Disse Arya, eufórica, partindo naquela direção — É Bran!
A voz dela, no entanto, não despertou apenas o irmão.
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Nota: Algo que podem discordar, mas eu não acho coerente, é a série ter endeusado a Arya, tirando a humanidade dela. A Arya da série não mostra nenhum traço de traumas, sofrimentos, infantilidade, insegurança, nada. Ela pode ser fodona, mas ainda é uma adolescente e acho interessante ter essas bobagens com Gendry, por exemplo. Gosto de fazê-la como uma menina comum (ou quase).
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Final alternativo para GOT
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