91 - O Dragão da Alvorada (✓)

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"Três fogueiras terá de acender, uma para a vida, uma para a morte e uma para o amor."

Profecia dos Imortais

***

A água fervente abraçou as pernas, as costas e a barriga de Dany, fazendo o bebê se acalmar e adormecer dentro dela. Ao recostar a cabeça na banheira e fechar os olhos, um breve sono a levou e começou a sonhar, a ver um mundo quente e iluminado como há tantas luas não via. O céu estava azul e limpo em seu delírio, e Drogon cortava os ares com suas grandes asas negras fazendo sombra sobre ela. Sentia tanta falta de seu dragão, tanta falta do sol e da claridade... 

— Filha da Tormenta. — Dany ouviu o chamado de Quaithe e abriu os olhos de uma só vez. Quando olhou para a água, seu coração bateu forte. Estava vermelha do sangue que escorria entre suas pernas.

— Não...

Então viu a imagem da sacerdotisa com a máscara de madeira cobrindo o rosto, parada bem à sua frente. Não parecia real, mas outro sonho.

— A bruxa secou seu ventre com magia... — Disse a feiticeira, com voz distante — O sangue Targaryen o fez reviver, mas apenas a morte paga a vida... Apenas magia pode quebrar outra magia... A vida e a morte virão do fogo, do sangue e das lágrimas vermelhas dos Deuses Antigos. Siga as sombras, elas te guiarão...

Antes que Daenerys pudesse falar, sentiu uma dor terrível que fez com que se dobrasse sobre a barriga. Ao se erguer, Quaithe havia sumido como fumaça levada pelo vento.

Ela saiu de dentro da banheira, contorcida de dor, sentindo que sua criança estava sofrendo. Seus olhos se encheram de lágrimas e odiou o Norte por isso, odiou os deuses e tudo que existia ali.

— Precisa aguentar mais uma lua... — Implorou — Só uma lua...

Ela se vestiu como pôde, colocando uma grossa capa sobre os ombros e parou na soleira da porta, respirando fundo antes de descer. Decidiu que não iria avisar ninguém de seu estado. Detestava os olhares de piedade das servas e não ficaria na cama como uma moribunda. Precisava ver Drogon, sentia que precisava estar com ele.

Assim que saiu para o corredor, Dany deu de cara com Sansa vindo na direção de seu quarto. A garota parecia aflita e carregava uma carta muito firme nas mãos.

— O que foi? — Perguntou Dany, disfarçando o mal estar.

— Tenho que te contar algo... — Respondeu Sansa, entregando a carta a ela — Na verdade, tenho que te contar muitas coisas.

Sansa havia tomado uma decisão. Dentro dela, o sangue de Ned e Catelyn havia gritado alto. A honra deveria ser a primeira coisa viva nos que restaram do sangue Stark. Esse seria seu legado, em memória de seus pais e irmãos mortos. E foi pela família e pela honra dos Starks que ela contou tudo que estava acontecendo a Daenerys. Absolutamente tudo.

***

As ordens da Rainha foram claras naquele dia. Todos, servos e lordes, adultos e jovens, simplesmente todos que estavam em Winterfell deveriam seguir para Bosque Sagrado o mais rápido possível. Não levou mais do que poucos minutos para que atendessem seu chamado. As pessoas se juntaram em silêncio, curiosas na escuridão do bosque e arrepiadas pela neve que caía do céu noturno.

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