"Algumas batalhas são vencidas com espadas e lanças, outras com papel e caneta."
Tywin Lannister
***
Varys passou rapidamente pelos corredores de Winterfell, sem parar ou olhar para ninguém. Nos bolsos, prensava as quatro cartas que os corvos haviam trazido há poucas horas. Uma delas, em especial, o deixou nervoso, por vir de Pedra do Dragão.
Assim que chegou ao seu quarto, ele trancou a porta e abriu o primeiro. Era de Robin Arryn. O jovem Senhor do Ninho da Águia dizia que todas as pessoas que estavam nas alturas, no castelo, ficaram em segurança, mas as que ficaram abaixo, foram quase totalmente eliminadas. Havia casebres vazios e frios em todos os lugares. O estranho, contudo, era que não havia mortos ali. Os corpos haviam simplesmente desaparecido.
Varys descartou aquele corvo, pois não lhe interessava. Então abriu o segundo. Era de Ellaria Sand, a governante de Dorne. Esse lhe interessou mais. Ela comunicava à Rainha que Tyrion Lannister era uma ameaça constante a ela. A mulher pressionava Daenerys a lhe dar a cabeça dele ou Dorne não teria outra escolha a não ser se unir às casas inimigas.
No mais, Ellaria comunicava que o inverno havia passado estranhamente pela região de Dorne. Não havia neve, mas os ventos frios cortavam a alma dos dorneses, tanto quanto a escuridão. O lugar não era tão habitado quanto outras partes do continente, mas a escuridão e os Outros haviam chegado até lá também e dominado as partes populosas. Não era possível mensurar as perdas humanas, mas os cadáveres andantes eram vistos caminhando em direção às Terras da Tempestade.
Ele deixou a carta de lado e abriu a seguinte, de Olenna Tyrell. A conhecida Rainha dos Espinhos escrevera que a Campina estava devastada e deserta, quase sem seres humanos. Por outro lado, Jardim de Cima se mantinha firme. Ela esperava ver Daenerys e Jon em breve, para que suas tropas se juntassem para concluir a dominação de Westeros, pois muitas casas começavam a se erguer contra o reinado Targaryen. Os motivos ainda eram desconhecidos, mas a ameaça era forte e real.
Varys leu os três corvos e decidiu que Daenerys não precisaria ter conhecimento de nenhum deles. Escondeu-os em suas roupas e pegou o último. Estava curioso por ver o que vinha de Pedra do Dragão. Seus olhos se arregalaram ao ler.
"Chegou à ilha, durante uma intensa chuva, navios com estandartes Targaryens, vindos de Essos." Dizia a letra perfeita de algum imaculado. "Neles, grupos de quinhentos homens, os Segundos Filhos, liderados por Daario Naharis, clamam pela Rainha. Eles trazem notícias importantes de Meereen e esperam ordens de Sua Majestade."
— Maldito mercenário... — Pensou Varys — Deveria ter ficado onde estava.
Varys queimou todas as cartas, depois sentou-se à mesa, pegou a pena, o tinteiro e o papel e decidiu que precisava escrever.
— Os exércitos de Jon e Daenerys estão cansados e frágeis. — A pena foi desenhando as mentiras nas cartas que enviaria aos inimigos da coroa — Não há como vencerem as grandes casas do Sul, se estas se juntarem. Não temam os dragões. Sem Daenerys, eles não vão à guerra.
Varys sabia que precisava causar conflito entre as grandes casas e a Rainha. Para isso decidiu que era preciso encorajar os inimigos de Daenerys e, ao mesmo tempo, deixar os aliados sem ter respostas dela, causando insegurança e revolta dos dois lados. Ao mesmo tempo, precisava continuar construindo uma imagem negativa de Jon para os sulistas.
Quando estava terminando de escrever, ele sentiu um vento gelado e se virou para trás. Teve a impressão de que alguma sombra havia passado por ali, mas então espantou a cisma e continuou seu trabalho.
***
Muito longe, nas terras da tempestade, o antigo cais estava morto, bem como todas as cidades ao redor do castelo de Portonegro. Navios balançavam de um lado e outro, completamente vazios. O vento uivava por entre as árvores e as águas congelantes estavam negras como o céu nebuloso.
O ser que olhava de longe toda a imensidão do mar tinha um hálito tão gélido que poderia formar um buraco no pescoço da mulher que beijasse. Apenas seu toque era suficiente para queimar a pele de um bravo guerreiro e enlouquecer sua mente para sempre. O Rei da Noite era a personificação da loucura e da morte.
Seus olhos azuis eram vivos como uma ferida pulsante, como um hematoma na pele de um cadáver. Seu rosto era apenas pele sobre ossos velhos e negros, secos como madeira antiga. Os cabelos brancos esvoaçantes pareciam palha e gelo ao mesmo tempo.
Ele caminhou pelo cais, acompanhado de uma dezena de caminhantes brancos, rumo a um dos navios de velas negras que balançava levemente com os ventos. As criaturas logo tomaram a embarcação e a âncora foi puxada, fazendo o monstro de madeira se soltar, rangendo alto como velhas dobradiças de uma porta. Então ele começou a navegar pelas águas escuras, sem qualquer pressa.
Lento, mas firme como uma velha rocha, o Rei se postou na popa do navio, pondo-se a observar o porto que estava deixando. Quanto mais se afastava, mais milhares de olhos azuis ele via ao longe, encarando-o em terra. Uma legião de mortos se perdia de vista, vindo de todas as cidades que havia tomado no Sul.
Seu plano havia dado certo. Todas as forças haviam se concentrado no Norte, deixando-o livre para tomar o restante do continente. A guerra que Winterfell viveu, agora o resto do mundo viveria.
___
Nota: Varys está fazendo de tudo para que haja uma guerra entre as casas de Westeros. É o que ele faz, no fim das contas, provoca guerras. Daario voltou, sim, Essos não será abandonada. E aqui eu trago o Rei da Noite de volta depois de um tempo, ele já está bem no final do continente.
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Final alternativo para GOT
FanfictionVocê também odiou o final de GOT? Então venha aliviar seu coração com esse final alternativo. Essa história é sobretudo para os fãs de Daenerys Targaryen, mas todos os personagens tiveram seus destinos reformulados. Busquei ser o mais coerente e fi...
