"O povo reza por chuva, filhos saudáveis e um verão que nunca termine. Não lhe interessa se os grandes senhores lutam suas guerras de tronos, desde que seja deixado em paz. Mas nunca é."
Jorah Mormont
***
Daenerys circulou ao redor da cidade, observando o caos, ouvindo os gritos de desespero e o choro das crianças. Não poderia deixar seus exércitos entrarem até ter certeza de que não era arriscado. Muitos cidadãos pensavam que era ela que estava jorrando fogo sobre eles, mesmo quando ela buscava sobrevoar o mais alto possível. Não poderia culpá-los, pois Cersei os estava envenenando a respeito dela há muitos anos.
Dany pensou em Rhaegal, fechou os olhos e as lágrimas marcaram caminho em seu rosto. Drogon rugia e assustava as pessoas ao redor enquanto Viserion sobrevoava o céu com gritos de lamento. Mas ainda não podia voltar para casa, por isso guardou sua dor e voou para a Fortaleza Vermelha, localizada no alto da Colina de Aegon, a mais alta de Porto Real.
Os soldados esperaram as ordens de Daenerys para atravessar a cidade e, quando ela deu o sinal e eles atravessaram, houve mais gritos de crianças, mulheres e idosos por todos os lados. Não era apenas o medo, havia casas incendiadas pelo fogo esverdeado e prédios ruindo sobre as cabeças deles. Poucas áreas haviam sido preservadas.
Os poucos soldados inimigos que sobraram, jogaram suas espadas no chão ao ver os dragões e atravessaram a cidade à frente dos imaculados. Todos marchavam solenemente entre destroços e gritos, formando o maior escudo que um governante poderia ter.
Cersei havia colocado grande parte da população para dentro do castelo como escudo humano, imaginando que forçaria Daenerys a matar a todos para atingi-la. Jon e Davos sabiam disso e não havia mais como ficarem parados observando.
— Temos que impedir. — Disse Jon, descendo com Davos para a parte baixa da cidade.
— O que pretende fazer?
— Deter a Rainha.
— Qual delas?
— A que for preciso.
A Fortaleza Vermelha possuía sete enormes torres cilíndricas e maciças muralhas de barragem cravejadas de guaritas para arqueiros. As muralhas possuíam grandes portões de bronze e pontes levadiças. Dentro delas haviam vários pátios internos, salões abobadados, pontes cobertas, alojamentos, masmorras e celeiros. As portas eram feitas de carvalho e ferro negro. Não era particularmente grande, sendo menor que Winterfell, mas sua visão era assustadora por conta de sua cor vibrante.
"Aegon construiu o seu castelo em pedra vermelha para lembrar do fogo que ele ateou em seus inimigos," Dany lembrou-se de Viserys lhe contar "para sempre que Porto Real olhasse para o castelo, veriam o preço de desafiá-lo."
Quando Dany visualizou os portões de bronze, fez Drogon pousar à sua frente, mas não os arrebentou como gostaria de fazer. Conseguia ouvir, acima de todos os desastres da cidade, o barulho das pessoas lá dentro, o desespero total de adultos e crianças.
— Não quero feri-los, não posso feri-los... — Ela tentava controlar sua ira depois da morte de Rhaegal, mas era difícil - Eles não são os inimigos... Não são, não são!
Do alto dos muros, os arqueiros apontaram flechas para o seu coração. Quando algum deles disparava, Drogon se erguia com destreza e seu peito de aço retorcia e devolvia as flechas destruídas. Os homens tremiam diante dele e baixavam a guarda conforme ele rugia. O dragão negro era imenso e causava tremores nos mais corajosos homens. Seus gritos causavam tremores nas construções e sua cauda arrebentava os muros, jogando qualquer um que se aproximasse à enormes distâncias.
— Vocês estão defendendo sua Rainha. — Gritou Dany, forçando sua garganta a destravar - Sei que é coisa mais honrada a se fazer. Meus exércitos também lutam por mim! Mas são livres, não estão aqui por medo ou por ouro!
Os arqueiros, amedrontados, ouviam atentamente a ela, mas com os arcos em posição de ataque. Eles a olhavam dos muros e de baixo, pensando no motivo de realmente estarem ali enquanto suas casas estavam sendo incendiadas ao longe.
— Vocês todos podem morrer hoje como pessoas fiéis a uma mulher cruel e impiedosa que outra vez acaba de explodir suas casas, matando suas crianças e suas mulheres! — Prosseguiu Dany, cuspindo de ódio e dor junto com cada sílaba que se formava em sua língua — Ou podem se juntar a mim e eu juro pela minha vida que Westeros jamais verá o inferno que viu com Cersei no poder! Eu juro que me vingarei, que os protegerei como protegia as cidades Além do Mar Estreito, e que reconstruirei essa cidade com todo ouro que possuo, com todos os homens e mulheres que me seguem! Suas crianças não conhecerão a fome se eu puder alimentá-los com minha carne! E não conhecerão sede se ainda houver sangue nas minhas veias! Todos serão meus filhos e não meu súditos!
Perplexos, os arqueiros e demais soldados foram se afastando, se entreolhando nervosos. Estavam resignados e cientes da morte iminente se a atacassem. Porto Real era um barco à deriva em Westeros há muitos anos e já não tinham confiança em mais ninguém. Ainda assim, sabendo que não havia saída, todos foram um a um baixando seus arcos e deitando as flechas no chão. A ordem foi dada e os portões da Fortaleza se abriram para a Rainha Targaryen.
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Nota: Começando a ter um pouco de discurso da Dany porque eu acho que a gente precisava ver ela falando um pouco com as pessoas de Westeros.
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Final alternativo para GOT
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