19 - As Rainhas

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"Os Lannister nunca declinam, com ou sem elegância."

Tyrion Lannister

***

A primeira visão de Daenerys, quando os portões se abriram, foi de uma garotinha de cabelos escuros e olhos amendoados a agarrar a perna da mãe, enquanto a assustada mulher a pegava no colo e puxava para trás, logo caindo entre a multidão que corria desesperada. O povo a temia como se fosse um monstro. Não era isso que Daenerys queria, não era medo que gostaria que aquele povo tivesse dela. 

— Avancem e tragam os Lannisters aqui. — Ordenou Dany aos imaculados — Mas não toquem nos cidadãos, não machuquem ninguém!

Os exércitos avançaram para o castelo, passando entre as pessoas sem tocar em nenhuma delas. Os cidadãos estavam acuados no pátio, sem poder sair para a cidade incendiada e repleta de soldados e sem poder se esconder enquanto eles tomavam o lugar. A maioria, então, se encolheu nos muros, agarrando-se aos filhos pequenos, aos pais e irmãos, esperando que a morte viesse sobre eles.

Jon e Davos chegaram minutos depois, bem a tempo de ver Cersei encarando Daenerys com um sorriso de escárnio no rosto. Ela não havia fugido, sequer estava parecendo preocupada. De fato, descobriram mais tarde que os homens de Daenerys a encontraram no Trono de Ferro girando um cálice de vinho nas mãos.

— A bruxa me disse que viria. — Disse Cersei, olhando Daenerys de pé nas escada, buscando nela a imagem da mulher que lhe tomaria tudo o que amava — Esperei todos esses anos por você. Esperava que não fosse tão rápido, obviamente.

— Creio que me demorei muito. — Os olhos de Daenerys estavam cheios de lágrimas, mas ela não deixaria nenhuma cair — Não posso dizer que é um grande prazer conhecê-la finalmente.

— Eu gostaria muito que tivéssemos um tempo a sós. — Sorriu Cersei, olhando-a de cima a baixo e ficando enojada — Nos meus sonhos eu a tinha por um tempo nos calabouços. Sonhava em ouvir seus gritos por alguns dias enquanto nos... conhecíamos melhor.

Dany desceu os degraus até ficar cara a cara com Cersei. As duas olhavam uma para a outra como se não houvesse mais ninguém ali.

— O que faria comigo? Que torturas lhe agradaria?

Cersei sorriu e fez um ar sonhador. 

— Sempre imaginei Montanha enfiando as mãos inteiras entre suas pernas, arrancando com as unhas seu útero de dragão... Mas, não sei, se quiser, me dê um tempo para pensar e lhe digo algo mais original, que ainda não tenha feito com ninguém.

— Montanha? Eu o queimei com Qyburn antes de você chegar. — Ela apontou para um canto em que Drogon descansava sobre um monte de cinzas, fazendo o rosto de Cersei ficar ainda mais tenso e irritado — Não há mais nada que a proteja, Cersei. Eu poderia dar uma ordem aos meus homens para que façam com você o mesmo que desejava fazer comigo. Não tem medo disso?

— Medo? — Debochou Cersei, muito longe de parecer amedrontada — Tudo que me resta na vida são as palavras e morrerei usando-as. No fim, você sabe que é tudo que os homens nos tiram, não é? — Cersei a analisou melhor e se sentiu em frente a uma criança — Não... Você é jovem demais e perderá sua voz para eles. Eu não tenho mais a idade dos contos de fada, mas você ainda tem... eles a matarão e só me entristece não poder vê-la ser estuprada, morta e traída, pois já terei morrido, não é?

— Sim. — Daenerys sorriu de volta, com fúria contida. — Você estará morta. 

A Rainha Dragão passou por Cersei sem nada mais a dizer e se direcionou ao povo amedrontado. Os rostos que a encaravam pareciam ver uma serpente perigosa. Daenerys então percebeu tamanho horror o povo mais humilde daquela capital tinha de seus governantes.

— Cersei Lannister, a usurpadora do Trono de Ferro, incendiou com fogovivo as suas casas. —Discursou ela — Vocês já viram isso antes. Viram o fogo, viram a fome e o desespero nas mãos dela. Vocês agora estão livres, podem sair por essas portas e eu juro que nenhum homem que me segue os machucará. Não haverá estupros ou saques, não haverá violência a qualquer inocente. Os exércitos ajudarão a reconstruir a cidade, protegerão a todos da violência e do terror. Vocês agora são o meu povo e eu os defenderei a partir do dia de hoje e por quanto tempo eu viver. Com fogo e sangue eu os defenderei.

Um aplauso solitário soou atrás dela e Daenerys se virou para ver o sorriso debochado de Cersei.

— Desculpe, achei que precisava de um pouco de apoio. — Ela respirou fundo — Me diga quando acabar.

Daenerys a ignorou e fez sinal para que os soldados liberassem as passagens. O povo se olhou confuso e relutante, mas um por um os homens e mulheres se levantaram, principalmente pelo medo que Drogon causava neles. As crianças chorosas seguiam seus pais às pressas enquanto os soldados abriam passagem. As mulheres andavam de cabeça baixa, ofegando e chorando por medo de serem arrastadas pelos homens para serem estupradas nos becos escuros. Mas nada disso aconteceu.

Jon viu os homens de Daenerys abrindo espaço para as pessoas passarem sem sequer olhar na direção delas. Depois ficou observando as duas Rainhas se entreolhando e ficou se perguntando se alguma vez havia visto tanto poder junto.

Daenerys se virou para seus homens.

— Levem Cersei como prisioneira, mas a deixem bem longe de Jaime e de Tyrion.

Cersei deu um risinho de desdém.

— Sempre pensei que a vadia Targaryen seria mulher suficiente para me matar assim que me encontrasse.

Dany respirava com dificuldade. Não se sentia vitoriosa. Só conseguia sentir dor por seu filho morto. Mas ainda conseguiu forçar um sorriso irônico e encontrar a voz para responder.

— Nisso somos parecidas, Cersei, também não tenho pressa.

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Nota: Um pequeno encontro entre essas duas era necessário. Pra mim, nem que fosse uma conversa de um minuto na tela, os diretores tinha que ter feito Dany e Cersei conversarem.

Final alternativo para GOTHistórias para pegar e não largar. Descubra agora