Capítulo X

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O resto do dia tinha sido gasto com Jackson na praia, Jinyoung aparecendo não muito tempo depois de sua conversa, com seus olhos cintilando entre os dois antes de aparentemente encontrar o que ele estava procurando, porque ele sorriu e abriu caminho entre os dois, Jackson embrulhando Jinyoung em seus braços. Jaebeom riu e aproveitou o resto do dia com as duas pessoas com quem ele estava mais próximo na ilha, sentindo-se mais leve do que em anos anteriores.

Ele nem se importou quando Bambam apareceu, proclamando que ele estava entediado e triste e que eles precisavam entretê-lo. Jaebeom e Jinyoung reviraram os olhos, mas Jackson entrou no modo mãe, cuidando de seu bebê pelo resto da noite.

A conversa de Jaebeom com Jackson ficou com ele no dia seguinte e ele encontrou fragmentos flutuando em seus pensamentos em momentos aleatórios, como se seu cérebro o estivesse impelindo a fazer uma escolha. Uma escolha que ele ainda não tinha certeza se estava pronto para fazer. Ele tinha a sensação de que seu coração já havia escolhido, ele estava apenas esperando por sua mente para alcançá-lo.

Jaebeom escolheu ficar no Acampamento para trabalhar em suas letras ali em vez da praia, se encolhendo em um dos puffs e pegou a caneta-tinteiro que Jackson lhe dera. Só de olhar para ela, sorriu e descobriu que, estranhamente, funcionava. Ele não sabia se era a caneta em si, o lembrete de que a tinha porque seus amigos estavam cuidando dele ou se a conversa havia aliviado um pouco de sua tensão, mas as palavras fluíam da ponta da caneta como se não haviam feito em meses, sem esforço e exatamente como Jaebeom queria.

Ele escreveu quase duas músicas completas quando Bambam apareceu e sentou no chão ao lado dele, usando o assento da cadeira de plástico ao lado dele como uma mesa para... pintar as unhas?

Jaebeom inclinou-se um pouco e observou Bambam aplicando com cuidado um esmalte verde e brilhante nas unhas, com um cuidado e precisão que Jaebeom nunca teria conseguido.

— Isso incomoda você? - Bambam perguntou sem olhar para cima quando ele terminou todas as unhas em uma das mãos.

Jaebeom piscou e imaginou o que Bambam estava falando.

— O que me incomoda? - Ele perguntou.

Bambam olhou para ele, sua expressão feroz, mas não o suficiente para esconder a fragilidade em seus olhos que Jaebeom nunca tinha visto lá antes.

— Um cara usando unha Polonesa.

Jaebeom ficou um pouco surpreso, não apenas pela pergunta, mas pela intensidade com que Bambam havia perguntado e pelo modo como Bambam o encarava enquanto esperava pela resposta. Suas próximas palavras obviamente importavam mais do que Bambam queria deixar transparecer.

— Você vai tentar me fazer usar? - Jaebeom perguntou eventualmente.

Bambam piscou, sua expressão se transformando em confusão.

— Não, claro que não.

Jaebeom encolheu os ombros e voltou para suas composições.

— Então por que isso me incomodaria? Não é da minha conta o que você usa.

A resposta de Jaebeom foi tão sarcástica que ele ficou surpreso que o garoto não se machucou, ele olhou para trás para ver um olhar feio percorrer o rosto do garoto antes de olhar para as unhas recém-pintadas.

— Você é um dos poucos que pensa assim.

— É... É por isso que você está aqui? - Jaebeom perguntou hesitante, imaginando se Bambam queria falar sobre isso.

— Sim - Bambam suspirou. — Mas não é apenas o esmalte, ou  meus sapatos, ou cabelo, foda-se, é mesmo a cor rosa. - Ele olhou para Jaebeom furiosamente — Que diabos importa se eu uso a cor rosa?

Lost - JackBeomOnde histórias criam vida. Descubra agora