Perigo

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-| A-atsushi?! -Dazai pega Atsushi pelos braços, o apoiando em seu ombro. Ao olhar pelo corredor, ele viu apenas um rastro de sangue saindo do elevador, esbarrando na parede do vizinho à direita e formando uma poça logo no carpete da entrada-  Como você chegou aqui?!

-| M-me desculpe... D-dazai-san... E-eu... Prometi deixá-lo pensar sozinho... Mas eu não tinha mais a quem recorrer... -Atsushi fala, forçando ao máximo para que as palavras saíssem de sua boca. Ele aperta com força seu peito, forçando para que o sangue parasse de escorrer-

Dazai estava em completo estado de choque; o grisalho havia tomado 3 tiros no seu tórax, era nítido os buracos onde a bala entrou e não saiu. Ele gemia de dor, chorava e não parava de sangrar. Ao colocar ele no sofá, correu para o seu quarto em busca do kit de primeiros socorros que estava guardado em uma gaveta de seu armário. Aproveitou para colocar apenas uma bermuda; não tinha tempo para colocar uma roupa muito elaborada, afinal, seu colega estava morrendo.

-| Ai caralho -Dazai corre, caindo de joelhos do lado do garoto- Por favor... Fique calmo. Vai dar tudo certo. Mantenha o foco na sua respiração. -Dazai desenrola algumas faixas, enquanto retirava a camisa de Atsushi- Devemos ligar para a agência, a Dra. Yosano pode ainda estar lá!

-| Não! NÃO FAÇA ISSO! -Atsushi solta um grito e como resultado começa a tossir sangue-

-| Como assim "não" garoto?! Ela pode te curar, você está a beira da morte! E... -Dazai para por um minuto, sentindo um arrepio na espinha- ... sua cura não está funcionando... -A respiração se torna irregular, hiperventilando.-

-| Eu sinto muito... D-dazai-san... Eu tentei... -A frase é cortada no meio, os olhos de Atsushi vão perdendo o seu brilho e seu foco já se esvaiu. Sua cabeça pende para o encosto do sofá, quase como se estivesse encarando a alma de Dazai.-

O moreno começa a sacudir o garoto, tentando inúmeras vezes trazer ele de volta para a consciência; sua cura poderia não estar funcionando como deveria, mas ele possuía uma ótima resistência, ele possivelmente aguentaria até ser levado a agência. Porém, algo ecoa em sua cabeça; os gritos do grisalho e sua relutância em ir a agência. Por quê que ele estaria tão relutante em pedir ajuda?
Orgulho? Não... Atsushi não era orgulhoso...
Alguma briga? Essa hipótese era impossível... Atsushi não faz mal a uma mosca...
Nada vinha a mente, porém algo o incomodou; um raio de sol passava por entre suas cortinas; já era 6:30 da manhã... Olhando para Atsushi novamente, Dazai pode perceber pequenas lágrimas ao lado do olho do garoto, que rolaram quando a luz refletiu em seu rosto.

 Olhando para Atsushi novamente, Dazai pode perceber pequenas lágrimas ao lado do olho do garoto, que rolaram quando a luz refletiu em seu rosto

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-|ATSUSHI!! -Dazai gritou o nome do garoto, procurando o pulso do mesmo. Nada. Absolutamente nada. Sem respiração, sem batimentos... sem vida-

Dazai sentou no chão com as mãos na cabeça enquanto algumas lágrimas rolavam pela sua bochecha. Gritos reprimidos tentavam desesperadamente sair do seu peito, mas penas um choro silencioso foi o que ele conseguiu liberar.
Por que tudo aquilo estava acontecendo? Quantas pessoas Dazai precisaria perder?Enquanto seus pensamentos vagavam e as lágrimas caíam, conseguia se escutar um som ecoando pelo apartamento; um toque.
Ele se levanta rapidamente, procurando de onde vinha esse toque; obviamente só poderia vir de seu celular, mas a questão era: onde ele estava? O moreno corre rapidamente até seu cabideiro, onde o aparelho estava no bolso de seu sobretudo bege.

-|A-alô? -Dazai engole a saliva, limpando suas lágrimas ainda pendentes e tentando não esboçar qualquer sinal suspeito-

-| Dazai. -Ranpo respondeu do outro lado da linha, com um tom de voz neutro- Eu já estou ciente de tudo... Atsushi realmente morreu?

O moreno começou a soar frio, seu sangue simplesmente parou de circular para o cérebro por alguns segundos e seu queixo caiu; como seria possível ele ter descoberto tudo?

-| Pffff... Hahahahaha! -Dazai lança-lhe uma risada, na esperança de que ele acreditasse -Como você é engraçado Ranpo! Por que o Atsushi estaria morto? Isso é impossível! De onde tirou isso?

-| Poxa... Achei que o tiro teria sido fatal. Erro meu...

Os olhos do moreno se arregalaram. Ele não conseguiu processar a mensagem que o rapaz acabou de lhe dizer.

-| C-como...? -A voz de Dazai sai como um sussurro, quase sem força-

A linha cai. Aquilo só deveria ser uma piada de mal gosto, a agência deveria estar brincando... Precisava ser brincadeira.
Algo novamente começa a tocar, porém era um toque diferente, era um barulho sutil, porém de certa forma irritante.

Dazai segue o barulho buscando achar a fonte. Quando ele passa ao lado do corpo do grisalho, o barulho se intensifica. Ele se abaixa, vasculhando cada bolso. Definitivamente vasculhar corpos não era algo incomum na antiga profissão do Dazai, mas fazer isso enquanto o cadáver do seu amigo está te encarando de forma mórbida deixava a situação pior. Buscando no segundo bolso do jovem, as mãos de Dazai encontram uma pequena caixa preta.

-| Um rastreador... -Dazai pega o objeto, caminhando até seu quarto para analisar melhor-

As peças estavam soltas no tabuleiro; Atsushi morto pela agência? Um rastreador? Dazai lembra que o jovem estava relutante em encontrar a agência, e que ele constantemente falava sobre "desculpa". Uma coisa era certa, a agência estava atrás do Dazai, mas por que?
Dazai sente alguma coisa apitar dentro de si, quase como um sexto sentido; seu sonho. Odasaku havia avisado sobre tomar cuidado com as pessoas próximas.
Enquanto refletia sobre, ele preparou uma pequena mochila com alguns itens; seu LapTop e celular com carregadores, pastas confidenciais, armas, munição, algumas fotos antigas, livros importantes. Com a mochila já feita, Dazai veste a roupa que havia largado no banheiro e depois volta na sala. Ao parar perto do corpo de Atsushi, Dazai se inclinou e tirou o cabelo da testa do rapaz para depositar um beijo em sua testa.

-| Eu irei te vingar, garoto. Sinto muito por não conseguir te salvar.

Dazai vai até sua porta principal. Dando uma última olhada no apartamento, os raios da manhã estavam clareando o lugar, assim como um doce aroma de canela pairava no ar. Ele se direciona ao elevador, e vai embora.

Waiting for MeOnde histórias criam vida. Descubra agora