Capítulo 10

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Ajeitava a Angélica na cama da Bruna e do Ítalo enquanto conversávamos sobre nossos filhos.

O Rafael está com 3 meses agora, lindo forte e saudável, com cabelos meios aloirados, do pai e olhos castanhos escuros da mãe. A Bruna, por causa do estágio final da gestação teve uma queda imunológica, aumentando a carga viral do HIV, tornando-a vulnerável e susceptível a infecções. Ela ficou dias em recuperação quase em isolamento, mas depois pode voltar para casa, esperando a gravidez chegar no oitavo mês. Ainda está abatida, mas responde bem à tudo pelo Rafael e pelo Ítalo.

Nesta sexta, como ainda tenho uma semana de licença, resolvi pegar a Angélica para os visitarmos. Ambos estavam na cama, de maresia e bem gostosinhos.

A Angélica é apaixonada pelo Rafa e tenho certeza que serão melhores amigos.

- Devagarzinho Angel, ele é um bebezinho – e mostrava a ela como acariciar a bochechona do Rafa.

Ela se deitou de bruços e ficou namorando o rafa, brincando com suas mãos e conversando a língua dos anjos para bebês. Enquanto a minha amiga nutri estava apoiada na cabeceira da cama, eu sentei na ponta, fazendo uma barreirinha para as crianças na minha frente.

- Volta para o hospital daqui a duas semanas, mesmo?

- Sim – suspirei ajeitando a roupinha da Angel.

- Não quer?

- Se eu pudesse ficava o resto de minha vida só cuidando dela.

- Tô com a mesma sensação sobre o Rafa, apesar que a parte pesada quase não faço. Meus pais quase que não me deixam lavar uma xícara. E o ítalo? Até para dar banho no Rafa é uma novela.

Sorri constatando as dificuldades de ser mãe como ela.

- Que vida difícil, Nutri – ela fez uma careta.

- Vocês poderiam aparecer mais, ficar um final de semana talvez.

Olhei para a grande porta que separava o quarto de uma piscina maravilhosa.

- Deixa o Rafa ficar maior para vocês nos vê aqui todos os finais de semana. Vamos virar peixinhos.

- "Meus peixinhos favoritos". Vamos curtir muito. Sinto falta de suas conversas doidas, amiga.

- Doidas? – me espreguicei e deitei-me de lado apoiando minha cabeça com a mão – são as conversas mais sãs do mundo.

Peguei um pequeno chocalho de pelúcia com a mão livre e comecei a balançar na frente dos dois, fazendo-os sorrir. A Angel quis pegá-lo de minha mão e brinquei com isso.

- Anda, Denny, o que há?

Vislumbrei sua face e vi que ela me olhava de lado.

- Não há nada, tá tudo bem.

- Não tá, você me ligando numa manhã de sexta cedo, dizendo que estava com saudades do Rafa? Sei que as sextas é dia de feira com a Dona Tilda.

- Fizemos as compras ontem, assim estou de folga. A Tilda precisava arrumar as coisas em casa, assim sai para lhe dá espaço – olhei para os olhos grandes do Rafa - eu estou, né bebê? – fiz voz infantil e a Angel virou o corpo rápido se sentando com a gaiatice.

A Bruna cruzou os braços sobre o peito.

- Ah, é mesmo, é amanhã que o delegado vem em definitivo, né?

Dei de ombros tentando não me importar com a constatação da Bruna. Porém era exatamente isso que me afligia. A volta do Dr. Carlos Antônio.

- É, a Tilda tá numa felicidade só.

O Coração de DeniseOnde histórias criam vida. Descubra agora