Março; 2018

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▪Southwest Arbela Court, Aloha

Eu estava na casa do Finn, fazendo um trabalho de geografia com ele, quando Mary apareceu na porta do quarto dele carregada de caixas, dizendo:
-Finn, me ajuda! Eu não consigo ver nada!

Ele levantou da cadeira em que estava sentado e, sem muito esforço, retirou uma caixa da frente do rosto da mãe, que continuou a dar suas ordens.

-Estou limpando o sótão e achei essas caixas aqui, todas tem o seu nome. Abre todas e seleciona o que você quer guardar ou doar, o resto vai fora.

Só depois do seu discurso "mãezístico" ela pareceu me notar sentada na cama do Finn, segurando meu computador amarelo.

Ela deu um sorriso, depois se aproximou, pulando as caixas deixadas por ela mesma no chão, e me deu um abraço, falando:
-Millie, querida! Me desculpe, não tinha te visto!

Dei um sorriso antes de responder, largando o objeto que estava sobre minhas pernas ao meu lado.

-Sem problemas, Mary!

-Mas também, com essa bagunça nesse quarto, quem vê o quê, né?

Dei risada enquanto via meu amigo abrir a boca pra responder ela, sendo rapidamente cortado.

-Vou fazer um lanche, chamo vocês quando estiver pronto!

Ela saiu do quarto, em direção às escadas de madeira no fim do corredor.
Finn fechou o livro que segurava, olhou pra mim e disse:
-O trabalho é só pra daqui a duas semanas. A gente podia olhar o que tem dentro dessas belezinhas, que tal?

Concordei na hora. Adoro mexer em coisas antigas.

Começamos a abrir as caixas, e todas estavam cheias de brinquedos, livros, cadernos e fotos antigas.

-Isso é demais! Finn! Olha isso, você lembra desse jogo?

Estendi pra ele uma caixa amarela que continha um jogo que jogávamos muito quando crianças.

-Claro que eu lembro! Como eu ia esquecer o jogo que quase me cegou? Cara, essas batatinhas voam longe!

Demos risada enquanto o garoto sentado no chão ao meu lado colocava o jogo em uma caixa de papelão separada para as coisas que ficariam guardadas.

Depois de muitas risadas e recordações, Finn encontrou um caderno de caligrafia espiralado que parecia ter sido personalizado por nós, quando crianças.

-Mills, olha isso!

Duas pessoas estavam desenhadas na capa, de giz de cera. Uma menina usando um vestidinho rosa e um menino azul cacheado.

-Meu Deus! O que tem dentro?

Ele abriu o caderno, que descobrimos ser um álbum, por estar cheio de fotos coladas nas folhas com cola branca.

Na primeira, devíamos ter uns oito ou nove anos. Eu chorava com uma boneca quebrada na mão e meu melhor amigo tentava segurar a risada com a mãozinha na frente da boca.

-Eu era uma criança má.

-Todas as crianças são más. Euzinha era uma exceção.

-Ah, é?

Ele pulou algumas páginas e encontrou uma foto de algum aniversário nosso, onde eu assoprava as velinhas sozinha, enquanto ele subia em uma cadeira pra alcançar o bolo.

Sempre fizemos nossas festinhas de aniversário juntos devido à nossa afinidade de gostos pra desenhos, personagens e filmes.

-Você não parece tão boa moça agora, Millie.

-Nem vem! Você ser lerdo não é problema meu.

Dizendo isso fingi me emburrar, cruzando os braços, fazendo bico e virando a cara.

Ele explodiu em risadas, o que me fez rir junto.

Continuamos passando as páginas até chegar no fim do álbum.

A última foto continha nós dois no dia em que nos conhecemos. Um par de sorrisos maiores que nossos rostos roubava toda atenção pra ele.

-Nossa.

-O quê foi, Finn?

-Eu tava pensando. Acho que ir até você naquele dia foi a melhor coisa que eu já fiz.

Ao ouví-lo dizer isso, virei meu rosto pra ele, a tempo de ver uma lágrima solitária descer por sua bochecha sardenta, enquanto seus lábios se contraíam em um sorriso. Não pude evitar me emocionar também.

Nós crescemos juntos. Pensar que teríamos que nos separar após quase 10 anos nos vendo praticamente todos os dias doía bastante.

-Eu nem preciso dizer que vou ser eternamente grata, né? Esse foi um dos dias mais felizes da minha vida, sem exagero.

-Você lembra que a gente passou o resto do dia brincando e quando a minha mãe foi me buscar, eu fiz ela ligar pra sua pra te chamar pra ir lá em casa?

-Finnie, esse é o tipo de coisa que eu não esqueceria nem se quisesse! Esse dia foi muito importante pra mim.

-Você é muito importante pra mim. Obrigada por tudo.

Dizendo isso, ele me abraçou. A esse ponto, ambos chorávamos descontroladamente.

Ao desfazermos o abraço, olhei pra ele e disse, do fundo do meu coração:
-Eu te amo, Finnie.

Ele abriu um sorriso no meio de todas aquelas lágrimas, me fazendo sorrir junto.

-Também te amo, Mills.

unbroken; fillieHistórias para pegar e não largar. Descubra agora