Fevereiro;2018- part. 04

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Após não conseguir mais ver a Millie, peguei meu celular no bolso, desbloqueei e abaixei a aba de notificações, estremecendo ao ver aquelas malditas palavras: nova mensagem de e-mail.

Eu estava tremendo quando cliquei na faixa branca, que abriu a caixa de entrada do meu e-mail.

Lá, bem no topo, estava ela. A mensagem que eu não queria abrir. Não queria ter que lidar com meu futuro.
No fim, resolvi pelo menos não ter que lidar sozinho.

Entrei no salão, procurando meus amigos.
Ao longe, em um canto, avistei um casal dançando animadamente.

-Noah? Jack?

-Oi, Finn!

-E aí, como foi lá fora?

-Ah, eu... Pera, vocês nem estavam aqui quando eu e a Millie saímos! Como vocês descobriram?

-Ah, a gente tem contatos.- Noah disse, piscando para o namorado, que retribuiu o gesto com um sorriso nos lábios.

-Enfim, eu vou ter que ir.

-Mas já? São onze horas!

-Logo você querendo ir embora cedo? Qual bicho te mordeu?

-Minha mãe chamou e disse que é urgente, outro dia explico. Só avisem pro pessoal se eles perguntarem por mim, ok?

Eles se encararam, confusos. Jack abriu a boca pra falar mais alguma coisa, mas parou ao ver a minha cara de poucos amigos.
Noah logo tratou de encerrar a conversa, seguido pelo garoto ao seu lado.

-Anotado, chefia! Pode ir pro seu compromisso tranquilo, a gente avisa eles. Né, Jackie?

Fingi não ver o pisão dado por meu amigo no pé do parceiro, que concordou rapidamente.

-Ai! Hm, isso aí.

Me despedi dos dois com um aceno e parti em direção à porta, enquanto pedia um uber. Essa ansiedade estava me matando.
Após longos minutos (que pareceram horas) no frio daquela noite, minha carona chegou.
Entrei, cumprimentei o motorista, passei meu endereço e comecei a rezar pra chegar logo em casa.
Me distraí, e quando dei por mim, estava na frente da alta casa cinza que eu costumava chamar de lar.
Após pagar o motorista, desci do carro e saí correndo e procurando as chaves de casa no meu bolso.

Assim que destranquei a porta, ouvi um grito:
-Finn? É você?

-Sim, mãe!

Ela desceu as escadas de madeira com seus saltos baixos de sempre fazendo batulho. Toc, toc, toc.

-O que houve? Meu garoto nunca chegou cedo de festa nenhuma!

-Hm, o resultado chegou.

Ela abriu um sorriso, seus olhos brilhando por trás dos óculos redondos.

-Ah! E você já olhou?

-Não tive coragem.

-Vamos ver juntos, então!

Ela puxou meu celular do meu bolso e enfiou na minha mão. Desbloqueei com a minha digital e abri o e-mail novamente.
Baixando documento. Mais segundos que pareceram eternidades se seguiram.
O PDF abriu e mostrou o que eu não queria ver. Não podia ser real.

Cambrige High School
Temos o prazer de informar que Finn Wolfhard foi aceito com louvor na escola de ensino médio Cambridge.

Me senti fraco. Eu não ouvi minha mãe gritando "Parabéns, filho! Você conseguiu!"; não senti suas mãos agarrando meus ombros e me balançando freneticamente pra frente e pra trás, tentando me despertar do meu transe. Só senti o chão frio batendo contra minha cabeça quando eu caí.

Acordei alguns minutos depois, totalmente zonzo. Eu estava deitado no sofá, com a minha mãe estática ao meu lado.

-Finn? Filho! Você tá bem? Se machucou? Quebrou alguma coisa?

Demorei um pouco pra conseguir falar alguma coisa. Minha boca se mexia mas nenhum som saía dela.

-Mãe, eu tô bem, calma. Eu... Só caí.

-Meu amor, o que houve? Achei que estivesse animado pra estudar fora da cidade.

Meu pai sempre teve o sonho de estudar em Cambridge e nunca conseguiu; e quando ele morreu, minha mãe decidiu que um dos filhos dela teria que realizar o sonho fracassado do marido. Meu irmão já estava na faculdade quando ele se foi, então eu fui o escolhido.

Fiz os testes seletivos pra não deixar a minha mãe triste. Obviamente dei o meu melhor, mas como não tinha estudado, tinha certeza que não passaria. Pelo visto, me subestimei.
Parecia que a ficha tinha caído só agora. Eu tinha a opção de não ir, mas não poderia desapontar a minha mãe. Resolvi aceitar o futuro que o destino havia reservado pra mim. Coloquei o meu melhor sorriso falso no rosto e disse:
-Eu tô sim. Só fiquei emocionado, eu acho.

Emocionado? Caramba Finn, você mente melhor do que isso, fala sério!

-Eu não acredito que você conseguiu! Seu pai estaria tão orgulhoso de você, meu filho!

Ver os olhos dela cheios de lágrimas e seu sorriso maior do que qualquer um que ela havia dado desde a morte do meu pai me fez ter a certeza: eu iria.

unbroken; fillieHistórias para pegar e não largar. Descubra agora