Preciso contar a verdade!

2.5K 210 1
                                        

Por Noah Cooper

Eu não sabia exatamente quando isso começou. Talvez tenha sido na primeira vez que ela riu de algo idiota que eu disse, aquele riso que parecia iluminar tudo ao redor. Ou talvez tenha sido durante uma conversa qualquer, quando percebi como seus olhos brilhavam quando falava sobre algo que amava. O fato é que, a cada dia, Nina foi se tornando mais do que uma amiga, mais do que uma companheira de aventuras. Ela se tornou tudo.

Estar perto dela era ao mesmo tempo um presente e uma tortura. Havia dias em que eu simplesmente não conseguia desviar o olhar. Cada gesto dela parecia ensaiado para me desarmar. O jeito como ela mexia no cabelo distraidamente ou como mordia o lábio inferior quando estava concentrada. Pequenos detalhes que me faziam perder o fôlego sem aviso.

Mas era mais do que desejo. Era algo que crescia no peito, algo que me fazia querer proteger aquele sorriso de tudo e de todos. Ela tinha uma leveza que parecia contradizer a intensidade que carregava. E talvez fosse isso que mais me atraía: Nina era um paradoxo. Forte e vulnerável. Decidida e, ao mesmo tempo, cheia de dúvidas. Ela me fazia querer ser melhor, me fazia querer merecê-la.

Havia noites em que eu me pegava imaginando como seria beijá-la. Como seria sentir o toque dela sem as barreiras da amizade. Mas, ao mesmo tempo, o medo me paralisava. E se eu estragasse tudo? E se aquele momento de coragem destruísse o que construímos? Era um dilema constante, uma batalha interna que eu não conseguia vencer.

Então, naquele dia, quando a vi no quarto organizando suas coisas, algo dentro de mim simplesmente rompeu. Eu precisava dela. Precisava mostrar o que sentia, mesmo que as palavras me faltassem. Então esperei. Esperei pelo momento em que não houvesse desculpas, em que estivéssemos apenas nós dois. E quando a oportunidade apareceu, tomei coragem.

Eu sabia que podia assustá-la, sabia que podia parecer impulsivo, mas não consegui evitar. Entrar naquele banheiro foi como cruzar uma linha invisível. Tudo o que eu queria era mostrar a ela, sem palavras, o quanto ela significava para mim. Cada toque, cada beijo, carregava a esperança de que ela entendesse. Que, de alguma forma, ela pudesse sentir o que eu sentia: um desejo que ia além do corpo, uma necessidade de estar ao lado dela, de compartilhar cada momento, cada pedaço da vida.

Quando a encostei na parede e a beijei, foi como se o mundo inteiro tivesse parado. Por um instante, não havia medo, não havia dúvidas. Havia apenas ela. E, pela primeira vez, eu senti que talvez houvesse uma chance de que ela me quisesse tanto quanto eu a queria. Um som de batidas na porta nos fez separar imediatamente. O som seco e rápido era uma lembrança incômoda de que não estávamos sozinhos.

— Noah, sai agora — Nina sussurrou, ajeitando rapidamente o cabelo e tentando recuperar a compostura. Eu hesitei por um segundo, mas ela abriu a porta do box e me empurrou para fora antes que eu pudesse dizer algo.

Saí do banheiro com o coração disparado e me escondi no quarto que dividia com Alex. Meu rosto ainda estava quente, e as lembranças do beijo ainda queimavam em minha mente. Tentei regular a respiração, mas meu corpo inteiro parecia carregado de energia.  Poucos minutos depois, a porta do quarto se abriu. Era Alex. Ele entrou com uma expressão séria, fechou a porta atrás de si e me encarou.

— Precisamos conversar — ele disse, com a voz grave e determinada. A tensão no ar era palpável, e eu soube que o que quer que ele tivesse para dizer não seria fácil de ouvir.

— Sobre o quê? — perguntei, tentando soar casual, mas minha voz saiu ligeiramente tensa.

Alex cruzou os braços e suspirou, como se estivesse tentando encontrar as palavras certas.

— É sobre a Amber — ele finalmente disse. Meu estômago deu um salto desconfortável ao ouvir aquele nome. — Ela tem me procurado, Noah. E, para ser sincero, ela está se tornando uma sarna no meu pé. Quer falar com você.

Fechei os olhos por um instante, soltando um suspiro pesado. Amber. Não era algo que eu queria lidar agora, nem nunca mais, se pudesse evitar.

— Alex, eu já falei com ela antes. Nós não temos mais nada — expliquei, minha voz carregando um tom de exasperação. — Foi só um lance rápido, sem significação. Eu não deveria nem ter deixado isso acontecer.

— Mas aconteceu — ele rebateu, o tom firme. — E agora ela acha que ainda tem algo entre vocês. Eu entendo que foi só diversão para você, mas para ela... parece que significou mais. Você precisa resolver isso.

Passei a mão pelos cabelos, frustrado. Amber tinha sido um erro. Eu sabia disso desde o início, mas na época eu estava tentando me distrair, me afastar dos sentimentos que Nina despertava em mim. Era fácil ficar com Amber. Ela não exigia nada além do momento, ou pelo menos era o que eu achava.

— Eu vou falar com ela — murmurei, mais para encerrar a conversa do que por vontade real.

Alex permaneceu parado por um momento, como se tentasse avaliar se eu estava sendo sincero. Seu olhar era pesado, mas havia uma certa compreensão lá no fundo.

— Espero que faça mesmo. Porque ela não vai desistir tão fácil. E, sinceramente, você devia parar de fugir de tudo que te incomoda, Noah. Resolver logo isso pode não ser tão ruim quanto você pensa.

Suas palavras ficaram ecoando em minha mente depois que ele saiu. Ele estava certo. Fugir nunca tinha resolvido nada, mas era o que eu fazia melhor. Sempre que as coisas ficavam complicadas, eu encontrava uma forma de escapar. E agora, tudo parecia desabar ao mesmo tempo: os sentimentos por Nina, os resquícios do meu passado com Amber e a culpa constante de não conseguir colocar tudo nos eixos.

Sozinho no quarto, encarei o teto enquanto pensava no que Alex tinha dito. Falar com Amber significava reabrir uma porta que eu queria manter fechada. Mas talvez fosse isso que eu precisasse fazer. Encerrar de vez aquele capítulo para ter a chance de começar algo novo, algo que realmente importava.

E isso implicava contar a verdade para Nina também. Eu precisava que ela soubesse o que Amber tinha significado – ou, mais precisamente, o que ela não significava. Com esse pensamento em mente, peguei o celular e procurei o contato de Amber. Meu dedo hesitou por um momento antes de pressionar o ícone de chamada. A linha tocou apenas duas vezes antes que ela atendesse.

— Noah! Que surpresa você me ligar — a voz dela soava animada, quase ofegante, como se estivesse esperando por esse momento.

— Amber, precisamos conversar. Pode ser pessoalmente? Amanhã, no café perto do campus? — perguntei, mantendo meu tom neutro.

— Claro! Que horas? — ela respondeu prontamente.

— Meio-dia. Nos vemos lá — finalizei antes que ela pudesse prolongar a conversa. Assim que desliguei, senti um peso misto de alívio e apreensão.

Mas não tive muito tempo para pensar nisso. Meu celular vibrou novamente, e uma nova notificação apareceu. Era uma mensagem do capitão da escola militar.

"Noah, recebi recomendações impressionantes sobre você. Queremos convidá-lo a se juntar ao grupo de elite do exército: os NAVY SEALS. Pense nisso. Será um grande desafio e uma honra para poucos. Precisamos de uma resposta em breve."

Li a mensagem várias vezes, tentando absorver o significado daquelas palavras. Ser chamado para um grupo tão seleto era uma oportunidade incrível, algo que eu jamais imaginaria ser possível. Mas também significava deixar tudo para trás. Inclusive Nina.

Sentei na beira da cama, o celular ainda em mãos. Agora eu tinha duas coisas urgentes para resolver. Uma com Amber e outra... comigo mesmo.

Meu lugar ao SolOnde histórias criam vida. Descubra agora