Amor ao próximo. Engraçado: todos sabem como ele funciona. Todos sabem que se deve amar ao próximo. Mas o problema é que todos querem ser o próximo, mas ninguém quer ser o primeiro. O primeiro a amar, a jogar o pão sobre às aguas e iniciar aquela pequena onda que culminará em um tsunami de amor.
Tsunami de amor. Nossa! Parece nome de novela. Aquelas bem mexicanas, que passam no SBT. Onde a pobrecita Maria Thalia de Guadalupe se apaixona pelo rico Jorge José (lê-se 'Rorre Rossé). Um conto da fadas da era moderna. Um amor impossível que tem que vencer a barreira da diferença social entre os dois... E a vilã, Carmen Lucrécia, considerada má porque ama demais o nosso mocinho Jorge José. Mas, me parece que ela o quer apenas como prêmio pessoal, ou como uma garantia de renda e status. Na verdade, muito do que se prega como amor por aí não passa de egoismo.
O egoismo é algo engraçado. E um tipo de amor maléfico. Um amor errado. Alguém que ama a si próprio de tal maneira que vê nos outros apenas um objeto para presentear a quem mais ama, ou seja, a si mesmo.
E esse mundo é mesmo dos extremos: enquanto alguns se amam demais, outros se amam de menos. A baixa auto estima é tão prejudicial quanto o egoísmo, assim como pressão alta e pressão baixa: ambos matam. É triste ver alguem se arrastando por outro alguém apenas por baixa auto estima. Não confundam baixa auto estima com humildade, por favor! Enquanto a baixa auto estima diz que você não é nada, a humildade diz que você apenas não é melhor que ninguém. A humildade é a estima na medida certa. Coisa linda!
Outra coisa que vejo: fazer amor. Sim, isso pode ser um sinônimo lindo para sexo, uma das maiores expressões de amor que pode haver entre duas pessoas. Mas o problema do sexo é que ele também pode ser a coisa mais egoísta que existe. Triste é: duas pessoas fazendo sexo e cada uma delas buscando o seu próprio prazer. Patético! O amor é pra compartilhar, pra buscar o bem, o prazer e o sorriso do outro. O amor não é para se servir, e sim para servir e ser servido. Seja através de sexo, de uma caixa de bombons, de uma tarde no parque ou um prato de comida a quem precisa.
Aliás, ao contrario do que se canta nas rádios, amor não é apenas sexo. Todo o gesto que busca o bem do outro é amor. Na minha humilde opinião, hoje tem muita gente fazendo sexo e pouca gente fazendo amor. Triste.
Fazer amor é algo complicado. Fazer amor é jogar o próprio pão sobre as águas, e esperar que aquilo vire uma grande onda. E será o seu pão a ser jogado. Você tem que estar disposto a perder algo. O maior gesto de amor de que se tem notícia é de um deus que deixou o seu local divino, se fez um humano passível de dores como nós e morreu em uma cruz. Isso sim é fazer amor.
Aliás, o grande problema que as pessoas tem com Jesus não é a historia imunda da igreja católica do passado, tampouco a historia imunda da igreja evangélica do presente, e sim a ideia de ter que amar como Jesus amou, a ponto de terminar sua vida pendurado em uma cruz. Isso sim é forte e amedrontador.
Na verdade, as pessoas tem medo de amar, é isso que vejo. Por isso é tão difícil dizer "eu te amo". Isso significa abrir a guarda, estar vulnerável, disponível à cruz. Não é facil. Exceto para os levianos, que não pretendem ir a cruz por amor. Esses passam noites inteiras no Whatsapp prometendo amor eterno a muitas ao mesmo tempo. Já pensou se este fosse pendurado na cruz por cada uma que ele disse amar? Já pensou?
Enfim, o amor é lindo. E parabéns pra você, que teve coragem de amar, não as coisas inanimadas, nem os animais, e nem a si mesmo, mas as pessoas, instaveis como elas são. Quando a onda de amor tomar essa cidade, ou quando você ver seus filhos ensinando o amor aos seus netos, você poderá colocar sua cabeça sobre o travesseiro com orgulho, sabendo que você foi o primeiro, o causador da grande onda, do Tsunami de Amor.
VOCÊ ESTÁ LENDO
Crônicas de um Futuro Presente
Kurzgeschichten"Crônicas de um Futuro Presente" traz, de maneira descontraída, histórias que se passam num futuro que já chegou. Cada uma das pequenas histórias a seguir traz consigo um traço das dores e delícias da nossa vida moderna, num tom de crítica, mas sem...
