Carina sempre foi uma mulher muito bem resolvida consigo mesma e com seus relacionamentos. Muito dedicada em seu trabalho e tenta dar o melhor de si sempre, mas detesta a rotina. Ela se vê em um beco sem saída quando um uruguaio que adora testar sua...
— Eu não acho necessário mais um integrante na nossa equipe — digo e mais uma vez sou ignorada por Max.
— Miller, eu sou o chefe — ele diz apontando para si. — O que importa é apenas minha opinião.
Reviro os olhos e conto até cem mentalmente, minha paciência já estava nos limites. Hoje não era o meu dia.
— Bom, eu acho que seria bom mais uma pessoa para nos ajudar — Fred diz e eu quase o fuzilo com olhar. Maxwell me olhava com um sorriso convencido no rosto.
— Viu só, Miller? — ele diz e se encosta de volta em sua cadeira. — Esse rapaz é realmente muito bom e vocês também, o que significa mais dinheiro para essa empresa.
— Tá — digo, quase conformada. — Quem é esse cara?
— Amanhã vocês irão saber — ele diz com o olhar focado em seu computador. — Dispensados.
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— Eu juro que se eu pudesse eu acabava com o Max — digo enquanto bebo minha cerveja.
— Não sei como você ainda não tacou fogo naquele empresa junto com ele — diz Laura, enquanto mexia no celular, desde que chegou não largou ele.
— Não da nem ideia para Carina — Manu parecia realmente acreditar que eu faria isso, e ela está certíssima. — Você sabe que ela é capaz de fazer isso.
— Cadê a Natália? — pergunta Laura, mudando o assunto.
Eu e minhas amigas resolvemos que assim que saíssemos dos nossos trabalhos, a gente se encontrar no barzinho de sempre. Eu aceitei de primeira, nunca recuso uma oportunidade para encher meu organismo de álcool. Apenas Natália que ainda não havia dado o ar da graça.
— Esqueci de dizer que ela não vai poder vir — diz Emanuelle, brincando com um guardanapo.
— Por que? — questiona Laura.
— Ela disse que tinha um compromisso importante — responde a platinada.
Compromisso importante, sei. Dona Natália, dona Natália. Elas ainda não sabiam sobre o rolo da morena com o camisa 9 no Flamengo. Eu ia falar algo, mas minha boca acaba travando quando olho para a porta e vejo Gerson, Thuler e Arrascaeta passando por ela.
— Ih, problema na área — digo apontando com a cabeça para porta, mas esqueço que minhas amigas não passaram na fila da discrição.
— Era só o que me faltava — resmunga Emanuelle.
"Tomara que não venham para cá" repito varias vezes na minha mente.
— Ei, meninos! — grita Laura, acenando para eles.
Eu juro que um dia ainda mato ela.
— Olá, garotas — diz Thuler assim que se aproxima, ficando atrás de Manu que revirou os olhos, acabei soltando uma risadinha. — Aproveitando à noite?
— Até que ela estava agradável — diz Manu, com uma feição nada boa no rosto.
— Poxa, que legal — Thuler também não ajudava em nada. — O que acha da gente ficar aqui, rapaziada?
— Na hora — diz Gerson, sentando-se ao lado de Laura. Agora ela infarta.
— Tanto faz — diz Arrascaeta com um ar indiferente e sai indo até o bar.
Okay, o que estava acontecendo? Eu havia notado que ele estava bem distante mesmo esses dias, sempre que respondia minhas mensagens era monossilábico, ainda não tínhamos nos visto desde o dia que ele chegou de Brasília, sua desculpa era que estava cansado dos treinos e queria ficar só.
— Vou até o bar — digo me levantando. — Vão querer alguma coisa?
— Pede mais uma rodada de cerveja — diz Thuler. — Por minha conta.
Apenas digo um "ok" e vou até o bar. Giorgian estava em um dos banquinhos, tomando uísque e com uma cara um pouco fechada. Chego até os bancos e me sento ao seu lado. Tento me aproximar mais dele, mas ele desvia seu rosto.
— Tá tudo bem? — pergunto, realmente preocupada.
— Achei que não se importasse — ele parecia magoado.
— Você ainda tá remoendo esse assunto, Giorgian? — eu achei que ele já até tinha esquecido. — Olha, a gente conversa sobre isso depois. Vamos para a mesa, não é nada animador ver você aqui, sozinho.
— Nossa, não sabia que você se importava tanto assim comigo — ele diz totalmente ácido.
— Você tá fazendo isso pra me provocar? — digo, já sem paciência. — Eu falei aquilo sem pensar. Você sabe que eu sempre falo coisas que eu penso, mas sem pensar direito.
Ele não me responde.
— Você não mais responder? — mais silêncio. — Tudo bem, então. Vou ficar aqui enchendo seu saco até você falar comigo.
Eu peço um uísque ao barman e começo a tagarelar sobre esses dias com o jogador, que tentava parecer não se importar. Emanuelle me contou sobre a conversa que teve com ele no dia seguinte, após aquele papo bizarro que tivemos. Ela me disse que ele realmente gostava de mim, mas eu ainda não sei como me sinto em relação a ele.
Poderia listar algumas coisas que gostava nele, como: o sorriso, o sotaque, o corpo, nossa como eu gostava daquele corpinho, eu amava o jeito descontraído dele, às vezes que ele agia seriamente em certos assuntos, mas em outros, parecia uma verdadeira criança e... eu estou ferrada.
— Já cansou? — sou tirada dos meus devaneios quando escuto sua voz. Nem tinha me dado conta que eu estava o encarando.
— Voltou a falar comigo? — falo e ele revira os olhos, logo em seguida soltando uma risadinha.
— Você é chata quando quer hein, loira — ele diz bagunçando meu cabelo.
— Não paro até conseguir o que eu quero — digo, soltando uma piscadinha. — Senti sua falta.
Ele parecia surpreso com minha fala. Nunca havia demonstrado meu afeto assim ao uruguaio.
— Eu também — ele diz, agora se aproximando de mim. — Muita.
Estávamos quase colando nossos lábios, quando escuto alguém chamar meu nome.
— Carina?
— O que você tá fazendo aqui?
E minha noite tinha acabado de ir embora pelo ralo.
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