Ao meu amado, eu destino esta carta.
Perdoe me.
Por partir.
Por não resistir.
Eu precisei ir. Ignorar os sentimentos que possuo por ti.
Recordo-me dos nossos momentos.
Dos melhores.
Aos piores.
Dos seus risos tão alegres.
Dos seus gritos tão cortantes.
Meu coração é masoquista. Mas disso já sabias.
Todas as vezes que me mandava partir. Mas ali eu permanecia.
Eu precisava de ti.
Precisava da sua voz.
Necessitava do seu toque.
Fossem, carinhosos ou violentos.
Por que você era como meu ar.
O meu único amar.
Mas como pude me enganar?
Quando somente a mim deveria amar?
Eu costumava ser a sua flor.
Ser a sua Lira.
Ser o seu Lírio.
A Lira foi deixada de lado.
Acumulando pó e desafinando.
O Lírio foi largado no frio.
Congelando as raízes e perdendo suas pétalas.
Mas o tempo passou.
E com o tempo a Lira quebrou.
O Lírio murchou.
E só você restou.
A Lira ficou como uma memória distante.
O Lírio deixado em um jardim qualquer.
Eu me pergunto, como está?
O que tem feito?
Eu lamento ter partido.
Mas peço que entenda, querido.
Como um instrumento sobrevive sem os toques e cuidados?
Como uma flor sobrevive sem água e sol?
Eu continuo o amando.
Eu continuando me perguntando.
E se tivesse sido diferente?
E se a sua Eurídice eu tivesse sido?
