Nesta manhã cinzenta
Está tocando Fly me to the moon
Eu olho pra o céu e penso
Como pude partir?
Como pude te deixar?
Me lembro de como costumava
Cantarolar e dançar pela casa
Tentando me animar
Quis seguir meus sonhos
Mas meu sonho já estava lá
Eu escolhi partir e te deixar
Com lágrimas no olhar
E com o coração na mão
Mas cá estou eu
Em busca de rendição
Mas onde está?
Ouvi dizer que partiu
Em busca de um novo amor
Já que o antigo lhe deixou
Me perdoe, meu amor.
Volte para mim
Eu lhe suplico
Mas você já não está mais aqui
Não veio me ver
Me tocar
Me amar
Outra mulher te faz feliz
Outra está decorando suas sardas
Suas constelações pelo corpo
Provando do morango que possui em seus lábios
Acariciando seus cabelos
E admirando a imensidão em seu olhar
O bar está fechando
E meus olhos marejando
O álcool emanando dos meus lamentos
O garçom me manda ir para casa
Ah, meu amigo
Minha casa já está ocupada
Com um inquilino melhor
Você era meu lar
Onde eu respirava o mais puro ar
As janelas de cor âmbar
Onde eu observava o universo
Os lábios vermelhos
Minha ambrosia dos deuses
Mas como um cego tolo
Eu te deixei
E enquanto eu choro ao som de Dário
Ela te leva ao paraíso diário
E mais uma vez
Eu me tornei um presidiário
Mas não se uma prisão física
Mas a dos meus sentimentos
Te ver nos braços de outra
Ver que o motivo dos seus risos
São outra
Eu me tornei presidiário
Da sua felicidade
E do meu tormento diário.
