07• High anxiety

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Eu consigo sentir, meu coração está quebrando, por favor não diga
Que você sabe, quando você sabe
Eu não consigo, eu estou impaciente, me diga amor
Agora eu sei, você deve ir

- Cry baby, The neighbourhood

Se eu pudesse dar um conselho a mim mesmo no passado, seria com certeza: tudo acontece por uma razão

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Se eu pudesse dar um conselho a mim mesmo no passado, seria com certeza: tudo acontece por uma razão

Nem sempre é uma boa razão, mas sempre existe uma razão por trás de tudo, e não adianta reclamar e espernear, se tiver que acontecer, vai acontecer

Uma vez que encontrei as asas de uma borboleta na calçada. Queria pega-las pois eram azuis, minha cor favorita, mas não o fiz. Sabia que havia coisas que nunca deveria achar bonitas.

Se eu houvesse pegado, provavelmente teria me arrependido. Seria uma consequência ruim

Na época minha melhor amiga me levou para um pequeno enterro da borboleta. Ela cantou músicas da Lady Gaga, mesmo eu pensando não ser o ideal para o funeral de um animal tão bonito e delicado

Ela me fez uma pergunta a qual eu nunca vou esquecer. Nunquinha.

- Por que as coisas mais belas têm sempre que partir? - Ela colocou as pequenas mão sobre a caixa de sapatos, respirou fundo, e a lacrou com a borboleta ali dentro. O clima chuvoso provavelmente decompôs a pobrezinha alguns meses depois

Eu não sabia a resposta na época, mas agora eu sei

Tudo acontece por uma razão

As coisas belas partem porque elas precisam partir. Não porque não belas. Não porque exista uma força do universo conspirando contra a sua beleza. Elas simplesmente partem porque precisam partir

Mas sem mais nostalgias por hoje, eu estava na detenção por usar o telefone em sala.

Em minha defesa, nas escolas públicas aonde estudei, os professores não se importavam, ou melhor, eles não davam a mínima sabe?

As normas desse colégio eram insuportáveis, como se estivéssemos em um campo de treinamento militar. Primeiro implicaram com as tatuagens, com os sapatos e depois com o celular

Eles querem máquinas ou alunos? porque falta muito pouco para as pessoas aqui surtarem

- Senhor Dimateo, o que faz aqui hoje? - analisei os óculos do diretor gorducho. Ele não parecia com Brandon, seu rosto lembrava vagamente um personagem de cartoon, e as varias rugas preenchiam ao redor dos olhos cansados.

Eu podia jurar que parte da tinta azul usada no trote do primeiro dia de aula ainda estava ali presa nos fios ralos.

- Eu usei o telefone em sala - Dei de ombros e fiz um muxoxo com a boca - Em minha defesa não sabia que não era permitido

Ele sorriu de escárnio e analisou o papel. Quatro horas a mais nesse lugar não era exatamente o que eu esperava para uma terça-feira

Ainda mais desacompanhado

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