24• Under the lights

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Todo mundo gosta de ser levado para passeios
Para ver o quão brilhante o fogo dentro de nós queima
E todo mundo quer ser mal esta noite
Mas todos os bons demônios se disfarçam debaixo da luz

- Turn the lights off, Tally hall

- Turn the lights off, Tally hall

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Tempo. Não me lembro de o ter tão pouco. Se bem que ultimamente os ponteiros do relógio tem girado mais devagar exceto quando preciso que passem logo, e ainda assim, ironicamente não tenho um momento em que possa acompanhar meus próprios pensamentos

Escola. Gravadora. Quarto. Era o meu ciclo vicioso, e ao chegar em casa me dopava de remédios porque mesmo com a exaustão não conseguia dormir. Ao menos havia parado com as drogas pesadas e as substituído por substâncias menos nocivas em dose dupla.

Em um contexto geral eu estava bem. Não tinha tempo para pensar muito, nem para conversar, mas isso ajudava, a final, pensar demais sempre foi o meu maior problema. Ainda alimento um ódio estranho de Richard desde aquela noite, me fazia pensar sobre como ele é contraditório, quero dizer, ele não dá a mínima para mim, despreza minha música e não se preocupa em perguntar se estou bem. Até um tempo atrás ele implicava exageradamente com meus cachos, como se fossem feios ou desprezíveis, mas as vezes lança pequenas palavras bondosas como se fossem anular todas as merdas que me fez passar

Isso me dá esperança. Realmente acredito que ele possa mudar, e ai o ciclo recomeça. Não é como se tentasse verdadeiramente

Larguei meus materiais sobre a mesa em um canto enquanto assistia as gravações. Todo o pessoal da produção ouvia atentamente Esme cantar, já eu tinha fones de ouvido em um volume quase absurdo tentando abafar o som doce da voz dela. As músicas eram lentas e românticas demais, mesmo que algumas fossem boas. Eu a acompanhava desde o momento em que saímos de casa, ouvi os ensaios e ela exercitar a voz na entrada, já estava cansada e farta daquilo, juro que se tivesse que ouvir ela choramingar novamente pedindo um copo de água me atiraria do prédio ali mesmo.

Por falar nela, não conversamos muito desde o momento no banheiro, apenas o necessário, sem mencionar que mamãe continuava no meu pé, e na gravadora eu era tão desejada quanto uma pelota de mofo. Meu pai adorava seus joguinhos humilhantes, o que indiretamente dava o direito de seus amigos adorarem também. Em uma maioria sórdida das vezes eu pegava o café e ficava quieta observando, mesmo que algumas coisas ainda me intrigassem como o fato de Richard não ter dado a mínima para o desvio de dinheiro que notei entre os documentos de Rogers, soou tão entediado que suspeitei

Se não conhecesse a sua integridade impecável diria que estava tentando encobrir algo.

Anotei mentalmente que deveria analisar melhor os papeis depois antes de tirar qualquer conclusão

— Mais uma vez — Ouvi nosso diretor de som repetir. Alto, magricelo e careca o homem dava voltas pela sala, seus pés batiam lentos contra o piso e sempre ao passar por mim fazia questão de atrapalhar a escrita com algum comentário

The Little DevilHistórias para pegar e não largar. Descubra agora