Kim Demon não é apenas uma garota, ela é, sem sombra de dúvidas a pessoa mais desejada de Hillsdale High, e junto com o seu quarteto de amigos, ela mantém viva a hierarquia social. Aos olhos de cada alma naquele lugar ela é admirada, com exceção de...
Você vem brincar com meu coração Você vem por aí me contando segredos Você vem por aí me perguntando por que eu fui tão idiota
— Dreams via Memories, Ceramic Animal
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— Já correu da polícia? — Afastei os cachos dos olhos e analisei os rabiscos de tatuagens em seu braço até que chegasse em nos olhos negros como carvão. A caveira no pescoço o deixava com um ar mais ameaçador. Ele negou com a cabeça — Pra tudo tem uma primeira vez hur?
Logan me pareceu extremamente calmo para alguém que nunca havia fugido da polícia. Lembro que na minha primeira vez não tive escolha a não ser me arremessar rio abaixo junto a Charlotte, Kev e Josh, o que acabou destruindo por completo meus recém comprados aparelhos auditivos. Por sorte Josh sabia língua de sinais, então não foi difícil encontrarmos uma solução em conjunto
— Nós vamos pela janela — Josh agarrou a mão de Kevin com Charlotte em seu encalço, ambos estavam irritados pela ideia de termos sido dedurados, e meio atordoados com a situação dos policiais. — Kim, você leva seu amigo — Josh apontou para Logan, o varrendo de cima abaixo com os olhos, o moreno apenas franziu as sobrancelhas em resposta como se não aprovasse o apelido — Manda mensagem quando chegar em casa — Por fim eles deram as costas indo na direção da janela
Analisei o lugar uma última vez, observando um policial caminhar bar adentro desviando dos universitários com uma das mãos na fivela do cinto e a outra nos óculos escuros, varrendo o lugar de ponta a ponta com os olhos esguios. Agarrei o antebraço de Logan, acenando com a mão para que abaixasse e um sussurro sutil pedindo que fizesse silêncio
— Porque absolutamente tudo o que vocês fazem acaba com intervenção de alguma autoridade? — Não encarei o dono dos fios castanhos, apenas sorri, sentindo seu olhar queimar em minha pele. Atravessamos um grupo que tinha toda a sua atenção focada no policial, assim como boa parte das pessoas presentes ali se perguntando o porquê do homem estar ali
— Porque é mais divertido, duh — Dei de ombros, finalmente cruzando a porta de acesso para a cozinha. Ali haviam muitos funcionários, e uma placa de "apenas pessoal autorizado", o cômodo era completamente em tons branco meio amarelados com pequenos azulejos pretos na parede, e em um canto, o freezer de bebidas. Ninguém chegou a realmente nos notar
— Quer dizer que isso foi proposital?
— Obvio que não, não sou burra, querido — Inclinei a cabeça na sua direção, exalando sarcasmo em cada sílaba, o que só pareceu tirá-lo do sério — Acontece que os problemas me perseguem, é inevitável
Ele revirou os olhos. O filho da puta simplesmente revirou os olhos, e com toda a sua arrogância levou consigo um pequeno sorriso indecifrável