POV - ISABELLA SWAN
- Me espere aqui, irei comprar uma água para você está bem? - disse ele com as sobrancelhas semicerradas - É o tempo que você descansa.
Assenti sem conseguir pronunciar uma palavra sequer e me encostei no banco elevando a cabeça pra inspirar melhor o ar que entrava arranhando minhas vias aéreas enquanto ele gentilmente saiu para trazer água. Abri o bloco de notas para escrever mais alguns tópicos para o romance de Stefanie e Bradley. Quem diria que sair de Forks me traria mais inspiração para a história que eu estava a escrever... Além dos acontecimentos inesperados como o acidente de trânsito e o acidente na cafeteria que por pura coincidência pertencia a família do tal Edward Cullen que acabara de conhecer.
Não podia parecer real que Edward Cullen além de lindo, fosse gentil e herdeiro de um império em construção - não que essa última parte fosse relevante pra mim. Ele nem me conhecia, mas ao mesmo tempo sentia como se nos conhecêssemos de longa data. Percebi que ainda não havia escrito nada no bloco de notas, por me perder em pensamentos em relação ao dia de hoje. Merda! Senti uma pressão em meu rosto com um odor muito forte. Queria me soltar, gritar ou sair correndo, mas estava cansada e sabia que isso não me deixaria acordada pois senti minha visão começar a ficar turva, e por impulso de sobrevivência digitei "SOS" largando meu celular. Fiquei entregue à escuridão.
Eu sentia como se eu estivesse correndo numa terra enlameada, por mais que estivesse usando minhas forças, eu cansava. Então senti minha audição voltar um pouco, ainda não tinha controle de meu corpo, estava ouvindo o motor de um carro, bem como sons de outros veículos cruzando o que estava. Não desejei pensar para onde estava sendo levada, pois infelizmente minha mente vagava por documentários de ladrões de órgãos... Pele, olhos, rins, fígado, pulmões, coração... Me interrompi agoniada. Por quanto tempo eu devia estar nesse carro? Será que demorariam para encontrar minha mensagem e virem atrás de mim?
Pelo que pude sentir, o carro estava reduzindo a velocidade e a mesma medida eu senti que estava voltando a ter controle de meus movimentos. Abri um tanto relutante os olhos, deduzindo estar na mala, tentei puxar o ar pela boca mas ela estava vedada com uma fita. Minhas mãos estavam postas em posição orante com os dedos apontados para baixo, mas não consegui erguer para arrancar a fita de minha boca pois minhas mãos estavam conectadas aos tornozelos.
O carro parou. Tentei rezar mentalmente um Pai Nosso mas estava nervosa demais para saber se estava fazendo a oração na ordem correta ou se havia pulado alguma parte. Só foquei em "Livrai-nos do mau. Amém". Uma porta bateu. "Santa Maria Mãe de Deus, rogai por nós pecadores...". O porta-malas abriu e a claridade externa incomodou minha visão, fazendo eu ficar com os olhos semicerrados enxergando com muita dificuldade uma pessoa de preto com capuz ninja o que fez com que eu não o identificasse. Tentei gritar mesmo com a boca vedada, vazando uma espécie de gemido. O medo percorria em minhas veias, vi o sequestrador erguer o braço com punho fechado com um soco inglês entre os dedos, logo acertou minha cabeça, fazendo-me sentir o forte impacto e voltar para a escuridão. Novamente na lama.
[...]
Abri os olhos. Eu não estava morta. Ainda. Fitei por um bom momento o teto ainda desorientada. Não estava mais amarrada nem com minha boca vedada. Me pus de lado, colocando as pernas para fora da cama e fui me apoiando com o cotovelo para me sentar. Minha cabeça latejava, ainda mais quando resolvi palpar, senti também que havia um curativo adesivo. Fiquei sentada focando o chão até sentir equilíbrio suficiente, mas antes de levantar, olhei para um caixote de madeira, servindo como uma mesa de cabeceira ao lado da cama que estava sentada.
Nele tinha um copo descartável azul com água e um frasco amarelo-alaranjado com tampa que continha dois comprimidos nele. Peguei o frasco e colado nele havia uma etiqueta com "Me Tome" fazendo com que eu me sentisse a própria Alice para entrar no País das Maravilhas. Eu adoraria encolher e sumir desse lugar. Adoraria ainda mais se tudo não passasse de um sonho. Abri a tampa e fiz o que a etiqueta solicitou, pegando a água para ajudar os comprimidos a descerem goela abaixo.
Fiquei de pé e cambaleei um pouco até a porta. Estava trancada. Neste cômodo não haviam janelas, só a porta que tentei abrir e outra porta mais a frente, encostando a mão na parede cheguei até a outra, minha esperança de ser uma saída fazia meu peito palpitar e me fazia ouvir meus batimentos, quebrando o silêncio. A segunda porta estava aberta. Era um pequeno banheiro. Havia uma pia, um vaso sem tampa, não tinha box nem cortina separando a área do chuveiro. Onde poderia haver uma janela estavam em uma fileira tijolos de vidro, onde dois deles tinham uma pequena abertura para passagem de ar.
No chão estava dois frascos de plástico transparente, um mais baixo que o outro, que era cilíndrico e alto. Desenrosquei a válvula do frasco mais rechonchudo, era um sabonete líquido, fiz o mesmo com o mais comprido arregalando meus olhos instantaneamente. Era shampoo. Não qualquer shampoo. Meu shampoo. Não poderia ser coincidência um sequestrador por em um cativeiro itens de higiene de sua vítima. A não ser que tudo estivesse premeditado.
- Não... - sussurrei entre as lágrimas que começavam a percorrer minhas bochechas.
Comecei a gritar por socorro, voltei para a porta que estava trancada tentando entre socos na porta movimentando a maçaneta freneticamente mas sem sucesso. Não estava mais amarrada, mas continuava presa. Não tinha escapatória a não ser esta porta. Minha cabeça ainda latejava. Sentei na cama me abraçando, em prantos. O que eu estava fazendo aqui? Porque eu? Justamente eu? Me deitei virada para a parede ainda chorando. Provavelmente meu rosto devia estar mais inchado do que nunca. Eu só queria minha liberdade de volta. Minha vida de volta. Esperava do fundo de minha alma que me encontrassem o quanto antes.

YOU ARE READING
A casa azul
FanfictionEdward Cullen é encarregado de expandir os negócios da família e é enviado a cidadezinha de Forks-WA, mesmo não lhe parecendo uma boa ideia. Mas algo o deixou intrigado. O que?