Capítulo 09 - O Teatro do Desejo

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Nicole permaneceu imóvel diante da tela.

Pela primeira vez desde o início daquela investigação...

Ela tinha a sensação de que o assassino havia cometido seu primeiro erro.

O técnico continuou encarando o monitor por mais alguns segundos antes de apoiar as duas mãos sobre a bancada.

— Achei.

Nicole ergueu os olhos imediatamente.

— O quê?

Ele ampliou novamente a imagem e girou levemente o arquivo para corrigir a perspectiva do guardanapo. As letras antes borradas agora apareciam quase por completo.

"...PUERTO..."

O homem clicou em outra ferramenta e sorriu discretamente.

— Eu conheço essa tipografia.

Nicole aproximou-se da tela.

— Tem certeza?

— Trabalho há mais de trinta anos restaurando fotografias para hotéis, restaurantes e empresas. Algumas marcas acabam ficando gravadas na memória.

Ele abriu uma gaveta, retirou uma pequena lupa e voltou a observar a imagem.

— Não tenho cem por cento de certeza... mas noventa e nove.

Nicole permaneceu em silêncio, esperando.

— Esse guardanapo pertence ao Puerto de Oro.

Ela franziu a testa.

— Nunca ouvi falar.

— Pouca gente ouviu. Não é um restaurante comum. É um estabelecimento frequentado por empresários, políticos, investidores... gente com muito dinheiro. Fica na região portuária de Miami e funciona apenas durante a noite.

Nicole sentiu um arrepio percorrer a nuca.

Empresários.

Pessoas influentes.

Exatamente o perfil das vítimas.

— Consegue imprimir essa imagem para mim?

— Claro.

Enquanto a impressora começava a trabalhar, Nicole pegou o celular e discou imediatamente o número de Taylor.

Chamou uma vez.

Duas.

Na terceira, a ligação foi atendida.

— Jones? Aconteceu alguma coisa?

— Encontrei uma pista.

Do outro lado da linha, Taylor ficou em silêncio.

— Que tipo de pista?

Nicole observou a folha recém-impressa sair lentamente da impressora.

— Descobrimos de onde veio o guardanapo da fotografia.

— E...?

Ela respondeu sem conseguir esconder a satisfação na voz.

— Acho que acabamos de encontrar o lugar onde essa história realmente começou.

Taylor não respondeu por alguns segundos.

Quando voltou a falar, sua voz havia mudado completamente.

Já não havia ironia.

Havia urgência.

— Me manda o endereço. Estou indo agora.

A ÚLTIMA VÍTIMAHistórias para pegar e não largar. Descubra agora