2 semanas antes
Naquele dia, estávamos empolgados. Sorrindo mais do que o normal. Tirávamos fotos sem parar, algumas para guardar o momento, outras para mandar para o Vernon e surpreendê-lo com a notícia de que chegamos na Coreia antes do previsto. Andávamos sem rumo, sem pressa. Ainda que eu, Hoshi e Ryeoun tivéssemos uma alma curiosa e buscadora de novas culturas, era sempre bom estar de volta. Enquanto esperávamos o trem, os dois continuavam fazendo poses engraçadas para a câmera. O movimento aumentava ao nosso redor. E então, no meio da multidão, ela passou. Esbarrou neles, e o clique capturou o instante. A imagem saiu embaçada, mas o olhar dela ficou gravado com perfeição. Ouvi sua voz. Um pedido de desculpa meio tímido. Afastei-me da câmera e tentei encontrá-la outra vez no meio das pessoas. Ela continuava abrindo caminho, e eu tentava não perdê-la de vista. Mas foi inevitável. Olhei a foto de novo. Milhares de pessoas na estação, e ainda assim, era como se só houvesse ela. O zoom não era o suficiente. De onde vinha aquele olhar? Havia algo ali... Algo melancólico. Algo familiar. Ou talvez eu só tivesse enlouquecido em poucos segundos. Os meninos me chamaram para o lado oposto. O trem havia chegado. Dei um passo, depois outro, quase me virando para segui-los. Mas então, lá estava ela de novo. E, sem perceber, eu já caminhava na direção dela. Não sei o motivo. Foi instintivo, como se algo me puxasse. Mas antes que eu pudesse encurtar a distância, ela entrou no vagão. Me perdi no momento em que a vontade de conhecê-la se instalou em mim.
1 semana antes
Me endireitei na cadeira, seguindo o olhar dos outros. E lá estava ela. Com uma beleza capaz de curvar um rei. Nossos olhos se encontraram. Eu já sabia. Já tinha me perdido nela desde a estação. Mas agora, olhando diretamente, a sensação era ainda mais intensa. Como se já tivéssemos estado ali antes. Como um déjà vu infinito, sem começo nem fim. O barulho ao redor se desfez. E por segundos, quando comecei a perder a sensação em minhas bochechas. Levantei-me sem pensar, movido por algo que não sabia explicar. Só queria estar perto. Minha mão encontrou a dela. Pequena, quente, macia. Foi um toque breve, mas me atravessou inteiro. Como o mar tocando um iceberg sem a intenção de derretê-lo, mas ainda assim, transformando-o. Ela se afastou devagar. E eu... me atrevi a observá-la melhor. E pequei ao fazê-lo. Cada rubor no rosto. Cada olhar desviado. Cada detalhe que falava em um idioma que, de alguma forma, eu entendia perfeitamente, ainda que estivesse conhecendo pela primeira vez. E os meus olhos? Eles só sabiam a refletir. E assim, viravam quadros, viravam arte. Pisquei. E ela já estava se despedindo. Mesmo exausta, seu sorriso me deixou alarmado. Tanto que foi como se a curvatura de seus lábios precisassem de censura.
Atualmente
A casa da Família da Shizuki é impecável. Grande o suficiente para todos nós termos um quarto. Eu e Ryeoun dividimos um, Vernon e Hoshi estão ao lado, e as meninas ficaram juntas.
A música já começou quando terminamos de nos arrumar. Se eu não estivesse apressando meu melhor amigo, só chegaríamos na festa quando ela estivesse no fim. Ele tem sorte que sou paciente.
Mas essa noite... essa noite está diferente. Desço as escadas e sinto meu coração acelerar. O ar, o clima... algo mudou. Ou talvez seja só a certeza de que vou vê-la.
A festa está cheia. Muitas pessoas desconhecidas, tanto para mim quanto, imagino, para a aniversariante. Encontramos os outros perto da piscina gigante.
E então, ela aparece. E minha sensação aumenta. O riso solto no meu rosto encontra sua razão de existir. O vestido vermelho ajustado. O cabelo solto caindo suavemente sobre os ombros. E o sorriso. Eu quero dizer a ela. Dizer que não consigo tirá-la da cabeça. Dizer que, às vezes, isso me dá raiva. Porque, nessa luz, com esse olhar, eu sei... Ela é minha morte.
(***)
Estou impaciente. Aquilo não foi suficiente. Me sinto um adolescente bobo de filme clichê. O sono se esvai pela janela aberta do quarto, junto com o vento que balança as cortinas. Passo as mãos pelo rosto, me levanto. Lá do alto, avisto-a. Na beira da piscina, sozinha. Com um caderno nas mãos. E um sorriso que me deixa sem rumo. Me consumindo.
- Não sou uma criança.- Murmuro para mim mesmo.- Não posso fraquejar.
Caminho até ela. Pés descalços na água. Movimentos leves. Então, seus olhos encontram os meus. E, mais uma vez, o resto do mundo desaparece.
- Mingyu?- Maya diz, desconfortável, escondendo o caderno.
E eu sei.
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Sky. (Mingyu)
FanfictionA vaga lembrança de se deitar sobre a grama com sua mãe, depois de correrem alegremente pelo jardim, e de observar o céu que a encantou mais que as flores do lugar, persiste. Naquele dia, Maya quis desesperadamente ver uma estrela cadente. Em compar...
