Os anões se cumprimentavam, felizes por todos terem sobrevivido ao ataque de Smaug. Para a maioria deles, agora tinha acabado. Poderiam viver suas vidas, e a dor teria chegado ao fim. Mas eu sabia a verdade. Essa jornada estava longe de terminar.
- É bom vê-la de novo, Aerin - Ballin me cumprimentou.
- Igualmente, Ballin - Eu respondi.
Nós havíamos passado pela destruição de Smaug. Mas os anões não estavam preparados para o que estava por vir. Os próximos dias só provaram isso.
Thorin passava grande parte do tempo procurando pela pedra Arken. E todos os anões tinham que ajudá-lo nessa tarefa. Era frustrante. Thorin não parava por nada, e o trabalho se tornava exaustivo para todos.
Eu não me submetia a vontade de Thorin, mas muitas vezes ajudava os anões. Não era justo eles terem que fazer tanto trabalho, e eu não ia ficar sentada olhando. Mas eu sabia que se ainda não tínhamos encontrado a pedra, deveria haver algum motivo. Era inútil continuarem procurando.
Nesse dia, Thorin estava apenas observando os anões trabalharem.
- A pedra está nesses salões, encontrem! Ninguém descansa até encontrarem.
Os anões resmungavam, dizendo que já haviam procurado por toda parte, e que a pedra não estava lá. Mas Thorin nunca cedia.
Eu e Bilbo observávamos a cena de longe. Trocamos um olhar, ao ver o comportamento de Thorin. Mas não tínhamos ideia do que fazer, e qualquer movimento em falso poderia deixá-lo com raiva. E um confronto era a última coisa que queríamos.
Depois de um tempo, eu me retirei. Não tinha nada a fazer.
...
Bilbo andava sozinho pela montanha. Ele estava distraído. Algo passava por sua mente.
Uma memória passou pela sua cabeça. A voz trovejante e ameaçadora de Smaug.
"Eu estou quase tentado a deixá-lo levá-la. Nem que seja para ver Escudo de Carvalho sofrer, vê-la destruí-lo. Vê-la corromper seu coração, e deixá-lo louco"
Bilbo olhou em volta. Não havia ninguém a vista. Então ele tirou algo do bolso. A pedra Arken. Ele a virou algumas vezes nas mãos, pensativo.
Ele queria entregar a pedra Arken a Thorin, desde que a pegou, durante sua conversa com Smaug. Por um lado, tinha esperança de que ela pudesse curá-lo, e que essa sua ambição louca fosse curada. Mas a parte mais racional dele sabia, que isso seria apenas o gatilho para que a doença tomasse conta dele completamente.
Ele tinha uma escolha difícil pela frente, e não sabia qual caminho tomar.
...
Eu estava andando pela montanha. Eu tentava pensar em uma solução para o nosso problema. Eu sabia que logo o povo da cidade do lago estaria as portas de Erebor, reivindicando o ouro prometido por Thorin. Mas depois de tudo que eu vi, eu sabia que Thorin não entregaria esse ouro de boa vontade.
Eu vi Bilbo sentado entre as pedras. Ele não me notou. Então vi ele tirando a pedra Arken do bolso. Eu me aproximei dele devagar.
- Guarde isso, Bilbo. - Eu disse em voz baixa.
Ele se assustou, e imediatamente se virou para mim, com os olhos arregalados, e com um olhar de culpa.
- Aerin? E-eu...
- Não precisa se explicar. Eu já suspeito disso a algum tempo. - Eu disse.
Bilbo suspirou.
- Devo entregá-la a Thorin?
- Não. - Ele pareceu se surpreender com a minha resposta. - Acho que você mesmo sabe o que vai acontecer. Thorin está completamente fora de si. Se ele encontrar a pedra Arken, vai ser totalmente dominado pela doença.
- Eu não sei o que fazer. Não sei como podemos reverter isso.
- Eu também não. Mas por enquanto, tudo que podemos fazer é esperar. Tenho um pressentimento ruim.
...
- Para onde vão? - Legolas perguntou. Ele e Tauriel ainda estavam na cidade do lago.
- Só existe um lugar - Bard disse.
- Para a montanha? - Perguntou Alfred, que estava por perto - Com certeza conseguiríamos algum ouro.
- O ouro daquela montanha é amaldiçoado. - Disse Bard - Levaremos só o que foi prometido. Só o que precisamos para reconstruir nossas vidas.
- Notícias sobre a morte de Smaug se espalharam sobre as terras - Disse Legolas - Outros virão até a montanha, por sua riqueza, e por sua posição.
- O que sabe a respeito? - Perguntou Bard.
- Nada com certeza - Respondeu o elfo. - Mas temo o que pode vir.
Legolas olhou para a montanha. Ele temia que algo terrível estivesse para acontecer, e sabia que Aerin estava bem no meio daquilo. Ele se afastou do barqueiro, e foi até Tauriel, espantando os pensamentos ruins.
- Você viu alguma coisa - disse a elfa.
- O orc que persegui na cidade do lago, eu sei quem ele é. Bolg, cria de Azog, o profano. Um grupo de wargs o esperava nos arredores de Esgaroth, eles fugiram para o norte. Esses orcs são diferentes, eles tem uma marca que não vejo a muito tempo. A marca de Gundabad.
Um homem se aproximava, a cavalo. Quando ele se aproximou, Legolas percebeu que era conhecido.
- Meu senhor Legolas - Disse o elfo a sua frente - Seu pai quer que você volte.
Legolas não pareceu surpreso. Pelo contrário, nem pensou antes de responder com impaciência:
- Diga ao meu pai que não irei voltar. Eu já fiz a minha escolha, e se não há lugar para Aerin, também não há para mim.
O elfo tentou argumentar, mas não adiantava. Então ele se afastou, rapidamente, voltando para o reino da floresta.
- Eu estou indo para Gundabad, você vem? - Legolas perguntou para Tauriel.
A elfa assentiu, e os dois montaram em cavalos. Eles partiram rapidamente, na direção da fortaleza orc.
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A GreenLeaf #3
Adventure"A alguns anos eu era só uma garota normal..." A última parte da aventura dos anões. Finalmente! Smaug invadiu a cidade do lago. E enquanto toda a atenção de Aerin está nisso, as trevas se aproximam cada vez mais, conquistando espaço aos poucos. As...
