Obito Uchiha

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Acordei ainda com a cabeça latejando. A dor era tão intensa que parecia que meu crânio iria rachar em duas partes a qualquer momento. Fechei os olhos, tentando recuperar o fôlego, mas o pulsar não cedia. Com esforço, me levantei e iniciei minha rotina de sempre: a higiene matinal, a água fria no rosto, a tentativa inútil de despertar o corpo cansado. Em seguida, decidi trocar de roupa. Escolhi uma saia simples e uma regata leve, como se o tecido pudesse aliviar a pressão que me sufocava.

Desci as escadas com passos arrastados, o corredor silencioso, até que o cheiro de café fresco me guiou até a cozinha.

Lá estava Konan, serena como sempre, mexendo o café com calma, como se fosse a própria dona da tranquilidade.

— Bom dia, flor do dia! — disse ela, com um sorriso leve.

Suspirei fundo e revirei os olhos.
— Péssimo dia, Konan — murmurei, alcançando um frasco de remédio.

Ela arqueou uma sobrancelha.
— O que aconteceu?

— Só estou com uma puta dor de cabeça.

— Bem feito. — O tom dela era cortante, mas carregava aquela ironia quase carinhosa.

— Nossa, obrigada, viu? — resmunguei, engolindo o comprimido com um gole rápido de água.

Konan deu uma risadinha curta.
— Ninguém mandou beber tanto, parecia que nunca tinha provado álcool na vida.

Suspirei, apoiando-me na bancada.
— Me arrependo agora.

Ela serviu uma xícara fumegante e a estendeu para mim.
— Toma. Quer que eu faça aquele pão que você gosta?

Meu rosto se suavizou.
— Eu quero, Konan. Por favor.

Ela assentiu.
— Beleza.

Me sentei à mesa, observando o silêncio da base.
— Aliás, a base está muito calada hoje...

— Ah, é que os meninos saíram.

— Para onde? — perguntei, tomando um gole do café amargo.

— Não falaram. O único que ficou foi o Itachi.

— Entendi.

Ela pareceu hesitar um instante, mas logo perguntou:
— Posso te fazer uma pergunta?

— Claro.

— Você gosta do Itachi?

Suspirei, encostando a xícara sobre a mesa.
— Olha, Konan... eu já gostei muito dele. Mas acho que hoje em dia não, só como amigo mesmo.

— Entendi. — Ela virou o olhar para mim, como se medisse cada palavra. — Mas ele parece gostar bastante de você.

— Ah, você sabe, né? Desde crianças sempre fomos muito próximos.

— Mas esse gostar dele... não parece só amizade.

Balancei a cabeça.
— Acho improvável.

Konan não pareceu convencida.
— Acho que ele tem um sentimento por você.

— Sentimento de amizade — respondi firme. — Igual ao que eu tenho por ele.

Ela entregou o pão que havia preparado e me olhou com um ar malicioso.
— Ele é como um irmão pra você, então?

— Sim, Konan. Ele é como se fosse meu irmão.

— Você sempre fala isso pra quase todo mundo.

— É... realmente. — Dei uma mordida no pão, abafando um sorriso.

Deidara x leitora Onde histórias criam vida. Descubra agora