🍼 Capitulo 1 🌸

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Lily

Acordei chorando, isso acontece frequentemente. Sugo a chupeta com mais força enquanto tento acalmar minha respiração. Meus pais morreram há um ano e meio...Desde então sou atormentada pelos pesadelos.

Eles sempre me protegiam e cuidavam de mim, agora eu estou sozinha e odeio essa sensação. Para piorar eles me pediram uma última coisa antes de morrerem e eu não sei se serei capaz de cumprir. Peguei meu medalhão na cabeceira da cama e o colquei, foi a única coisa que eu consegui manter.

Me levanto meio atordoada e vejo que está quase na hora do despertador tocar. Ando pelo quarto meio sonolenta e me repreendo mentalmente quando dou uma topada no pé da cama. Acontece toda manhã e eu nunca me lembro. O quarto é um bem pequeno e o espaço entre o armário e a cama é mínimo, sempre resulta em acidentes.

Entro no banheiro para começar meu dia. O apartamento não era grande coisa, mas era melhor do que morar na rua e era o que eu conseguia pagar com meu salário. Respirei fundo, tentando pensar que as coisas vão melhorar. Me olho no espelho e meus olhos se enchem d'água, eu lembro de como minha mãe me acordava com carinho e sempre me fazia sentir bem.

Termino meu banho e saio dali. Pego um vestido e começo a pentear meus fios loiros. Meu cabelo começa mais claro e fica um pouco mais escuro nas pontas, eu acho bonito, talvez tenha me acostumado. Sinto meu seio doer e lembrei que só retirei leite de um deles com a bombinha antes do banho.

Quando eu tinha dezessete anos eu comecei a produzir leite. Eu não amamentava e nem tomava remédios para tal...Os médicos disserem que era um problema hormonal, mas que não me faria mal em nada. O leite não tem tantos nutrientes quanto o de uma mulher que está amamentando um bebê, mas também não faria mal a ninguém. Eu odeio a bombinha, mas é pior quando eu não retiro.

Saio de casa depois de tomar café. Dou bom dia ao porteiro e ele faz o mesmo. Respiro o ar fresco da manhã e sorrio ao ver os raios de sol, vamos começar mais um dia.

○○○

Estava andando na rua quando vi uma garotinha sentada na calçada com sua mãe e um bebê pequeno no colo. Eram moradores de rua, eu me senti mal pois eu também poderia estar nessa situação se não tivesse conseguido um emprego. Me aproximo e a mulher me olha desconfiada.

- Olá, calma. Eu não quero machucar vocês. - Expliquei com a voz calma.

Abri minha bolsa e peguei meu sanduíche e a maçã, também peguei a garrafinha de água e entreguei a ela. A mulher me olhou com brilho nos olhos e algumas lágrimas escaparam. Sorri, emocionada também.

- Muito obrigada! - Ela fungou.

- De nada. Desculpe não poder oferecer mais nada. - Falei com tristeza. Queria poder ajudar.

- Moça, a senhora já ajudou muito. Obrigada! - Ela assegurou e deu o sanduíche para a pequena menina comer. Segui meu caminho e suspirei.

Tinham tantas pessoas que precisavam de ajuda, eu queria poder ajudar mais. Mas eu mal conseguia me manter. Aquele era meu almoço, mas eu consigo me virar. Quem sabe qual foi a última vez que elas comeram ? Ninguém merece passar fome ou sede.

Cheguei na floricultura da Dona Rosa e sorri. Eu sempre amei flores, desde pequenininha. Meu pai e eu cuidavamos do jardim lá em casa, minha mãe sempre tinha que lutar para nos tirar de lá. A Dona Rosa foi quem me salvou de estar na rua, a senhora cuidava de mim como uma avó mesmo.

Ela poderia ter contratado pessoas com muito mais experiência para o cargo, mas ela disse que não adianta nada se a pessoa não trabalhar com amor. Ela foi ganhando confiança em mim e hoje eu praticamente a ajudo a administrar tudo por aqui. A senhora é um amor e diz que ama me ver trabalhando pois eu faço isso com simpatia e paixão.

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