Capítulo 3: Pequena Júlia.

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KAYLLA



Acordo com a garganta seca e olho para o lado, a jarra de água está seca.

Desço da cama e escuto um choro, os soluços são doloridos e sinto meu coração apertar.

Saio do quarto de Ana Lua e quando me viro, tem um homem na minha frente, na luz fraca da lua posso ver suas feições bonitas, o rosto sem barba, os cabelos brancos com uma mecha preta na frente o corpo grande e forte, os olhos dourados brilhantes fitos nos meus.

Sinto meu coração acelerar, minhas pernas ficarem bambas e a lembrança do lobo preto me vem a mente.

Ouço mais um soluço e a realidade vem a tona, era o irmão de Ana Lua com Júlia nos braços.

- O que houve com ela? Pergunto me aproximando.

- Quem é você? O que faz aqui? Ele pergunta com frieza.

Júlia olha para mim e começa a chorar novamente.

- Kaylla. Ela fala e se atira em meus braços deixando ele surpreso.

- Ei, o que aconteceu, se acalme. Digo a ela.

Sinto o olhar do senhor Arlavock em mim e sinto meu coração palpitar.

- Eu não sou uma boa menina Kaylla, ninguém gosta de mim. Ela fala entre soluços angustiados.

- Claro que você é uma boa menina. Digo a ela acariciando seus cabelos.

- Não, eu não sou. Ela fala e seus soluços me partem o coração.

- Claro que é, você é incrível, doce e inteligente. Digo a abraçando.

- Kaylla, você gosta de mim? Ela pergunta ainda chorando.

- Mas é claro que eu gosto, eu gosto muito de você, somos amigas lembra? Pergunto a ela.

- É, nós somos. Ela fala um pouco mais calma.

- O que você acha de tomar leite com biscoitos e uma história bem legal? Pergunto a ela que sorri com o rostinho inchado.

- Aleck, nós podemos? Ela pergunta o olhando.

- Claro que pode querida. Ele fala.

- Bem, eu não sei onde fica a cozinha, o senhor poderia me levar até lá? Pergunto a ele.

Ele me olha friamente, apesar de seus olhos quentes.

Desvio o olhar para Júlia que me abraça novamente e sigo o senhor Arlavock.

Descemos as escadas e caminhamos para a porta da direita, entrando em uma sala de refeições enorme, seguimos mais a frente e entramos em um corredor grande chegando a uma cozinha que dariam três da minha casa.

Coloco Júlia sentada no balcão de mármore e beijo seu nariz bonito.

Sinto o olhar do senhor Arlavock queimar minhas costas, mas me encho de uma coragem que nem sabia ter e caminho até a chaleira, coloco um pouco de água e espero, olho para ele que está encostado no balcão ao lado de Júlia, de braços cruzados, a perna esquerda sobre a direita, olhando cada movimento meu.

Analiso os braços fortes que deixavam a camisa apertada nos bíceps definidos, e o peito forte, volto a olhar seus olhos que me analisam atentamente, com um sorriso safado no rosto, sinto a umidade em meu sexo e aperto as coxas.

- Onde está o leite senhor? Pergunto a ele.

O sorriso aumenta e ele aponta para o armário de cima.

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