Capítulo 2

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Marcela a beijou ternamente. Aquele era seu beijo de despedida.





Dois anos depois.

Seção de Esportes por Marcela Mcgowan

Edição de Junho

Durante os últimos meses eu aprendi uma importante lição: encarar a morte, definitivamente, mudará sua vida.

Ela imediatamente selecionou o texto e apertou em deletar com raiva. Não era seu dever personalizar uma coluna sindicalizada, cujo público alvo era focado em esportes radicais, competições, e manchetes comerciais. Mas o fato de que tinha até mesmo considerado revelar sua batalha de vida e morte para o público indicava o quanto ela mudara.

Durante sua luta contra a doença que quase a matara, Marcela havia se tornado mais introspectiva e mais centrada. Deus até mesmo tinha comprado uma casa num bom e sossegado bairro da cidade! Dois anos atrás jamais previra trocar viagens de avião através do país por um escritório em casa. Avaliou muito de seus erros, um em particular continuava a assombra-la diariamente, mas não podia pensar naquela decisão. Não se quisesse concluir sua agenda.

Quando a campainha tocou, Marcela cogitou em não atender, imaginou ser sua mãe, que passara ali sem avisar para perguntar por que não foi ao tradicional almoço dos Mcgowan, quando na realidade tinha ido certificar que ela não tivera nenhuma recaída. Por mais que amasse sua mãe, às vezes ficava extremamente irritada com a obsessão de Joseane Mcgowan com seu bem estar.

A campainha soou novamente e a loira rapidamente mudou de ideia. Seu carro estava na garagem que estava aberta, o que poderia gerar um pânico em sua mãe seguido muitas ligações para hospitais, polícias, e até mesmo o IML, afinal Dona Josi era a rainha do drama. Inclinando do se para a direita, puxou a cortina, ao invés de ver o carro da mãe estacionado ao lado da calçada, viu outro carro. Uma minivan, bem familiar, que ela reconheceria em qualquer lugar no mundo porque era o carro que tinha escolhido junto com Gizelly quando decidiram aumentar a família. E no final das contas, Gizelly acabava sempre usando a sua Mercedes enquanto ficava com a minivan, a morena detestava sair em carro grande porque quase nunca achava lugar para estacionar, mas quando Marcela foi embora levou seu carro deixando -a com a minivan.

-Não pode ser. –Disse pra si mesma. Antes de tudo, Gizelly não sabia onde ela morava, segundo, detestava-a, foi o que Gizelly tinha dito a última vez em que se falaram. Mas Marcela no conhecia nenhuma outra alma viva que tinha aquele carro.

Movida à curiosidade, Marcela foi até a porta da frente, a fim de verificar se seu passado tinha batido em sua porta. E todas as dúvidas foram embora quando ela viu através do vidro da porta a mulher parada na varanda imóvel, como se seus pés estivessem presos no cimento do chão. Não tinha engano quando aqueles olhos castanhos se misturavam com o seu tom de pele, ela a reconheceria mesmo a distância de um campo de futebol. Jamais poderia esquecê-la.

Desde que a conhecera, a Dra. Gizelly Bicalho tinha se tornado uma de suas maiores fraquezas. Ela não era apenas linda e inteligente, mas a melhor amante que conhecera sexy ao extremo. Selvagem e desinibida, porém muito atenciosa e uma mãe incrível. Talvez ela quisesse dizer cara a cara tudo que quis dizer nesses anos, a loira tinha consciência que merecia todas as broncas do mundo, afinal foi horrível com ela. Ou simplesmente soubera de sua doença e... Se Marcela tivesse a sorte ela poderia querer uma segunda chance.

"E acreditar nisso é idiotice Marcela,". – Pensou a loira enquanto ajeitava seus cabelos para abrir porta, mas descente.

Gizelly só tinha um motivo para confrontar Marcela, mesmo se estivesse tentada a guardar a revelação para outro dia. Contudo, decidira que essa decisão seria a melhor coisa a se fazer. Mas parecia que Marcela não estava em casa. Isso significava que teria que voltar mais tarde, se não perdesse a coragem. Começou a voltar para o carro, mas parou no meio da calçada, para virar-se e dar uma última olhada para a sólida residência que Marcela comprara após o rompimento. Uma casa deslumbrante, para dizer o mínimo. E o fato que ela estabelecera numa vizinhança familiar amigável, também era notável. Aquilo a fez perguntar se a loira estivesse com alguém. Mas francamente não seria de sua conta. Afinal Marcela nem significava mais nada pra ela... Pelo menos foi o que pensou até que ela saiu pela porta da frente e caminhou em sua direção.

De repente... Casa cheiaOnde histórias criam vida. Descubra agora