capítulo 9

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Quando o despertador do celular tocou alto nos ouvidos de Gizelly, ela rolou para o lado e tardou para procurar o botão que o desligasse, mas quando se concentrou para ver a hora, saltou da cama como um míssil.

Depois de pegar seu roupão da poltrona no canto, ela o vestiu e foi direto para o quarto de Alessia para acordá-la, sabia que a filha era extremamente preguiçosa e lenta pela manhã, se a deixasse por conta própria, provavelmente ela só acordaria depois das dez horas.

– Ei Lelê -Ela foi falando, assim que entrou no quarto da menina. – Acorda! Vamos nos atrasar para a escola.

Alessia apenas virou-se e resmungou:

– Como assim? Já é segunda feira de novo? Eu nem descansei direito, não posso ir para a aula, mamãe.

Gizelly revirou os olhos:

– Alessia, por favor, já estou atrasada, filha. -Falou a morena, puxando o cobertor da filha.

– Mãe...

Gizelly jogou o cobertor em uma poltrona próxima a cama, e ajeitou seus cabelos:

– Ok, vou falar na sua língua, Alessia. Se você não estiver lá embaixo em quinze minutos, vai ficar uma semana sem café da manhã!

Alessia levantou a cabeça rapidamente e protestou:

– Isso não é justo, mãe!

Gizelly, já na porta do quarto, apenas arqueou as sobrancelhas e respondeu:

– Pois é, a vida não é justa, garota, já vai tomando nota disso.

Alessia revirou os olhos e levantou rapidamente, seguindo para o banheiro. Ela sabia que Gizelly Bicalho estressada não era a melhor coisa de se querer em plena segunda-feira.

Gizelly, depois de fazer o ultimato para a filha, foi direto para o quarto das trigêmeas, encontrando três berços vazios e nenhum sinal de Ally, Brenda, Claire ou Marcela.

O cheiro de café fresco enviou-a para a cozinha, onde se deparou com uma cena tirada de um filme doméstico. Marcela estava sentada na pequena copa, vestida numa calça de pijama xadrez rosa, blusa regata branca, os cabelos presos, desalinhados em um rabo de cavalo. Ela tinha os pés descalços apoiados sobre uma cadeira, no meio das meninas, que estavam cada uma em suas respectivas cadeiras de alimentação, a mão direita de Marcela brincava com a cabeleira de Claire que estava mais próxima dela, enquanto a esquerda segurava um jornal.

Felizmente, para Marcela, a visão serviu para apaziguar um pouco da irritação de Gizelly sobre não ter sido acordada para cuidar das trigêmeas. Na verdade, ainda era difícil para ela dividi-las. Estava em adaptação, afinal, foram um ano e meio sem dividi-las com ninguém. E depois, seus seios estavam doendo por estarem muito cheios.

– Bom dia para vocês quatro.

Marcela ergueu os olhos e disse um "Bom dia" numa voz tão sensual, que Gizelly poderia passar o dia inteiro ouvindo, caso se permitisse. Aquela voz e aquela cena matinal eram quase demais para suportar tão cedo, ou em qualquer horário, na verdade. Ela não deveria tê-la abraçado na noite anterior. O pequeno lapso a levou a pensamentos inoportunos, que a impediram de dormir com facilidade.

– Eu... Eu não ouvi elas chorarem... -Disse ela, levemente constrangida – Esqueci de ligar a babá eletrônica.

– Tudo bem, você precisava descansar mesmo, então foi bom. Elas acordaram duas vezes apenas. Mas me virei bem. Como elas não choraram muito, não te acordei, e da segunda vez, foi há meia hora, nós viemos para cá a fim de ver as notícias no mundo dos esportes.

De repente... Casa cheiaOnde histórias criam vida. Descubra agora